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Aos 93 anos

Morre José Ramos Tinhorão, um dos maiores críticos da música brasileira

Folhapress
03 ago 2021 às 17:14
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O pesquisador musical José Ramos Tinhorão, um dos maiores críticos da música brasileira, morreu nesta terça-feira aos 93 anos. A notícia foi confirmada pela editora 34, que o publicava.

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Ele esteve internado por dois meses devido a problemas de saúde causados pela idade avançada. O velório acontecerá amanhã a partir das 10h, no Cemitério dos Protestantes, na rua Sergipe, até as 13h, quando será enterrado.

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Nascido em Santos, no estado de São Paulo, Tinhorão fez carreira como jornalista em veículos como a TV Globo, o Jornal do Brasil e a revista Veja. Rapidamente se consolidou como um dos principais teóricos da música popular brasileira e um repositório de histórias e documentos sobre o assunto.


Escreveu mais de 25 livros sobre música, entre eles "História Social da Música Popular Brasileira", "As Origens da Canção Urbana", "Os Sons que Vêm da Rua" e "O Samba Agora Vai: A Farsa da Música Popular no Exterior", um dos primeiros a projetar seu pensamento inquieto e provocador ao debate público.

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Suas opiniões ferozes, embebidas de visão ortodoxa e inspiração marxista, não cessavam de criar polêmicas -foi um crítico duro do tropicalismo e da bossa nova, por exemplo, que considerava música de inspiração americana, não de raiz brasileira. Não foram poucos seus desafetos ao longo da vida, entre eles Chico Buarque e Tom Jobim.


Seu acervo, com dezenas de milhares de itens, entre partituras, discos e revistas, pertence ao Instituto Moreira Salles há 20 anos.


Em entrevista a este jornal quando fez 90 anos, Tinhorão afirmou que era natural que fosse odiado pelos artistas que criticava. "O artista tem uma sensibilidade muito à flor da pele e não gosta de ser criticado. Não importa que quem o critique tenha razão."

Também afirmou que no Brasil não havia mais crítica cultural. "Primeiro, não existem críticos de música popular ou crítica sobre música popular. Existe o cara que dá notícia e louva conjuntos estrangeiros, que nunca vêm ao Brasil, mas que, quando vêm, ganham página inteira dos cadernos culturais."


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