Nutrição

Hábitos saudáveis devem ser adquiridos em casa

31 dez 1969 às 21:33

Natasha, 9 anos, e Nikita, 6, aprenderam desde muito cedo a se alimentar de forma saudável. Em vez de sanduíches e batatinha frita acompanhados de refrigerante, elas preferem comida japonesa. Passados seis meses da Páscoa, os ovos de chocolate que ganharam de tios e avós ainda estão quase inteiros. Balas, bolachas recheadas, salgadinhos e outras guloseimas não fazem parte da dieta das meninas, que adoram comer frutas, legumes, verduras e cereais. ‘Comem jiló, quiabo, pepino azedo. Essas coisas que ninguém gosta’, observa a mãe delas, Giovana Torres Garcia.

O hábito alimentar das irmãs foi adquirido em casa, com a orientação dos pais. Giovana e Claudio Iurck contam que o segredo é não ter guloseimas em casa, e oferecer às crianças opções nutritivas como castanha, uva passa, tâmara e chás.


‘Quando tem um aniversário elas tomam refrigerante, comem brigadeiro, mas não muito. Acostumou o paladar’, explica Giovana. Quando o cardápio da escola tem alimentos com muito açúcar, as meninas levam de casa frutas e sucos para substituir pudins e achocolatados. ‘Não adianta querer mudar o mundo. Temos que nos adaptar sem criticar os outros’, avalia o pai.


Claudio conta que o casal já recebeu muitas críticas, inclusive por parte de familiares. ‘Foi muito mais difícil educar os avós e tios do que as crianças. A avó não cedia, não se conformava. Só depois de cinco, seis anos ela começou a ceder’, lembra Claudio, sobre a resistência de sua mãe quanto à educação alimentar que ele procurava dar às filhas. ‘Ela dizia: ‘Criei meus filhos assim, estão todos saudáveis. Você é muito radical’, conta Claudio.


O casal diz que sempre explicou para as filhas os benefícios de uma alimentação mais natural. ‘Não adianta tentar enganar com historinha boba. Se falar bobagem e perder a confiança vai demorar anos para recuperar. Tem que trabalhar sempre com a verdade’, explica Claudio.


Michele Müller também procura dar uma alimentação saudável ao filho Theo, de um ano e 11 meses, mas sem privá-lo de experimentar algumas guloseimas. ‘A gente consome chocolate, então ele come um pedacinho só e não fica pedindo mais. Só não pode substituir as refeições’, explica Michele, que é adepta da estratégia de apresentar frutas e verduras ao filho para despertar o interesse dele. ‘Tem que colocar sempre em contato. Não dá para se dar por vencido’, afirma.


Além da vitamina de frutas que Michele faz para o filho todos os dias pela manhã, ela conta que outra opção é misturar iogurte natural com frutas e açúcar mascavo em vez de comprar o iogurte aromatizado artificialmente.


‘Estou sempre atrás de dicas de como fazer uma comida mais saudável. Com os doces a criança fica momentaneamente contente, mas depois fica agitada. É importante que a alimentação seja completa para o bem-estar dele’, avalia a mãe.


Amanda Chang Chain, de 20 anos, cresceu em uma casa onde não entravam guloseimas. ‘Nós costumávamos ir à feira pegar bacias cheias de frutas para comer a semana inteira’, lembra Amanda, que ainda hoje mantém a alimentação saudável por questões de saúde e estética.


‘Nunca quebrei nenhum osso, cicatrizava muito rapidamente. Os sinais benéficos de uma alimentação saudável vão vindo com o tempo. Sinto até falta se tenho que comer fora muito tempo. O corpo pede uma verdura, uma fruta’, afirma Amanda.


O pai de Amanda, Aramis Chain diz que o maior obstáculo para dar uma alimentação saudável aos filhos é a pressão social. ‘Há um pouco de ideologia e um pouco de saúde. Me chamavam de fascista. A sociedade só passa o que vê nas comunicações globalizadas, não analisa’, observa.


Diante do resultado benéfico para a própria saúde, em função da alimentação saudável que sempre teve em casa, Amanda diz que pretende ensinar o mesmo aos filhos quando for mãe.

‘Vou me preocupar muito porque vejo que para mim foi fundamental. Não tenho problema de estômago, intestino, tenho uma boa estrutura óssea. Por mais que tivesse contato com coisas menos saudáveis, sabia a importância de comer alimentos mais naturais, de fazer uma refeição de fato’, conclui Amanda.


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