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Entenda e saiba como lidar com disfunções sexuais do seu parceiro

Redação Bonde
03 dez 2013 às 08:53
- Reprodução
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Estimativas apontam que 48% dos homens brasileiros têm algum tipo de disfunção sexual, com maior incidência a partir dos 40 anos. As disfunções sexuais masculinas compreendem a disfunção erétil, ejaculação precoce e perda de libido. Atualmente as disfunções sexuais, particularmente a disfunção erétil, representam um marcador de problemas cardiovasculares e de diabetes no homem. Um homem que não tenha nenhum sinal ou sintoma de diabetes (excesso de sede, fome exagerada, principalmente por doces, dificuldade de cicatrização de feridas ou glicemia sanguínea de jejum elevada em mais de uma ocasião - superior a 99 ng/dl), pode ter na disfunção erétil um sinal de alerta para essa doença. Da mesma forma que falamos da diabetes, assim é com a hipertensão arterial, com as doenças cardiovasculares e outras doenças relacionadas ao aparelho endócrino como as doenças da tireoide, hipófise anterior e supra-renal.

A perda de libido também pode estar relacionada com alterações hormonais. Tanto pela alteração direta nos níveis de testosterona causada pelo envelhecimento natural do homem (lembrando que essas alterações já podem ocorrer a partir dos 45 anos, como por problemas em glândulas que vão afetar os níveis de testosterona. Problemas na hipófise anterior a que venham alterar a produção de FSH e LH que no homem são hormônios que estimulam o amadurecimento das células de espermatozoides e de testosterona no testículo. Nas supra renais que produzem alguns androgênicos e também hormônios que são indicativos de estresse como ACTH e cortisol que quando aumentados podem acarretar aumento da pressão arterial, doenças cardíacas como arritmias e predispõe o individuo ao risco de doenças coronarianas, por contribuírem para mudanças no metabolismo aumentando a possibilidade de elevação do colesterol ruim (LDL), glicemia, além de alterações endócrinas que contribuem para elevação do estrogênio (hormônio feminino) no homem.

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A ejaculação precoce está mais relacionada com o próprio indivíduo e com o seu próprio "time" orgástico e ejaculatório e o quanto consegue controlá-lo. De maneira bastante simplificada, podemos dizer que uma via nervosa aferente parte da glande peniana em direção à medula e desta saem nervos da cadeia simpática, mediados pela noradrenalina e nervos somáticos, mediados pela acetilcolina. Esses nervos são responsáveis por uma série de eventos que culminam na ejaculação. O sistema nervoso central tem um papel modulador, ora facilitando, ora inibindo o orgasmo. A serotonina tem um importante papel modulador do orgasmo, podendo retardá-lo.

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Todas essas disfunções podem ser acarretadas por problemas psicológicos como medo de falhar, traumas dentre outras, mas não podemos fazer dessas causas fatores determinantes e sim buscarmos antes de qualquer coisa uma causa orgânica.

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As preocupações e a ansiedade frente a todas as situações que a vida nos oferece de desafios, afeta a vida sexual de ambos os sexos. O sujeito que está sempre se colocando em desafios ou é desafiado constantemente por problemas ou metas institucionais, ou até mesmo pessoais, que fazem com que a maioria do tempo esteja com seus pensamentos focados nessas situações passa a ter um obsessão. E toda obsessão é patológica e leva à pessoa a se tornar primeiro ansioso e depois deprimido.


Uma coisa são as preocupações naturais da vida em seus diferentes estágios, outra coisa é fazer das preocupações uma obsessão. Algumas vezes os problemas e desafios são tão imensos que o homem vive tão ligado que passa a liberar hormônios que aumentam a pressão arterial, o trabalho cardíaco através do mecanismo de vasoconstricção arterial (contração das artérias), que afeta sua vida sexual, principalmente a qualidade da ereção. E a partir do momento que afeta a vida sexual, a ansiedade toma conta e o rapaz passa a se ver como impotente para todas as situações, inclusive para sua "válvula de escape" o sexo!

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Quando atinge a vida sexual masculina, começa um processo de depressão, que o deixa desmotivado não só para o sexo, mas também para outras atividades. Na maioria das vezes é indicado o uso de um antidepressivo e ansiolítico, que resolve em partes.A ansiedade e a depressão podem levar a um aumento de hormônios como o ACTH e o cortisol, que podem alterar o mecanismo hormonal levando, por exemplo, a uma elevação do estrogênio, e mudanças nos níveis de testosterona. Essas alterações se não corrigidas podem aumentar os sintomas de depressão e piorar o desejo sexual além do desempenho. Homens que mesmo usando antidepressivos não apresentam uma melhora no humor, ou em uso de ansiolíticos que continuam irritadiços, é importante procurar o médico e pedir para serem realizados exames hormonais, além de incluir o ACTH e cortisol sérico.


Como já expliquei, mas vou usar uma frase que uso para meus clientes: "nem todas as disfunções são psicológicas, mas todas têm componentes psicológicos". É muito raro um homem que apresenta uma disfunção sexual que não fique psicologicamente abalado. Agora temos que focar nos fatores de risco.

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Para se ter desejo, e este desejo se reverter em ereção e em uma relação prazerosa para o casal, é necessário entender que todos esses mecanismos estão intimamente relacionados com os sistemas nervoso central (SNC), nervoso periférico, endócrino e cardiovascular. Portanto os fatores de risco a serem combatidos são os mesmos para prevenção de doenças cardiovasculares: sedentarismo, obesidade, diabetes, tabagismo, uso abusivo de álcool, colesterol e triglicérides elevados.


Além dos fatores de risco cardiovascular, temos de ter cuidado em evitar doenças que os seus tratamentos e a sua existência podem levar a uma disfunção sexual, principalmente a disfunção erétil, como doenças da próstata, câncer de intestino grosso e reto (câncer de cólon e reto), doenças hepáticas (fígado), doenças da tireoide.

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O diagnóstico é sintomático, ou seja, o paciente já traz o problema relatando o caso. Cabe ao médico ir à busca da causa orgânica ou psicológica. No consultório deve ser feita uma investigação clínica bem feita indo à busca de fatores de risco, hábitos de vida que devem ser modificados e história social. O exame físico deve partir do geral ao específico quando devem ser examinados os genitais e realizando o Doppler de artérias dorsais do pênis que nos casos da disfunção erétil pode ser necessário o teste de ereção farmacológico. Exames laboratoriais para verificar perfil lipídico, diabetes, dosagens hormonais, PSA e outros pertinentes a cada faixa etária, também devem ser solicitados.


O tratamento depende da causa da disfunção e pode variar desde o controle de uma pressão ou diabetes mal controlada até tratamentos específicos que podem levar a mais ou menos nove meses de tratamento e acompanhamento. O tratamento das disfunções sexuais demandam quase sempre um tratamento individualizado e multidisciplinar, além de um tempo maior nas consultas e retornos. Os vasodilatadores são um tipo de tratamento para ereção assim como reposição hormonal, mas muitas vezes precisamos de uma associação de medicamento que necessitam de um maior cuidado.

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Como elas devem agir


Quando a mulher perceber que o parceiro tem dificuldade no relacionamento sexual, ou porque a ereção não é suficiente para penetração ou porque diminui durante o ato, e que a ejaculação é rápida, não deve abordá-lo fazendo gracinhas ou com desconfiança. O homem já percebeu que tem um problema e uma forma muito comum de encarar esse problema é se afastando da cama. Se seu parceiro demora para ir para o quarto, ou arranja uma desculpa frequente para dormir, sempre indo para cama quando você já está dormindo e não procura mais você, ele está com problema e está com medo de "falhar" ou fazer você perceber que está com disfunção sexual.

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Nesses casos, é muito comum que as parceiras desconfiem de traição ou da perda de interesse, e também se afastem ou ficam irritadas, cobrando a suposta infidelidade do parceiro. Converse, encare o problema de frente, sem piadinhas ou piedade. Leve seu parceiro ao médico, lembre a ele da hipertensão mal controlada, do diabetes que nunca deu bola e da única "loira" que faz com ele a traia: a "loira gelada", ou melhor, as "loiras geladas". Seja realmente uma parceira, fuja do sentimento de piedade, seja realista e cobre dele uma postura firme frente à sua saúde.


Também é importante evitar a automedicação e profissionais ou clínicas que prometem milagres como cura ou que apelam para o sentimentalismo. Busque profissionais clínicos que tenham histórico profissional em tratamento de disfunções, membros de sociedades voltadas à medicina sexual, além de endocrinologistas e urologistas que tenham histórico de atuação nessa área.


As disfunções sexuais masculinas por mais complexas que sejam, acabam tendo um bom prognóstico melhor porque o homem percebe a melhora a olhos vistos. Já a mulher sofre mais com a situação, já que muitas vezes acaba fingindo o orgasmo, mas no íntimo está em frangalhos, com vontade e com desejo ainda, pois não chegou lá. Por isso, da mesma forma que a mulher se preocupa com a saúde de seu parceiro, também deve procurar ajuda médica. Tanto homens como mulheres, nunca, e nunca mesmo, devem se afastar da vida sexual com seu parceiro (a). Pelo contrário: busquem a companhia um do outro, troquem carícias e busquem o amor. Essas atitudes, aliadas aos avanços da medicina, vão levá-los ao sucesso na vida a dois.

*Por Carlos Eduardo Prado Costa, membro da Sociedade Internacional de Medicina Sexual e da Sociedade Brasileira de Clínica Médica. É médico, palestrante e realiza mensalmente conferências em todo o Brasil, especialmente sobre a Saúde do Homem. É autor do Programa Ictus Homem.


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