Nutrição

No inverno, chás aquecem e promovem saúde

03 jul 2009 às 12:26

Nada como uma bebida quentinha para aquecer o corpo em dias frios... O inverno ainda nem chegou, mas uma boa pedida são os chás que, além de aquecer, ainda têm propriedades terapêuticas. Optar por este tipo de bebida, informam especialistas, além de ser bom para a saúde, também é interessante para substituir opções mais calóricas como o capuccino e o chocolate quente, que podem resultar em quilos a mais no final da estação.

A enfermeira Lígia Fátima Simões, coordenadora do curso de pós-graduação em Fitoterapia Clínica do Instituto Brasileiro de Therapias e Ensino (Ibrate), de Curitiba, explica que o chás podem contribuir para a manutenção e a restauração da saúde de várias maneiras, seja hidratando, ajudando na eliminação de substância tóxicas ou pelos benefícios das plantas medicinais.


‘As plantas medicinais, sob a forma de chá, podem ser aliadas no combate a várias doenças ou sintomas, como, por exemplo, o chá de erva-doce, indicado para dores de cabeça, e o de camomila, como digestivo. O chá de alho pode ser usado como coadjuvante no controle da hipertensão arterial e o de melissa como calmante e indutor do sono’, ressalta a enfermeira Lígia Simões.


‘Hoje existem trabalhos científicos relacionando o uso de chás fitoterápicos na prevenção e no auxílio de tratamento de doenças. Como, por exemplo, o chá de pata de vaca, que tem compostos que ajudam no controle do diabetes’, explica a nutricionista Katia Tiemi Tookuni, especialista em fitoterapia, de Londrina.


É interessante lembrar, ressaltam as especialistas, que há horários mais indicados para tomar os chás. Os mais digestivos, como o hortelã, devem ser usados após as refeições. As ervas mais estimulantes, como canela e alecrim, pela manhã e à tarde. E, logicamente, aquelas que induzem ao sono, como a melissa, devem ser consumidas à noite. ‘Antes ou durante as refeições, deve-se evitar a ingestão de líquidos, inclusive os chás, por interferir no processo digestivo, salvo se houver indicação específica’, ensina Lígia. ‘Se o objetivo for terapêutico, cada chá tem uma orientação de horário, dosagem e frequência. Os chás tomados antes das refeições não tem o objetivo de reduzir a fome’, ressalta Katia.


A nutricionista explica que, com objetivo terapêutico, os chás devem ser consumidos com orientação de um especialista. E há casos que são contraindicados. ‘Os bebês, por exemplo, só podem receber chás após os seis meses de amamentação exclusiva com leite materno’, orienta Katia.


Para quem quer se aquecer no inverno e não aumentar o consumo calórico, os chás são ótima opção. ‘Principalmente aqueles aromáticos, como osde maçã, pêssego e outras frutas, são excelentes alternativas’, afirma Lígia.


Chás fitoterápicos


Saiba mais sobre as propriedades terapêuticas das principais ervas:


Hortelã: Tem princípios ativos que aumentam a produção e secreção biliar, facilitando a digestão de gorduras. Contém flavonóides que combate processos inflamatórios da mucosa intestinal. Deve ser usado por um mês, ou ter o uso interrompido após melhora dos sintomas. Modo de usar: duas colheres de chá de folhas para cada xícara de água fervente. Deixar de cinco a dez minutos em infusão, coar e tomar antes da refeição ou uma hora após.


Funcho: É rico em anetol que estimula as glândulas e a musculatura do tubo digestivo, causando aumento da salivação e da secreção pancreática. Ajuda no tratamento de cólicas e de soluços. Modo de usar: 10 gramas de sementes para um litro de água fervente. Deixar de cinco a dez minutos em infusão e coar. Tomar três a cinco xícaras por dia.


Espinheira-santa: É rica em potentes antioxidantes. Os taninos reduzem a acidez gástrica. Há trabalhos científicos que mostram melhora no tratamento da úlcera péptica. Modo de usar: duas colheres de chá de folhas para uma xícara de água fervente. Deixar de cinco a dez minutos em infusão, coar e beber pela manhã.


Cavalinha: Contém silício, potássio, flavonóides e compostos fenólicos. Os sais de silício auxiliam na formação de tecidos conjuntivos e cartilagem. Os flavonóides e sais de potássio têm efeito diurético. Na Alemanha foi aprovado uso contra inflamações das vias urinárias baixas e como diurético suave em casos de edema discreto ou pós-traumático e como cicatrizante de feridas. Não pode ser usado por pessoas com disfunção cardíaca ou renal. Modo de usar: duas colheres de chá da erva para uma xícara de água fervente. Deixar de cinco a dez minutos em infusão, coar e beber de 50 a 200 ml por dia.


Melissa: Tem efeito tranquilizante e indutor do sono. Modo de preparo: duas colheres de café de folhas secas para cada xícara de água. Deixar de cinco a dez minutos em infusão e coar. Tomar de duas a quatro xícaras por dia. Para um efeito sedativo pode ser usado duas a três colheres de chá de folhas para uma xícara de água


Camomila: Contém a apigenina, um dos flavonóides com efeitos ansiolíticos sem ação sedativa. Modo de usar: duas colheres de chá das flores para uma xícara de água. Deixar em infusão por cinco a dez minutos. Coar e tomar duas a três xícaras por dia nos intervalos das refeições. Deve ser usada com cautela por gestantes.


Gengibre: Contém vários princípios ativos que têm ação no sistema digestivo, nervoso central e cardiovascular. É indicado na dispepsia, cólica, enjoo, asma e reumatismo, por seu efeito anti-inflamatório. Modo de usar: a parte usada é a raiz (uma a duas gramas) que pode ser ralada (uma colher de chá) e acrescentada a água ou a outras bebidas.


Erva doce (Pimpinella anisium): Contém transanetol que facilita a digestão e alivia a flatulência e as cólicas intestinais. Modo de usar: 0,5g a um grama para uma xícara de água. Fazer na forma de infusão. Tomar uma hora após as refeições.

Fonte: Kátia Tiemi Tookuni, nutricionista especializada em Fitoterapia


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