Nutrição

Azeite diminui a sensação de fome entre as refeições

31 dez 1969 às 21:33

Que o azeite, especialmente o extravirgem, é bom para a saúde todo mundo já sabe. A novidade agora são pesquisas que mostram que seu consumo ajuda a emagrecer.

A nutróloga e endocrinologista Valéria Goulart, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), conta que os estudos foram realizados na Universidade Yeshiva, em Nova York, e na Universidade Sapienza Roma, Itália, e publicadas na revista científica ''Cell Metabolism''. Em suma, constataram que o azeite evita a gula entre as refeições.


''Isso acontece porque o ácido oleico é convertido em oleoletanolamina (OEA), um hormônio derivado da gordura que regula a fome e o peso corporal, prolongando a saciedade e fazendo com que a pessoa tolere mais tempo entre uma refeição e outra'', resume.


A característica desse tipo de gordura, segundo a nutricionista Vilma Aguiar, de Londrina, é que é uma fonte de ácidos graxos Ômega 9, substância que combate processos inflamatórios, além de ajudar na absorção das vitaminas lipossolúveis A, D, E e K. Seu consumo regular estimula a produção de substâncias anti-inflamatórias, que ajudam a combater diabetes, obesidade e câncer.


Vilma explica que, quando a quantia ideal de ácidos graxos essenciais não é suprida através da alimentação, o organismo sofre de estresse oxidativo. Esse desequilíbrio nutricional, alerta, repercute no sistema imunológico, principalmente nos chamados mediadores pró-inflamatórios. Isso causa males como sobrepeso, obesidade e desnutrição, além de sintomas como fadiga crônica. ''A obesidade é considerada um processo inflamatório e isso fica nítido quando o paciente sente dor ao apertar a gordura'', ressalta Vilma.


''As chamadas doenças inflamatórias surgem como resposta a uma agressão feita ao organismo por meio de agentes externos, como uma alimentação inadequada e pobre em nutrientes'', explica a nutricionista Daniela Jobst, membro do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional. ''Estudos mostram que o consumo regular de azeite auxilia no tratamento dessas patologias.''


Mas, não significa que basta apenas emagrecer diminuindo a quantidade de calorias da alimentação. Segundo Vilma, é preciso nutrir o corpo, implementando alimentos ricos em determinadas substâncias, como o azeite é rico em ômega 9, para recuperar a saúde. ''Se o trabalho não for para desinflamar, vai ocorrer só a diminuição do volume de gordura. E, aí, a pessoa pode ficar magra, mas ainda assim ter doenças como diabetes e hipertensão'', alerta.


Vilma lembra ainda que quando não há nutrientes suficientes para manter o corpo funcionando, o fígado precisa resgatar outras fontes de energia. E quando esse órgão fica hiperativo atrai muito mais gordura como fonte energética, resultando em produção excessiva de bile e funcionando como uma barreira para a liberação de insulina. ''O resultado é a distensão abdominal'', diz.


Como a celulite não deixa de ser um processo inflamatório, resultado da gordura localizada e da má circulação, esse óleo do bem ajudaria também a minimizá-la.


Extravirgem evita barriga e previne câncer de mama


Outra notícia que causou frisson foi a que relaciona o consumo de azeite extravirgem à perda das medidas abdominais. Esse estudo foi realizado por cientistas da Espanha e Inglaterra, e publicado na revista ''Diabetes Care'', da Associação Americana de Diabetes. ''Chegaram à conclusão de que a ingestão de duas colheres de sopa dessa gordura monoinsaturada ajuda a evitar a formação da famosa barriguinha'', resume a nutróloga e endocrinologista Valéria Goulart, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).


Quer mais? Uma pesquisa da Universidade Northwestern, de Chicago, demonstrou que o azeite extravirgem ajuda na prevenção do câncer de mama. Estudiosos constataram que o ácido oleico neutralizou a atividade do gene HER-2 (Human Epidermal Growth Factor Receptor 2), que é uma proteína relacionada à divisão e crescimento da célula normal. Suas propriedades também estimularam a eficácia do medicamento contra câncer de mama, chamado herceptina, ajudando a prolongar a vida de diversas pacientes.


Segundo Valéria, o ácido oleico reforça a membrana das células, muda sua composição e contribui para regular os genes. ''Quem consome azeite de oliva mais de uma vez ao dia tem 25% menos riscos de desenvolver câncer de mama, também graças às concentrações de polifenóis e vitaminas A, D, K e E'', informa a especialista.

Para a nutróloga, o ideal é ingerir o azeite extravirgem in natura, acrescentando-o à comida ao final do preparo. Pode ser usado em cozimento, desde que no fogo brando e por pouco tempo. Isso porque, quando as gorduras são submetidas a temperaturas muito altas, desidratam-se e perdem qualidade.''


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