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Atenção aos sinais!

Love bombing: quando demonstrações exageradas de amor se tornam patológicas?

Caroline Knup - Especial para o Portal Bonde
19 jul 2023 às 17:13
- iStock
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Declarações de amor, chocolates, buquês de flores e frases como "você é incrível, não paro de pensar em você" são formas comuns de demonstrar sentimentos. Porém, quando situações como essas ultrapassam limites e beiram ao exagero, é importante ter atenção, já que os sinais podem indicar um comportamento patológico.


A expressão "love bombing", ou "bombardeio de amor", em tradução literal para o português, se tornou um tópico de discussão nas redes sociais. O pontapé inicial para o debate foi a publicação de um vídeo no perfil da comunicadora Hana Khalil, no qual a criadora de conteúdo expõe atitudes comuns entre os praticantes de love bombing.

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"Quem já levou essa explosão rápida de amor, ou o love bombing? Aqueles fogos de obsessão que duram um determinado tempo e passam quando você começa a se envolver?", questiona Khalil na legenda da postagem.

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O conceito, que é utilizado, principalmente, fora do Brasil, está relacionado a demonstrações exageradas de amor, que acontecem, geralmente, no início de relacionamentos. 


"O love bombing é uma emoção quase que instantânea e exagerada. Em relacionamentos amorosos, quem pratica o bombardeio de amor dá a entender, no começo, que aquela relação é a relação da vida. A pessoa faz com que pareça um filme de Hollywood", explica Andrea Lunardelli Valente, psicóloga clínica que faz atendimentos na PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), em Londrina, e trabalha como docente na UEL (Universidade Estadual de Londrina).

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Conforme aponta Valente, o indivíduo que recebe o bombardeio de amor, em um primeiro momento, se sente especial e contemplado por um afeto incomum. "Como tudo que é exagerado, esse comportamento é difícil de ser sustentado. De um lado, temos uma pessoa que quer capturar a outra por meio dessas demonstrações e, de outro, uma pessoa que não consegue recusar tanto amor."


A estudante de psicologia I. B., de 19 anos, passou por um relacionamento em que sofreu bombardeios de amor. "Nos momentos em que ele fazia declarações, textos e presentes, eu me sentia a pessoa mais especial e amada do mundo, como se nunca fosse encontrar alguém que me amasse tanto. Eu me sentia verdadeiramente importante para ele", relata.

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Ao contrário do que muitos pensam, o exagero das ações tem como objetivo não conquistar o outro, mas chamar atenção para si. E, segundo a psicóloga, o comportamento tende a terminar tão rápido quanto começou.


"Quando a pessoa atingida pelo bombardeio de amor já está envolvida naquela teia, o outro se afasta por qualquer motivo. Nesse caso, o importante era provar para si mesmo que era capaz de conquistar alguém e, quando essa conquista se mostra efetiva, não há mais graça. Mas, até chegar nisso, existe um processo", aponta.

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I.B. conta que, com o relacionamento conturbado e com as mudanças de comportamento do namorado, teve sentimentos ruins. "Quando percebi o que estava acontecendo, me senti usada, ansiosa e com muito medo de sair daquilo e nunca mais encontrar ninguém que me 'amasse' como ele."


LOVE BOMBING X GHOSTING

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Muitas vezes, o comportamento de conquistar e desaparecer em seguida pode ser confundido com o "ghosting", expressão que deriva do termo "ghost" ("fantasma", em tradução para o português). Contudo, existem diferenças que devem ser consideradas.


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"O ghosting é um amor fantasma. Assim como no love bombing, um dos envolvidos se mostra muito intenso, mas desaparece, às vezes gradativamente e, em outras, de forma súbita. É aquele relacionamento em que a pessoa manda mensagem todo dia e, do nada, acabou. Já no love bombing o praticante não desaparece, porque há um sadismo em observar a reação do outro conforme se demonstra cada vez menos sentimento e interesse", explica.

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Quando o relacionamento atinge essa fase, é comum, também, que o indivíduo que bombardeou o outro de amor comece a apontar defeitos em sua personalidade e em seus comportamentos, o que faz com que a vítima se sinta perdida e se questione. "'É assim que o praticante começa a atribuir a culpa da baixa intensidade das demonstrações ao outro."


PARA ALÉM DOS RELACIONAMENTOS AMOROSOS


A jovem aprendiz A. M., de 17 anos, vivenciou uma experiência de love bombing, mas com uma amiga. O relacionamento começou de forma virtual e, no início, era muito intenso. "As atitudes dela comigo foram de extrema intimidade. A gente conversava desde o bom dia até o boa noite. Ela sempre falava que gostava de mim e chegou até a falar que me amava", conta.


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Segundo a adolescente, a identificação dos comportamentos como love bombing aconteceu após a jovem aprendiz perceber traços narcisistas na amiga. "Ela começou a só falar comigo quando era sobre ela. Eu já havia me acostumado com ela no meu dia, então foi muito estranho conversar só uma vez na semana. Quando ela começou a se afastar, passou a me tratar mal e a debochar do que eu falava. Ela me tratava como um nada."


No início da relação de amizade, A. M. relata ter se sentido "única e amada", o que mudou drasticamente quando as demonstrações de afeto cessaram, já que jovem conta ter se sentido "usada como um brinquedo".


TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE


Estudos recentes da área da psicologia têm relacionado a prática de love bombing a transtornos de personalidade, especialmente o transtorno de personalidade narcisista. Isso porque os comportamentos exagerados visam atrair elogios, admiração e reconhecimento para quem os pratica, os colocando no centro.


A estudante de psicologia I. B. identificou traços do transtorno em seu ex-namorado. "Ele era uma pessoa completamente narcisista. Queria uma fã e não uma namorada, apenas alguém para aumentar o ego dele porque ele mesmo não acreditava em si", declara.


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De acordo com Valente, os praticantes de love bombing buscam vítimas consideradas vulneráveis, como pessoas que demonstram carência e visões ilusórias.


"O que eu digo, especialmente para os jovens, é sempre desconfiar de tudo que é exagerado. É importante entender o que é amor, paixão e interesse, assim como as diferenças entre eles. Outro ponto é ter o pé no chão e não sonhar com amores hollywoodianos, não se iludir rápido", alerta a psicóloga.


Por fim, a especialista indica que a psicoterapia é um bom caminho para se proteger de atitudes como o bombardeio de amor. "É na terapia que você vai se conhecer e entender como ver as situações com emoção, mas também com razão", finaliza.

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