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Xenical, droga que prometia revolucionar a perda de peso, mas acabou não fazendo muito sucesso - divulgação
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Inimigo de peso

11 nov 2005 às 11:00
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Um regime pode ter diversas formas e pretextos – ser político, econômico ou militar – mas nenhum desses afeta tanto o ser humano quanto o famigerado regime dietético.
Dados históricos dão conta de que há muito tempo o homem já se preocupava com as propriedades calóricas dos alimentos. Mas foi só no ultimo século que os regimes e dietas atingiram o status quo.
Na verdade, tanto o regime como a dieta, são, comumente, empregados de forma equivocada, assim como neste texto, já que nenhum dos dois se refere diretamente a emagrecimento, o verdadeiro tema do qual pretendo tratar. Acontece, que foi assim que se convencionou chamar o tipo especifico de regime ou dieta destinado a quem pretende perder peso, ou seja, uma generalização.
Confuso? Não. É que os regimes alimentares, bem como as dietas, não passam de um conjunto de alimentos agrupados em decorrência de algum fator, que pode ser médico, geográfico, biológico e mesmo estético. Agora, nada obriga que esses alimentos sejam light, diet ou custem mais caro por isso.
Veja alguns exemplos.
A dieta a que se submetem os diabéticos, não tem por objetivo transformá-los em beldades saradas, mas, sim, evitar que essas pessoas entrem em colapso pelo consumo de alimentos ricos em glicose. Da mesma forma, os celíacos que enfrentam um rigoroso regime alimentar, não pretendem chegar no verão com tudo em cima, apenas não querem morrer pela ingestão de glúten.
Mas é claro, a grande maioria das pessoas que se submetem a uma dieta, estão querendo mesmo é emagrecer, por isso, sempre que pensamos em regime ou dieta, nós os associamos à restrição de calorias. Exceção feita para as dietas de engorda, uma ínfima minoria dos casos, que, além da pouca utilidade para este que lhes fala, não movimenta nenhuma indústria milionária, por isso vamos deixá-las de fora.
Agora, regimes de emagrecimento, estes sim, existem aos montes, sendo prática comum e incentivada entre boa parte da população. Inclusive, devo confessar que, muito embora considere regimes uma das formas de tortura mais atroz, que se pode impingir a um ser humano, já me submeti a alguns. E se você sabe do que estou falando, é porque, pelo menos, em uma segunda-feira qualquer da sua vida, também já começou um.
Tudo bem, a culpa não é sua, é da sociedade. Vivemos sob um rigoroso padrão estético de magreza, que para a maioria das pessoas é inatingível. Como se isso fosse pouco, é consenso entre a classe médica que a obesidade e o sobre-peso são nocivos à saúde, ou seja, estão todos contra nós.
Sendo assim, estamos em permanente estado de inconformismo com as próprias formas, ficando suscetíveis a toda sorte de produtos e métodos que prometam nos fazer perder os quilos a mais. E essa é a parte perigosa do negócio.
A verdade é que a maioria dos "gordinhos" não enfrenta nenhum problema grave de saúde associado exclusivamente ao seu sobre-peso, mas sim, ao estilo de vida que leva. Mesmo assim muitos, em vez de mudarem seus hábitos, aventuram-se em regimes e dietas – milagrosos – de emagrecimento, numa tarefa que pode ser árdua e muito complicada. Emagrecer é um processo tão complexo e relativo, que até hoje, nem mesmo a ciência médica, uma das mais avançadas da nossa época, conseguiu desenvolver fórmulas eficazes para resolver o problema. E olha que não falta gente tentando, mas, infelizmente, entre esses estão muitos charlatães e aproveitadores.
Antes de sair por aí agredindo nutricionistas e endocrinologistas, saiba, que eles não são os principais culpados de você ter parado de comer chocolate, e raramente agem de má fé. Eu diria, que talvez os gregos merecessem tal represália, afinal foram eles que inventaram o tal padrão de beleza vigente. Mas o verdadeiro inimigo, o mais perigoso e dissimulado de todos, é a indústria do emagrecimento.
Livros e mais livros de receitas insípidas; métodos mirabolantes de emagrecimento; pseudo tratados de auto-ajuda gastronômica, com títulos enganosos como: Coma Menos e Viva Feliz (que piada!); e produtos, muitos produtos dietéticos, quimicamente alterados, de eficácia duvidosa, mas sabor comprovadamente ruim.
Esses são só alguns dos artifícios dessa indústria, e é nela que se encontra a maioria dos aproveitadores e charlatães de que falei acima. Distorcendo dados de pesquisas médicas e aproveitando-se da boa vontade (desespero) de todos os gordinhos inconformados, muitas empresas e editoras abastecem, todo ano, com uma enxurrada de novos títulos e produtos, o mercado do emagrecimento, engordando suas contas bancárias.
É meus caros, não bastasse aos "gordinhos" serem o alvo predileto de brincadeiras de mau gosto e piadinhas infames por parte dos amigos, eles ainda tem que lidar com esse intenso bombardeio da indústria do emagrecimento, que pode ser nocivo para a estima, para o bolso, e pasmem! Para a saúde.
Pois é, o que o Dr. Atkins não contou em nenhum dos seus milhões de livros, é que dietas "revolucionárias" como a dele, e tantas outras, desse "tipinho", que existem por aí, podem não trazer benefício algum para quem se submete a elas. E o pior, às vezes, pode ter um efeito contrário, causando males a saúde dos seus praticantes.
Seres humanos são criaturas complexas, os do sexo feminino um pouco mais, como todos sabemos, e apresentam características muito próprias. Por isso, o metabolismo de cada um reage de forma diferente a uma determinada dieta ou regime. Dessa forma, o mesmo tipo de alimentação que fez aquela sua prima modelo perder 50 quilos em um mês, pode ser o responsável pela sua anemia de amanhã.
Parece que até agora, o único método comprovadamente emagrecedor, fora a cirurgia bariátrica, não é um método, mas sim, a velha "receitinha" de comer moderadamente e praticar exercícios. Claro, sempre pode-se tentar uns meses de intercâmbio culinário na Somália, mas eu, particularmente, não recomendo.
É cientificamente comprovado que praticar exercícios físicos regulares, além de todo aquele monte de benefícios, também auxilia na perda de peso, bem como uma ou outra droga. Mas não se engane, o principal fator de emagrecimento, é mesmo a restrição calórica. Então, se você não nasceu dotado de gene da magreza (ele ainda não existe, mas tenho certeza de que vão descobri-lo), prepare-se para uma vida inteira de luta com a balança, e nunca se renda as sub-reptícias artimanhas da afamada indústria do emagrecimento.

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