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Aulas online aumentaram miopia

Visão enfraquecida pode dificultar aprendizado no ensino presencial

Redação Bonde com Assessoria de Imprensa
27 jul 2021 às 16:19
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Em agosto, escolas estaduais que estiveram fechadas desde o início da pandemia reabrem em 24 dos 27 estados brasileiros. Ficam de fora Acre e Paraíba que reabrem em setembro após a vacinação dos professores e Roraima que não têm previsão de reabertura.

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Para o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, na volta às aulas presenciais, o exame de vista deveria ser obrigatório. Isso porque, o baixo rendimento escolar está associado à falta de óculos para 51% das crianças. É o que indica pesquisa feita com 36 mil alunos matriculados nas escolas municipais de Campinas. O levantamento foi realizado durante programa social realizado sob a direção do oftalmologista em parceria com a Secretaria de Educação da cidade. Na iniciativa, as crianças receberam óculos doados por empresas do setor óptico após triagem visual e exame médico. "O estudo é resultado da avaliação dos pais e professores após um ano de uso dos óculos” afirma. Para o médico o resultado explica porque o relatório do Pnud (programa das nações unidas para o desenvolvimento) revela que 1 em cada 4 crianças brasileiras abandonam a escola no ensino básico.

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Aumento da miopia - Recentes pesquisas desenvolvidas na América Latina e China mostram que a miopia, dificuldade de enxergar à distância, aumentou entre crianças durante a pandemia. Os pesquisadores atribuem este crescimento à falta de exposição ao sol no isolamento. Isso porque, a radiação solar estimula a produção de um hormônio, a dopamina, que monitora o crescimento do olho, maior nos míopes.


Queiroz Neto afirma que as aulas online também contribuem. Isso porque, um levantamento realizado pelo médico com 360 crianças que permaneciam conectadas seis horas por dia encontrou miopia em 21%, contra a prevalência de 12%, apontada pelo CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) do qual o médico faz parte. "Isso acontece porque os músculos do olho sofrem um espasmo causado pelo excesso de esforço visual para perto”, explica.

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Maioria nunca foi ao oftalmologista - O especialista diz que 7 em cada 10 crianças que participaram do programa realizado no hospital nunca tinham passado por consulta oftalmológica. A estimativa do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) é de que na infância 20% precisam corrigir a refração.


"Na pandemia as crianças deixaram de usar a visão à distância e muitas não percebem que estão míopes. No hospital, tem sido recorrente crianças que nunca usaram óculos chegarem à primeira consulta com dificuldade de enxergar. O problema de refração mais comum tem sido a miopia que está se tornando uma verdadeira epidemia global", comenta. "No mundo todo a preocupação é impedir a progressão. Isso porque, acima de seis graus, aumenta o risco de catarata precoce, glaucoma, descolamento e doenças degenerativas na retina que levam à perda irreparável da visão. Para controlar a progressão, recentemente chegou ao país uma lente de contato para até 12 anos que estabiliza o grau impedindo o alongamento do olho. As primeiras prescrições mostram boa adaptação das crianças”, afirma.


Outros problemas comuns na infância são a dificuldade de enxergar de perto ou hipermetropia, e visão desfocada para perto longe, o astigmatismo. Na infância o exame oftalmológico é essencial porque o olho está em desenvolvimento até a idade de 8 anos. "A falta de tratamento adequado neste período pode se transformar em deficiência visual grave e até levar à perda da visão”, alerta.


Olho preguiçoso pode cegar - Este é o caso da ambliopia, ou 'olho preguiçoso', que atinge 4% das crianças brasileiras. Acontece quando o desenvolvimento de um dos olhos fica comprometido pelo estrabismo (olhos desalinhados), catarata congênita unilateral e diferença importante refração entre os olhos.


O tratamento deve ser feito antes do olho completar o desenvolvimento. Consiste em ocluir o olho de melhor visão para forçar o desenvolvimento do outro. Isso porque, a criança só usa o olho bom e o outro fica cada vez mais fraco.


Ele diz que a oclusão é suficiente para alinhar casos leves de estrabismo e fundamental para restaurar a visão após a cirurgia de catarata congênita unilateral. Nem todo estrabismo, destaca, pode ser percebido pelos pais. Há casos em que a doença é latente e só pode ser notada nos testes de motilidade ocular feitos no consultório. Dores de cabeça e torcicolo frequentes podem indicar necessidade de consultar um oftalmologista para diagnosticar desvio latente do olho.


Sinais de problemas de visão - As dicas do oftalmologista para descobrir se a criança tem algum problema de visão que requer consulta imediata são:


Até 2 anos:


· Não reage a estímulos luminosos;


· Lacrimejamento excessivo;


· Falta de interesse pelo ambiente à sua volta;


· Olhos desviados para o nariz ou para fora;


· Reflexo luminoso na pupila;


· Pupila muito grande, de cor acinzentada ou opaca;


Dos três aos cinco anos:


· Desvio dos olhos;


· Quedas frequentes;


· Se aproxima muito da TV;


· Inclina a cabeça para um dos lados ou para um ombro;


· Vira um dos olhos para fora quando está distraída;


· Fecha um dos olhos em locais ensolarados;


· Coça os olhos, especialmente quando manipula o celular ou assiste TV;


· Queixa-se de visão dupla ou embaralhada;


No início da alfabetização:


· Faz careta ou franze a testa para enxergar;


· Cansaço nos olhos e dor de cabeça;


· Olhos vermelhos quando esforça a visão;


· Dificuldade para enxergar o que está escrito na lousa;


· Aproxima o rosto do caderno, livro ou celular;


· Baixo rendimento escolar;


· Desinteresse na sala de aula;


· Não participa de atividades esportivas;

· Tem dificuldade em distinguir ou combinar cores.


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