11/08/20
29º/14ºLONDRINA
PUBLICIDADE
Finalista ao Prêmio Jabuti

Renato Forin fala sobre seu livro-CD, 'Samba de uma noite de Verão'

É da improvável mistura de Shakespeare e música popular brasileira que nasce a peça em cinco atos de Renato Forin Jr. "Samba de uma Noite de Verão" (2016, Editora Kan). O livro-CD, uma reescritura contemporânea do texto do dramaturgo inglês "Sonho de uma Noite de Verão", é um dos finalistas ao Prêmio Jabuti 2017, na categoria Adaptação.

Renato Forin nasceu em Ibiporã, mas cresceu em Londrina. "É a cidade que escolhi pra trabalhar, estudar e viver", explica. Além de dramaturgo, é jornalista e diretor teatral. Faz parte do grupo Agon de teatro.


O livro-CD foi lançado em 2016 pela Kan, editora londrinense. Foi distribuído nas escolas estaduais gratuitamente e em outras instituições ligadas à educação e à cultura. O objetivo é incentivar a leitura da dramaturgia e a audição da música popular entre os jovens.

Marika Sawaguti/Divulgação
Marika Sawaguti/Divulgação


A história se passa na Vila de Vera Cruz e em um bosque dos orixás, ao lado do cortiço da periferia. Na vila, um grupo de trabalhadores prepara uma apresentação da lenda indígena Tamba-Tajá. Enquanto isso, dois jovens casais vivem os conflitos do amor proibido.

Renato concedeu uma entrevista ao Portal Bonde, na qual explica o conceito da trama, as referências para conceber a história e a ideia de produzir um livro-CD. Confira abaixo.

Bonde: Do que se trata a história de "Samba de uma Noite de Verão"?
Renato Forin Jr.: Sempre digo que "Samba de Uma Noite de Verão" é uma metáfora da formação do Brasil. Obviamente, é uma leitura muito particular, mas acredito que a potência do país está na mistura, na amálgama, na miscigenação. Todas as correntes étnicas que se entrecruzaram neste território, a partir justamente dos cruzamentos de referências, produziram uma cultura visionária e diferente de todo o resto do mundo. O ponto mais visível - ou audível - desse rio subterrâneo que passou e que passa por nós é a música popular brasileira, reconhecida internacionalmente por sua qualidade e elegância. O livro vai por aí: trata-se de uma história que se passa em uma favela, a Vila de Vera Cruz, e ao mesmo tempo em um bosque adjacente a ela. Esta floresta é um espaço imaginário e arquetípico que se confronta e, ao mesmo tempo, convive com a realidade cotidiana da favela. A vila é habitada por gente de todo tipo, inclusive por personagens muito conhecidos por nossa "brasilidade" - do malandro sambista às lavadeiras, dos operários aos exploradores do suado dinheiro dos humildes. Já o bosque é povoado basicamente por orixás africanos e outros mitos lendários principalmente da cultura afro-brasileira. Está registrado no encontro destes dois mundos toda sorte de mistura brasileira: religiosa, cultural, étnica, dentre outras.

Como surgiu a ideia de fazer um livro-cd?
Trata-se de uma peça musical. E existem referências, o tempo todo no texto, a uma música popular brasileira, desde a música tradição, como Caymmi, Ary Barosso, até a música contemporânea, como Chico Buarque. Eu também elaborei algumas canções autorais, que estão neste texto da peça. E então, essas canções foram gravadas para que viessem em um CD encartado na contracapa do livro. A intenção, de fato, é de que as pessoas tenham uma fruição mais inteira dessa peça musical, para que possam ler o texto, imaginá-lo, mas que possam também ter acesso a essas canções que não conhecem por serem autorais. E este CD teve a direção musical da Sara Delallo e a participação de vários cantores de Londrina muito conhecidos, como a Gisele Silva, a Edna Aguiar, o Tonho Costa, a Joyce Cândido.

Além de Shakespeare , quais foram suas referências para conceber a história?
Ela nasceu como uma peça de teatro. No ano de 2008, eu era aluno da Escola Municipal de Teatro em Londrina e nós iríamos montar "Sonho de uma Noite de Verão", de Sheakspeare. Quando tive contato com essa peça naquela época, imediatamente vi ali, nesses personagens, nessa história, uma potência para se fazer uma reescritura brasileira, porque os seres fantásticos que o Sheakspeare usa, que são duendes, fadas e basicamente deuses da cultura grega, tinham paritários dentro da cultura africana, que eu já estudava na época, e dentro dos nossos seres fantásticos afro-brasileiros. Então, a minha reescritura foi feita adaptando esses seres que o Sheakspeare usa para a cultura afro-brasileira e para a nossa cultura brasileira também, típica e fruto dessa miscigenação.

O Jabuti, tradicionalmente, é um prêmio das grandes editoras. Para você, qual a importância de estar concorrendo com uma editora fora desse eixo?
A minha maior felicidade e satisfação ao saber que estava entre os dez finalistas ao Jabuti foi justamente pelo fato da projeção que uma indicação como está pode dar à arte e à cultura de Londrina e às produções do interior. Sabemos que as obras mais comentadas e vistas são aquelas do eixo Rio-São Paulo e as que estão na capital. O fato de não ser visto não significa que o que se produz no interior tenha qualidade inferior àquelas - pelo contrário. A cultura pulsa em Londrina, os artistas são interessantíssimos, temos escritores fabulosos. E isso está entranhado na vermelhidão dos nossos pés, é histórico. Os políticos e as políticas públicas, inclusive, precisam prestar muita atenção nisso para que não se perca o que já se conquistou na cidade - e foi muito. Só por meio de um programa de referência como o Promic [Programa Municipal de Incentivo à Cultura] foi possível publicar uma obra com essas características e fazer com que o nome da cidade figure na cena nacional e até internacional. O Jabuti é um prêmio seríssimo, o mais antigo do país, auditado por especialistas. As editores maiores dominam grande parte da fatia por produzirem mais, por terem maior rotatividade. Mas não deixa de ser simbólico quando as pequenas editoras, como a Kan, conseguem chegar lá. É um impulso para continuar trabalhando em uma área na qual o incentivo é tão minguado e em um país que não tem tradição de leitores. É sempre um gesto de resistência produzir arte por aqui.

Serviço:
Contato para compra: (43) 99979-3349
Preço: R$ 35 (Livro capa dura + CD)
Danilo Brandão - Redação Bonde
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Conteúdo relacionado:
Prêmio literário
Autor de Londrina conquista o terceiro lugar no Jabuti
Prêmio literário
Silviano Santiago, Marilena Chauí e Eva Furnari então entre vencedores do Jabuti
Continue lendo
Transfobia
Após fala polêmica, Marília Mendonça promete se retratar em live
11 AGO 2020 às 08h55
Multa pesada
Yahoo terá de pagar R$ 17,9 milhões à atriz Paula Burlamaqui
11 AGO 2020 às 08h46
Mente aberta
Anitta diz que troca de namorado como troca de roupas
10 AGO 2020 às 16h02
Positivo
Antonio Banderas afirma estar com Covid-19 em seu aniversário
10 AGO 2020 às 15h24
Família
Milton Nascimento recebe certidão de reconhecimento do filho adotivo e chora
10 AGO 2020 às 14h54
Trolou
Cantor Zé Felipe cai em pegadinha da namorada no dia dos pais
10 AGO 2020 às 11h48
Veja mais e a capa do canal
JORNAIS
Folha de Londrina
TELEVISÃO
MultiTV Cidades
OUTRAS EMPRESAS
Grafipress
RSS - Resolução máxima 1024x728 - () - Bonde - Todos os direitos reservados