Os hábitos são diversos no mundo moderno, mas as propriedades nutricionais do feijão continuam intactas e a queda no consumo por parte de milhares de famílias, pode sim comprometer a saúde dos envolvidos, caso as vitaminas e ferro dele não sejam compensadas. Esta é a conclusão da nutricionista Sila Mary Ferreira, chefe do departamento de Nutrição da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Sila Mary conta que o feijão apresenta quase todas as quantidades de aminoácidos para o crescimento das crianças e manutenção do organismo adulto. ''Deve-se comer uma concha pequena nas refeições, de preferência com arroz, uma combinação perfeita muito similar as proteínas da carne'', declara a especialista que ainda recomenda consumir também em saladas e preparar adequadamente para mininizar as perdas nutricionais inerentes ao cozimento. ''Se deixá-lo de molho, reutilize para outro alimento'', sugere.
Na fase infantil, o recomendado é o consumo do caldo e, contrariando o hábito de muitas mães, os grãos também. ''A partir dos seis meses de idade o consumo está liberado e os grãos fornecem mais energia e nutrientes que o caldo'', esclare Cláudia Choma Bettega Almeida, nutricionista e doutora em Tecnologia de Alimentos pela UFPR. A soja é uma boa substituta para os não amigos de feijão.
Além dos benefícios do ''casal perfeito'', o arroz é fonte de vitaminas do complexo B e o feijão é fonte de fibras solúveis que modulam os níveis da glicose sanguínea, regularizam o hábito intestinal e o ferro é melhor absorvido quando ele é consumido com alimentos fontes de vitamina C.
''O Curitibano é adepto ao feijão preto, mas também não resiste a um temperinho saboroso com outras variedades'', a conclusão é da chefe da cozinha do Bar Botequim, Inês Borges. Ela comanda o preparo de cinco pratos a base de feijões preto, carioca, branco e o de corda. O mais badalado é o rubacão, uma espécie de baião-de-dois com queijo, além da dobradinha com feijão branco e carnes. ''O público consome feijão em restaurante muito bem, mas precisa ter apelo, ser diferente daquele cozido em casa. Feijão é venda na certa.''
No Mercado Municipal de Curitiba, feijões incomuns à mesa, em oferta abundante, são os mais procurados. O atendente João Carlos Ribeiro, 33 anos de banca, destaca as variedades bolinha, amendoim e rosinha como campeãs de venda. ''Compramos direto do produtor e o consumidor fiel quer aquilo que não se encontra nas grandes redes''. Já Noel Balbino, com duas décadas de vendas, aponta a qualidade do produto oferecido no Mercado como um diferencial. ''Vendemos o ano todo e somos mais propensos ao sobe e desce de preços e quando ele cai, vendemos mais. Curitibano gosta de feijão e procura o Mercado Municipal pela variedade e o frescor do grãos''.