Nutrição

O que o consumidor precisa saber sobre o leite

31 dez 1969 às 21:33

Quem resiste à graça de uma criança com um bigodinho de leite? Atrás de uma imagem tão singela, está um dos alimentos mais consumidos no mundo, principalmente por estar presente na vida do homem desde o nascimento. Se o primeiro contato com este alimento advém da mãe; para o decorrer da vida, a indústria responsabilizou-se em produzir tipos de leite que agradem aos gostos e necessidades mais diversos.

O Paraná produz 2 bilhões de litros e concentra 110 mil produtores. As bacias leiteiras mais significativas são as das regiões Oeste e Sudoeste do Estado. Estima-se que metade da produção é consumida internamente. O restante vai para exportação. O Brasil é o sexto maior produtor mundial de leite, produzindo cerca de 25 bilhões/ano, com crescimento anual entre 3% e 4%, e passou nos últimos anos de País importador para exportador, com grandes perspectivas de ser um dos mais importantes produtores de produtos lácteos, tanto para consumo interno, quanto para o mercado internacional.


No sentido de melhorar a qualidade ao leite, o governo editou a Instrução Normativa 51, que regulamenta técnicas sobre produção, identidade, qualidade, coleta e transporte. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste a IN 51 está em vigor desde julho de 2005. Nas demais localidades, desde julho de 2007.


A segurança alimentar para o leite funciona assim: no laticínio onde o leite é ordenhado, o produto passa pelo controle do técnico responsável pelo setor. a obrigação deste profissional é avaliar se o produto está dentro dos padrões de qualidade e especificações. O produto também passa por uma avaliação do Serviço de Inspeção Federal e Serviço de Inspeção Estadual. O leite da região Sul, segundo a Emater/PR, deve seguir o padrão de proteínas a 3,1%, gorgura 3,2%, celulas somáticas baixas e 750 mil unidades formadoras de colônia de bactérias por ml de leite.


Somente o leite comercializado em embalagens específicas que levam os selos de inspeção, podem ser considerados leites próprios para o consumo. O leite vendido de porta em porta, chamado de clandestino, sem nenhum tratamento térmico, pode provocar doenças por apresentarem grandes taxas de microorganismos.


O leite é isento de microrganismos quando é ordenhado de uma vaca sadia, mas o contato com equipamentos, com o homem e até mesmo com o meio ambiente, pode contaminar o produto. Assim, é preciso submeter o leite a um processo que garanta sua segurança para o consumo. Destes processos, os mais comumente aplicados ao leite de consumo são: a pasteurização,a ultrapasteurização e a esterilização.


Há três tipos principais da bebida, de acordo com a indústria de alimentos. Dependendo do processo utilizado para sua obtenção, podem ser: pasteurizado, UHT (ou em caixa) e o leite em pó.


A pasteurização é o processo utilizado para garantir ao consumidor um leite com baixíssimo risco de contaminação por microorganismos. O leite pasteurizado é aquele submetido ao tratamento térmico que consiste no aquecimento do leite à temperatura de 72 a 75 graus celsius por 15 a 20 segundos, e refrigeração à temperatura entre 2 e 5 grais celsius sendo envasado em seguida. A partir do procedimento utilizado para sua obtenção ainda na fazenda, o leite pasteurizado podem ser de três tipos: A, B e C.


O leite tipo A é ordenhado mecanicamente, pasteurizado e embalado na fazenda. As quantidades de microorganismos são bem pequenas. Já o tipo B que, preferencialmente, também é ordenhado de forma mecânica, é transportado até a indústria para que possa ser pasteurizado e embalado. O leite tipo C, assim como o B, é pasteurizado e embalado na indústria. Por permitir ordenha manual, contêm um número maior de microorganismos. Além disso, enquanto os outros tipos possuem quantidades superiores de gordura, o C tem o padrão mínimo de 3%.


Outro exemplo de leite é o UHT, mais conhecido pela denominação de longa vida e comercializado em caixa. Por conta do processo de ultrapasteurização, sua qualidade, em comparação com a bebida pasteurizada, é bem mais segura. A indústria também já disponibiliza o produto UHT em embalagens plásticas. Ambos modelos são expostos em prateleiras fora da geladeira e devem conter a especificação UHT nos rótulos.


O leite longa vida, algumas vezes, recebe a denominação ‘Leite Homogeneizado’. Tal expressão, quando na embalagem, indica que o leite longa vida passou pelo processo de chamado homogeinização. Através deste processo, a gordura do leite é uniformemente distribuida, evitando a formação da nata e a separação da gordura.


O leite longa vida é inspecionado pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura e quem responde pela qualidade do produto é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


No leite em pó, a maior parte da água de sua estrutura é elimidada, deixando, no máximo, valores em torno de 5%. O restante dos constituintes são proteínas, lactose, gorduras, sais minerais, entre outros. O leite em pó integral possui, no mínimo, 26% de gordura (peso). O leite em pó desnatado tem valor máximo de 1,5%. Segundo a nutricionista Cyntia, este tipo é mais indicado para levar em viagens para a alimentação de crianças porque evita de estragar devido ao acondicionamento incorreto. ‘Nunca deve-se carregar o produto já misturado e até um ano de idade’, propõe.


O consumo da bebida crua, ou seja sem nenhum processo de tratamento térmico, não pé recomendável. Tomar o ‘leite puro da fazenda’ trás riscos à saúde. Enfermidades transmitidas pelos alimentos, como: tuberculose, brucelose, salmonelose e bacteriose podem ser adquiridas por meio da ingestão desse leite não tratado.


Bebida láctea não deve ser confundida com leite. A primeira é derivada da segunda. A bebida láctea é feita a partir da adição de soro do próprio leite e possui baixos valores nutricionais em comparação ao leite integral.


O leite para crianças


Leite de vaca - É o mais barato entre os diversos tipos disponíveis. Deve ser consumido a partir de um ano de idade. Se necessário, o leite deve ser diluído em água e acrescido de uma farinha láctea ou mingau de farinha de trigo já cozido para facilitar a digestão. Pode provocar alergia alimentar e enorme desconforto aos intolerantes à lactose.


‘Leite’ de soja - É um produto isento de colesterol e excelente opção para crianças com intolerência à lactose. Deve ser consumido a partir de seis meses de idade. Pode causar alergia alimentar em crianças propensas. Observar a aceitação do produto pelo organismo da criança.


Leite de cabra - Possui 40% a mais de cálcio em comparação ao leite de vaca. É bem tolerado e com sabor agradável. É recomendável em qualquer idade. Por apresentar boa digestibilidade, pode ser consumido por crianças com refluxo. É o mais caro entre todos os tipos.


Leite desnatado - É contra indicado até os seis meses de idade, salvo em situações extremas. Crianças com obesidade e colesterol alto podem usar o produto mediante liberação médica após avaliação.


O leite é a principal fonte de cálcio para os seres humanos. A substância é a responsável pelo fortalecimento dos ossos. ‘É importante manter uma dieta com três de porções de leite diariamente. As variações queijo e iogurtes também contam’, afirma a nutricionista Cynthia Passoni. O leite contém muitas vitaminas, porém em pequenas quantidades. Entre as mais conhecidas estão A, B1, B2, B12 C e D. A falta de cálcio pode provocar a uma doença chamada osteoporose tanto em homens quanto mulheres.O exame de densiometria óssea pode avaliar se o organismo é propenso à enfermidade.


Entenda os leites funcionais


Comer quando se tem fome, é uma das melhores sensações da vida. No entanto, alimentar-se deve ser visto como um ato de contribuição ao melhoramento da saúde. Este novo conceito de nutrição, elevou os alimentos ao patamar de ''funcionais''. São chamados assim, aqueles, em cuja posição entraram substâncias capazes de reduzir os riscos de doenças e alterar funções metabólicas do corpo humano. Nesta categoria estão incluídos os alimentos que agem diretamente sobre algum tipo de patologia.


Saiba mais


Leite com ômega - Ômegas são ácidos graxos poliinsaturados que favorecem o desenvolvimento do sistema imunológico, a redução dos níveis de colesterol e triglicérides. O corpo humano não produz esta substância, que deve ser obtida por meio de dieta. Os Ômega 6 estão presentes principalmente nos óleos como o de soja e o de canola, já os Ômega 3 podem ser extraídos de peixes de água fria e vegetais.


Leite com lactose reduzida - Por apresentar baixo teor de lactose, é indicado aos intolerantes. O produto é encontrado em supermercados na embalagem longa vida (caixinha).


O indivíduos que possuem deficiência na produção da enzima lactase é considerado um intolerante à lactose. A enzima é a responsável pela quebra da lactose e consequentemente, a digestão dela. Sem este processo, o indivíduo passa por alguns desconfortos ao ingerir certas quantidades de leite como: flatulência, mal-estar e diarréia.


Leites enriquecidos


De acordo com a Portaria nº 31, de 13 de janeiro de 1998, da Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde:''Considera-se alimento fortificado/enriquecido todo alimento ao qual for adicionado um ou mais nutrientes essenciais contidos naturalmente ou não no alimento, com o objetivo de reforçar o seu valor nutritivo e/ou prevenir ou corrigir deficiência(s) demonstrada(s), em um ou mais nutrientes, na alimentação da população ou em grupos específicos da mesma''.

Hoje, encontram-se disponíveis no mercado, leites fortificados ou enriquecidos de diversos tipos (fibras, ferro, vitaminas, sais minerais). As diferentes concentrações destes nutrientes, assim como o teor de gordura do leite em que foram adicionados, variam de acordo com o fabricante.


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