Artes Visuais

Intervenção artística em Londrina chama atenção nas ruas com caixa 'misteriosa'

22 jul 2026 às 15:33

Em um mundo cada vez mais acelerado e dominado pelas interações virtuais, uma intervenção artística tem provocado uma pausa poética no cotidiano de Londrina. O projeto TRANSmuteAR - Uma Exposição em Trânsito propõe um manifesto de "resistência e reexistência" através da arte, desafiando as percepções tradicionais sobre identidade, utilidade e espaço urbano.


A iniciativa, que nasceu originalmente em 2019 como uma performance de longa duração no Instagram, faz o seu salto mais ambicioso: materializar seu acervo digital e levá-lo diretamente para as ruas, invertendo a lógica convencional de que o público deve ir ao museu. Aqui, é a arte que vai ao encontro do cidadão.


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"O TRANSmuteAR começou como um exercício de transformação no encontro com a matéria que se apresenta. Diante do avanço do conservadorismo, o prefixo 'trans' surge como um gesto de movimento contra o que é estanque. Queremos provocar um reencantamento do espaço urbano, chamando a atenção de quem aprecia para o que está em torno, fora do mundo virtual e de si mesmo", afirma Paulo Barcellos, ator de teatro e cinema, diretor e idealizador do projeto.


Na prática, a exposição se viabiliza por meio de uma estrutura inovadora concebida por Barcellos e pelo premiado cenógrafo Gelson Amaral: o Cubo Expositivo. Trata-se de uma estrutura modularizada de 2m x 2m x 2m que, por fora, mimetiza um elemento comum da paisagem urbana — um quadrado fechado por tapumes que lembra uma grande caixa rústica de transporte.


No entanto, ao se aproximar desse corpo ‘estranho’, o público descobre frestas e orifícios posicionados em alturas variadas, planejados estrategicamente para incluir adultos, crianças e cadeirantes. Ao olhar nessas aberturas, o espectador é transportado para o interior da caixa, onde fotos performances de ‘mascaramentos efêmeros’ - criadas a partir da ressignificação de objetos banais e elementos da natureza - são projetadas simultaneamente nas quatro paredes.


"A concepção do Cubo foi pensada justamente para inverter a lógica tradicional da contemplação artística. Em vez de exigir que as pessoas se desloquem até um equipamento cultural formal, nós levamos a estrutura para onde a vida acontece. O contraste do exterior rústico com o interior poético e imersivo, gera um impacto visual e sensorial imediato", comenta o idealizador.


Multidisciplinaridade e Conexão Global


O grande diferencial e ineditismo do TRANSmuteAR reside na sua rica costura multidisciplinar e no seu caráter colaborativo internacional. A experiência visual das projeções é potencializada por uma edição de vídeo realizada pelo jornalista e cineasta Luciano Paschoal, que contrasta as imagens com o fluxo da cidade, e por uma ambientação sonora imersiva concebida por Rayra Costa. Para amarrar o conceito, a escritora Karen Debértolis foi convidada para produzir textos poéticos que criam um diálogo sensível entre palavras, sons e performances. Fernanda Magalhães assina a curadoria. 


O projeto também cruza fronteiras geográficas. Com o objetivo de expandir seu acervo - que já conta com mais de 600 obras -, a organização enviou cartas-convite multilíngues para 50 colaboradores em pelo menos 10 países. O resultado é um grande mural multicultural e digital focado no desejo de transformação e movimento.


Democratização e Impacto Local


Financiado pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura da Secretaria de Cultura) de Londrina, o projeto já passou por diversos pontos de grande circulação em Londrina, incluindo feiras livres (como as do Centro e dos Cinco Conjuntos), o Calçadão, o Zerão, o Mercado do Shangri-lá e a UEL (Universidade Estadual de Londrina). A estimativa é circular por esses locais em intervenções de três horas por ponto, impactando diretamente o cenário sociocultural da cidade.


Além de democratizar o acesso à arte contemporânea gratuita e descentralizar a cultura para além dos eixos tradicionais, o TRANSmuteAR movimenta diretamente a economia criativa local. Todo o processo produtivo — desde a construção do cubo cenográfico até a edição e curadoria — é executado por profissionais e empresas da própria cidade.


Ao utilizar o espaço público como suporte, o projeto reafirma o poder da arte como uma ferramenta essencial de comunicação e reflexão social. “Ele não apenas embeleza a rotina urbana, mas provoca o cidadão a se desconectar das telas virtuais por um instante para se reconectar consigo mesmo, com o outro e com a própria poesia que habita o cotidiano da cidade”, completa Paulo Barcellos.


A estreia do cubo expositivo aconteceu em junho, na Feira da Lua e a estrutura já ficou exposta no Aterro do Lago e no Calçadão, em frente ao Teatro Ouro Verde, na manhã do encerramento do Festival Internacional de Música de Londrina. 


As próximas aparições do cubo expositivo estão previstas para o dia 26, a partir das 9h30 na Feira Livre dos Cinco Conjuntos e no dia 02 de agosto no Zerão, das 13h às 16h. Em setembro, no dia 05, o Cubo Expositivo volta para o Calçadão, das 9h30 às 12h30, na altura do número 541 da Avenida Paraná.  O cronograma completo das intervenções prevista até dezembro pode ser acompanhado na página do projeto no Instagram: @trans.mute_ar


Ficha técnica:


"TRANSmuteAR"

_Projeto aprovado pelo PROMIC, programa de incentivo da Secretaria Municipal de Cultura_

Idealização: Paulo Barcellos

Curadoria: Fernanda Magalhães

Produção Executiva: Cristiane Resende

Texto Expográfico: Karen Debértolis

Edição de Vídeo: Luciano Paschoal

Ambientação Sonora: Rayra Costa

Cenografia: Gelson Amaral

Assessoria Técnica: Yan Maran

Assessoria de Imprensa: Janaína Ávila

Design Gráfico: Daniele Stegmann

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