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- Takuma Matsushita/CPB
Vem, recorde!

Com 21 ouros, Brasil já faz melhor campanha da história nas Paralimpíadas

03 set 2021 às 12:46
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Com as duas medalhas de ouro conquistadas nesta sexta-feira (3) nas Paralimpíadas de Tóquio, o Brasil chegou a 21 e igualou a marca de Londres-2012. Se ainda não pode dizer que estabeleceu um novo número recorde de ouros, a campanha já é a melhor da história.


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Na Inglaterra, foram 21 ouros, 14 pratas e 8 bronzes (43 no total), com a sétima posição no quadro de medalhas. Em Tóquio, a dois dias do fim dos Jogos, são 21 ouros, 14 pratas e 26 bronzes (61 no total), também na sétima posição até aqui.


O recorde absoluto de medalhas é do Rio-2016, com 72. Em casa, o Brasil ficou na oitava posição do quadro geral por causa do número mais baixo de ouros. Foram 14, com 29 pratas e 29 bronzes.


Um dos ouros desta sexta foi inédito, no torneio masculino de goalball, ao vencer a China. Thiago Paulino dos Santos também sagrou-se campeão no arremesso do peso classes F56/F57, prova que ainda teve Marco Aurélio Borges com o bronze.


Além dessas três medalhas, foram mais quatro no décimo dia de competições das Paralimpíadas de Tóquio. Luís Carlos Cardoso ficou com a prata na canoagem velocidade, na prova de 200 m do caiaque classe KL1. O nadador Wendell Belarmino levou o bronze nos 100 m borboleta S11, assim como João Victor Teixeira no lançamento do disco F37 e Silvana Fernandes no taekwondo K44 até 48 kg.


DESTAQUES DA CAMPANHA BRASILEIRA NESTA SEXTA


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Thiago Paulino conquista ouro e vê ídolo levar bronze


Thiago Paulino dos Santos, 35, conquistou o ouro no arremesso do peso classes F56/57 (para atletas com deficiências diversas que competem sentados) com a marca de 15,10 m, novo recorde dos Jogos. O bronze foi para outro brasileiro, Marco Aurélio Borges, 43, que arremessou o peso a 14,85 m, na melhor marca de sua vida. A prata ficou com o chinês Wu Guoshan, campeão paralímpico no Rio de Janeiro-2016, que fez a marca de 15 m.


Recordista mundial da prova, Thiago começou competindo no futsal, em Orlândia (SP), sua cidade natal.
Em 2010, sofreu um acidente de moto e teve que amputar a perna esquerda abaixo do joelho. O atleta tem como maiores ídolos Falcão (do futsal) e Marco Aurélio, seu adversário desta final. Foi o rival das Paralimpíadas, por sinal, quem o levou para o atletismo.


"Conheci o arremesso do peso através de vídeos do Marco Aurélio Borges. Quando vi, pensei: 'Um cara grande fazendo isso? Acho que também consigo'. Começou como uma brincadeira, só para ver como era. Acabou virando meu esporte. Quando fiz meu primeiro arremesso, me apaixonei. Nunca mais parei", contou em entrevista à Folha Vitória.


Na final desta sexta-feira (3), Thiago fez questão de cumprimentar o amigo. Ambos exibiram bandeiras do Brasil na comemoração pelas medalhas.


"Quero parabenizar o Marcão, que fez uma ótima prova. O chinês eu já esperava que viria forte. Foi uma competição de alto nível e eu não podia decepcionar. Estava muito preparado, treinamos bastante e fomos recompensados", afirmou Paulino, multicampeão mundial e pan-americano. "Perdi minha mãe no ano passado e ela queria muito me ver com o ouro. Então eu dedico essa medalha especialmente para ela", completou.


Além da parceria com Marco Aurélio, Thiago também mantém amizade com Falcão. Foi o jogador de futsal que o ajudou a comprar uma joelheira para sua prótese na perna em 2013. O craque tinha ouvido falar de Thiago quando jogou em Orlândia.


Título inédito no goalball


A seleção brasileira conquistou uma inédita medalha de ouro nesta sexta-feira (3), com a vitória sobre a China na decisão do torneio masculino de goalball das Paralimpíadas de Tóquio-2020, por 7 a 2
Os três jogadores titulares da equipe verde-amarela marcaram gols. Foram três de Leomon Moreno (dois deles em penalidades), três de Josemarcio, o Parazinho, e um de Romário.


Alex de Melo Sousa, Emerson da Silva e José Roberto Ferreira de Oliveira também integram a equipe campeã.


O Brasil já tinha uma medalha de prata (Londres-2012) e uma de bronze (Rio-2016) e agora consegue ir ao lugar mais alto do pódio pela primeira vez com uma campanha quase perfeita.


Na primeira fase foram três vitórias em quatro jogos -11 a 2 sobre a Lituânia, 10 a 4 contra a Argélia e 8 a 3 diante do Japão- e apenas uma derrota, 8 a 6 para os EUA.


No mata-mata, triunfos por 9 a 4 sobre a Turquia e novamente contra os lituanos, que defendiam o título de 2016, por 9 a 5, antes da decisão do ouro.


O goalball é o único esporte do programa paralímpico desenvolvido exclusivamente para pessoas com deficiência (no caso, visual), sem ser uma adaptação de uma modalidade convencional.


O objetivo é marcar gols arremessando uma bola para o outro lado da quadra, que tem as dimensões da de vôlei (9 m x 18 m). Três atletas de cada time atuam ao mesmo tempo como arremessadores e defensores. O arremesso deve ser rasteiro ou tocar pelo menos uma vez nas áreas obrigatórias antes de balançar as redes.


Para igualar a condição dos atletas, que podem ter diferentes graus de deficiência visual, todos atuam com vendas sobre os olhos. A percepção da bola, que tem guizos, é feita pela audição. Exceto após os gols e nas paradas, não pode haver barulho no ginásio. As linhas na quadra estimulam o tato para facilitar o senso de localização.


A Lituânia levou o bronze ao derrotar os EUA por 10 a 7. No torneio feminino, vencido pela Turquia, o Brasil terminou na quarta posição e adiou a conquista de uma medalha inédita. A prata foi dos EUA, e o bronze, do Japão.


Canoagem


Luís Carlos Cardoso, 36, conquistou a prata na canoagem velocidade, a segunda do país no esporte, que estreou nos Jogos em 2016 com bronze.


Ele foi o segundo colocado da final do caiaque 200 m classe KL1 (com uso apenas dos braços na remada), atrás do húngaro Peter Kiss. "Passa um filme na cabeça, todas as muitas vezes que eu pensei que não ia conseguir, o desgaste físico e psicológico. Finalmente chegou a minha vez", comemorou.


Ex-dançarino profissional, o atleta nascido em Picos (PI) teve uma infecção na medula em 2009 e perdeu os movimentos das pernas. Da dança, foi para a canoagem adaptada.


Taekwondo


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Silvana Fernandes, 22, foi dominante para vencer a disputa da medalha de bronze no taekwondo categoria até 58 kg classe K44 (atletas com amputação unilateral do braço). A brasileira superou a turca Gamze Gurdal nos três rounds e terminou a luta com vitória por 26 a 9.


Nascida em São Bento (PB), começou a carreira no atletismo, competindo no lançamento do dardo, em 2014. Quatro anos depois, mudou para o taekwondo, esporte que conheceu pela internet.


"Quando comecei no esporte, tinha como meta defender o Brasil. Mas, quando saiu a lista de provas dos Jogos Parapan-Americanos [de Lima, no Peru], minha classe no lançamento do dardo não estava. Aí, meu sonho de competir pelo Brasil acabou. Conheci, então, o taekwondo. Comecei a treinar e descobri que tinha potencial", contou a paraibana em entrevista à TV Correio.


A decisão foi das mais sábias. Ela estreou internacionalmente no Pan-Americano da modalidade, em Portland, nos Estados Unidos, em 2019. No mesmo ano, disputou o Parapan de Lima e ficou com o ouro.


Natação


Uma recuperação nas últimas braçadas deu a Wendell Belarmino a medalha de bronze nos 100 m borboleta classe S11 (atletas cegos).


Wendell virou os primeiros 50 metros na sétima posição e parecia distante da medalha até os últimos metros, mas sustentou seu ritmo enquanto os rivais diminuíram e assim conseguiu bater na terceira colocação, com o tempo de 1min05s20.


O brasileiro de 23 anos fechou a sua participação de estreia em Jogos Paralímpicos com três medalhas, uma de cada cor, já que também conquistou o ouro nos 50 m livre e foi prata no revezamento 4 x 100 m livre misto.


O Brasil encerrou sua campanha no esporte com 23 medalhas, um recorde. Foram 8 ouros, 5 pratas e 10 bronzes.


Atletismo


João Victor Teixeira conquistou a medalha de bronze no lançamento do disco da classe F37 (paralisados cerebrais andantes). Ele atingiu a marca de 51,86 m em sua penúltima tentativa e ficou com a terceira posição na prova. A medalha de ouro ficou com o paquistanês Haider Ali, com 55,26 m.


Ele teve um resultado positivo para a Covid-19 no último teste antes da viagem para o Japão e perdeu parte da aclimatação no país das Paralimpíadas. Ainda assim, conquistou duas medalhas de bronze no atletismo: além do lançamento do disco, também ficou em terceiro lugar no arremesso do peso.


Derrota no vôlei sentado leva à disputa de bronze


A seleção brasileira perdeu para os Estados Unidos por 3 sets a 0 (25/19, 25/11 e 25/23) na semifinal do torneio feminino de vôlei sentado.


As americanas são as atuais campeãs paralímpicas. No Rio-2016, a equipe nacional terminou na terceira posição.


O Brasil disputará a medalha de bronze novamente contra o Canadá. O jogo pelo terceiro lugar será neste sábado (4), às 4h30 (horário de Brasília).

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