25/02/20
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Dúvidas

Confira mitos e verdades sobre a transmissão do vírus HIV

"Sou a dor da tortura / Uma nova ditadura / Terminal da loucura / Sou o vírus sem cura / Sou o HIV que você não vê / Você não me vê / Mas eu vejo você." Assim canta Rita Lee, em "O Gosto do Azedo", para retratar o medo generalizado que tomou conta das pessoas décadas atrás em relação ao HIV. No entanto, essa época já passou e é preciso visualizar a situação tal como ela se apresenta hoje, à luz de informações atualizadas. Assim, é urgente enterrar, de uma vez por todas, mitos que só reforçam o preconceito. Para este especial, elaboramos uma lista prática sobre mitos e verdades a respeito do vírus, com a ajuda dos médicos infectologistas Jan Walter Stegmann e Ana Cristina Medeiros Gurgel.

Saliva, suor e lágrimas transmitem HIV?

Não. O vírus é transmitido somente através de sangue e secreções genitais – sêmen, líquido vaginal e secreção retal. Saliva, suor e lágrimas não contêm vírus e, por isso, não podem transmiti-lo.

Então, é impossível contrair HIV pelo beijo de língua?
Como já foi dito, a saliva não transmite o vírus. Segundo Jan, só é possível a transmissão por beijo se a pessoa soropositiva apresentar uma lesão profunda e tiver sangue na boca e a outra também tiver ferimentos abertos e sangue fresco na boca. "É extremamente improvável e muito difícil estatisticamente de ocorrer." O "Caderno das Coisas Importantes", elaborado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), afirma categoricamente: "o beijo não passa Aids, a não ser que você tenha uma ferida aberta com exposição excessiva de sangue e a outra pessoa também, o que, convenhamos, é muito difícil".

Sexo oral transmite o vírus?
Sim, embora seja uma das práticas menos arriscadas. O risco de uma pessoa contrair HIV pelo sexo oral receptivo é de 1 em 10 mil, segundo Jan.

Quais são as práticas sexuais mais arriscadas?
De acordo com os Centros para Prevenção e Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, o risco de contrair o HIV varia de acordo com o tipo de exposição. Listando do mais para o menos arriscado: sexo anal receptivo, sexo anal insertivo, sexo vaginal receptivo, sexo vaginal insertivo. Para quem faz o sexo oral, o risco é considerado baixo. Cuspir, morder e compartilhar brinquedos sexuais possuem risco desprezível.

Lésbicas podem transmitir o vírus?
De acordo com Ana Cristina, sim. "Orientamos que mulheres que fazem sexo com mulheres se previnam, porque a gente sabe que, por menor que seja a quantidade de vírus presente na secreção vaginal, eles existem, então pode haver transmissão."

Se eu transar com uma pessoa soropositiva sem preservativo com certeza irei contrair o vírus?
Mito. Segundo Ana Cristina, tudo depende da quantidade de vírus que o soropositivo possui, assim como do tipo de exposição sexual. A médica reforçou a importância do uso do preservativo, mas é possível se expor sem camisinha e não contrair o vírus, como mostram as pesquisas que endossam a ideia do Indetectável = Intransmissível (I = I).

É possível transmitir o vírus por meio de alicates de unha?
É possível, mas improvável, porque o vírus HIV é extremamente frágil, de acordo com Jan. Seria necessário que o soropositivo se ferisse com o aparelho e, logo na sequência, outra pessoa também se ferisse, entrando em contato com o sangue fresco ali exposto. Por ser algo tão difícil de acontecer, outros médicos afirmam que não há risco algum, como Dráuzio Varella. Se o HIV é difícil de ser transmitido dessa maneira, o mesmo não acontece com as hepatites B e C: "é mais fácil transmitir hepatite porque é um vírus que pode ficar viável no alicate por dias", explicou Jan.

E tatuagem? É um vetor de transmissão?
Hoje, com os materiais descartáveis, ninguém vai contrair HIV fazendo tatuagem, garantiu Ana Cristina.

Posso contrair HIV se entrar em contato com sangue seco?
O vírus HIV é extremamente frágil, instável e depende de um organismo para sobreviver. "O vírus morre rapidamente fora do corpo, assim, sangue ressecado não transmite", esclareceu Jan.

Posso pegar HIV compartilhando sabonete?
Sabonete, toalha, talheres, assentos, vasos sanitários: nada disso transmite o vírus. A transmissão se dá, principalmente, por sexo desprotegido e sangue.

É verdade que quem tem HIV morre mais cedo?
Não. Segundo Ana Cristina, as pessoas com HIV não morrem mais cedo. "Hoje tem um estudo que mostra que quando se possui células de defesa CD4 em quantidade maior que 350, a expectativa média de vida é de 85 anos, igual à de qualquer pessoa soronegativa."

O tratamento causa muitos efeitos colaterais?
Nas palavras da médica, o tratamento hoje é uma "benção". "As drogas novas possuem quase nenhum efeito colateral."

É possível engravidar sem transmitir o vírus ao bebê?
Hoje, é possível engravidar naturalmente sem transmitir o vírus ao bebê, defendeu Ana Cristina. "Existe uma profilaxia que se faz na hora do parto e, além disso, tratando a mãe durante a gestação o risco da criança nascer soropositiva é menor do que 1%."

Ainda existe grupos de risco?
"Hoje a gente fala que todos nós estamos expostos a contrair o vírus, mas existem algumas profissões nas quais há maior exposição, como profissionais do sexo", comentou Ana Cristina.

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Informações corretas ajudam a combater o estigma social

Isabela Fleischmann/Redação Bonde
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