Quantas pessoas têm tempo de sentar à mesa tranquilamente para fazer uma refeição? Quem consegue parar um pouco mais para a sobremesa e o cafezinho? A pressa imposta no dia-a-dia tem afastado esses hábitos, ao mesmo tempo em que enraíza a cultura fast food (comida rápida), especialmente entre os jovens.
Segundo a nutricionista do Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição da Região Sudeste (Ensp/Fiocruz) Patrícia Dias Martins, tem havido no Brasil uma tendência à redução do consumo de alimentos com nutrientes importantes, como vitaminas, minerais e fibras. Este comportamento atinge principalmente os adolescentes. Em contrapartida, aumentou a ingestão de alimentos ricos em gorduras saturadas (salgadinhos fritos, batata-frita, preparações com maionese, creme de leite), gorduras trans (sorvetes cremosos e biscoitos recheados), açúcares simples (refrigerantes) e com alto valor calórico.
Outro hábito comum entre os adolescentes é o de pular refeições, como o café da manhã, ou mesmo substituir almoço e jantar por lanches pouco nutritivos. Essas e outras escolhas alimentares dos jovens sofrem influência dos grupos sociais nos quais estão inseridos, assim como o ato prazeroso em comer determinado alimento, a praticidade, a globalização na cultura alimentar, a realização de refeições fora de casa ou mesmo os desejos incentivados pela publicidade. "Os adolescentes são mais sensíveis a essas formas de mensagens, o que acaba refletindo nas suas escolhas alimentares", diz Patrícia Martins.
Ao associar o consumo dos alimentos a conquistas e vitórias, a publicidade ajuda a definir o cardápio. As peças publicitárias de fast food trabalham imagens e expressões que relacionam a alimentação a momentos de alegria e satisfação. Em geral, as refeições são feitas em grupos, de forma prática (sem precisar de talheres), em ambientes descontraídos e movimentados. Essa cultura da "refeição rápida" afeta a saúde quando seu consumo se torna freqüente.
Para Patrícia Martins, ainda é discreta a divulgação de informações sobre os riscos associados ao consumo excessivo de alimentos fast food, geralmente ricos em gorduras, açúcares e sódio. "Muitos adolescentes têm desenvolvido doenças que antigamente eram mais comumente vistas entre os adultos como a obesidade a hipertensão arterial." Para a nutricionista, são necessárias intervenções que busquem a promoção da saúde ainda nessa fase da vida, estimulando a mudança de hábitos.