14/04/21
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E aí??

Carbonara com tomate? Receita do NYT irrita italianos na internet

Pixabay
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O jornal americano The New York Times enfureceu internautas italianos ao publicar uma receita de spaghetti alla carbonara, um dos pratos mais tradicionais do país europeu, com molho de tomate.


A receita clássica leva ovo, queijo pecorino, papada de porco (guanciale) e pimenta do reino, mas o "NYT" acrescentou um ingrediente no mínimo inusitado para um molho à carbonara.

"Tomates podem não ser tradicionais no carbonara, mas eles dão um sabor brilhante a esse prato", diz um post publicado pelo jornal no Twitter, ignorando que já existe outra receita típica italiana bastante semelhante, o macarrão à amatriciana (que, além do tomate, leva vinho branco).

A versão de "carbonara" do New York Times substitui guanciale por bacon ("amplamente disponível e com um toque defumado") e pecorino por parmesão, enquanto o molho de tomate é acrescentado antes da mistura de ovo e queijo.

"Essa é a pior coisa que aconteceu com a Itália desde Super Mario Tennis", ironizou o comediante britânico James Felton. "Por favor, não. E se tiverem absolutamente de fazer, não chamem de carbonara, chamem de macarrão com molho de tomate, ovos e qualquer coisa que vocês colocam no lugar do guanciale", escreveu um internauta italiano.

"Não entendo porque americanos comem como se tivessem saúde pública universal. Colocar molho de tomate com ovo mexido é indigerível", escreveu outra italiana. "Por que fazer algo tão ofensivo e controverso, sabendo como somos orgulhosos e exigentes sobre nossa comida?", questionou outra internauta no Twitter.

Já outro usuário citou até a histórica chegada do robô Perseverance a Marte: "Vocês acabaram de pousar em Marte mas não conseguem entender uma receita tão simples".

DNA americano?

Curiosamente, a origem do spaghetti alla carbonara pode estar diretamente ligada aos Estados Unidos.

Segundo o livro "La carbonara perfetta - Origine ed evoluzione di un piatto culto" ("O carbonara perfeito: Origem e evolução de um prato culto", em tradução livre), da jornalista e escritora Eleonora Cozzella, a versão mais aceita pela crítica histórica diz que o prato surgiu de um encontro entre a tradição gastronômica do centro da Itália e a dos EIA.

Sua origem remontaria a 1942, quando o fisiologista americano Ancel Keys, teórico da dieta mediterrânea, inventou um alimento adequado para alimentar as tropas aliadas presentes em Roma na Segunda Guerra Mundial.

Sua ideia previa a adição de gema de ovo em pó e bacon ao espaguete, versão que evoluiria para o carbonara atual, que leva ovo, queijo pecorino e guanciale. A partir dos anos 1950, segundo Cozzella, o prato virou moda nos restaurantes romanos e se dividiu em dois perfis.

Um deles, mais popular, era feito com guanciale ou pancetta, queijo e ovo. O outro, mais "burguês", também contava com cebolas fritas e vinho branco. O primeiro, como mostrou a história gastronômica italiana, acabaria prevalecendo.

A receita foi citada pela primeira vez em um filme italiano de 1951, mas sua primeira versão escrita data de 1952, em um guia de bairro de Chicago, nos Estados Unidos.

A publicação americana, chamada "What's cooking on Chicago's Near North Side", cita uma receita usada por um restaurante italiano, o "Armando's", bastante semelhante à versão mais tradicional.

As únicas diferenças são o parmesão no lugar do pecorino e a pancetta em vez de guanciale, substituições que não incomodam os menos puristas.
Ansa Brasil
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