Nutrição

Sem exageros, consumo de adoçantes é seguro

31 dez 1969 às 21:33

No dia 25 de março foi publicada no Diário Oficial da União a resolução que trata dos novos limites de dosagens para uso de dois dos mais conhecidos adoçantes artificiais utilizados no Brasil: a sacarina e o ciclamato. Além disso, foram aprovadas para o consumo três novas substâncias com poder adoçante muito superior ao açúcar em relação aos adoçantes até então conhecidos como é o caso da taumatina, que adoça 1300 a 3500 vezes mais que o açúcar cristal e refinado.

O efeito dos adoçantes nas dietas


"O grande vilão da obesidade e das dietas não é o açúcar em si, mas o consumo excessivo de produtos calóricos. Prova disso é a grande epidemia de obesidade e diabetes no mundo, com as pessoas usando adoçantes como nunca. O uso indiscriminado de adoçantes parece estar dando o aval para que as pessoas consumam mais alimentos e com eles, muito mais calorias", defende a endocrinologista Ellen Simone Paiva, diretora do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional.


A saída é procurar entender um pouco mais sobre os alimentos que consumimos, para que possamos usufruir das possibilidades alimentares que dispomos hoje, como, por exemplo, o grande avanço que foi a descoberta dos adoçantes. "As pessoas diabéticas se beneficiaram muito com a descoberta dos adoçantes. Além delas, as pessoas que desejam perder peso ou até manter o peso também foram beneficiadas, pois conseguiram reduzir bastante as calorias ingeridas durante o dia com a troca do açúcar pelo adoçante", diz a médica.


Quem está de dieta deve apenas ter o cuidado de não consumir alimentos em exagero com a falsa impressão de que por não conterem açúcar, estes podem ser consumidos livremente. "Esse é o maior equívoco das pessoas que consomem alimentos em maior volume simplesmente por que eles são light ou diet. Não entendem que uma barra de chocolate diet não contém açúcar, mas é tão calórica quanto uma barra normal, pois apesar de não ter açúcar, tem mais gordura", explica a endocrinologista.


É incontestável a maior versatilidade da dieta dos diabéticos após a descoberta dos adoçantes, mesmo com a maior flexibilidade no uso do açúcar na dieta desses pacientes. "Ninguém pode discordar da maior liberdade que uma criança diabética hoje tem em se integrar aos colegas numa festa de aniversário, bebendo refrigerantes lights ou diets e não se sentindo diferente ou doente. Não se trata de uma apologia ao uso de refrigerantes, balas, chocolates ou gomas de mascar. Guloseimas geralmente fazem parte da vida da maioria da esta decisão não é mais calcada pelo diabetes, é uma opção familiar ou da própria criança. Isso, por si só, já é um grande avanço", defende a médica, que tem Mestrado em Nutrição do Diabético.


Segurança no consumo dos adoçantes


As pessoas que usam adoçantes regularmente devem apenas observar as recomendações para não consumi-los em excesso. Ultrapassar estes limites é pouco provável. Um estudo bem atual (2006) acompanhou cerca de 500.000 pessoas durante 5 anos e analisou a ingestão de aspartame e o aparecimento de câncer cerebral e sangüíneo. A conclusão foi de que não há relação entre o consumo de aspartame e estes tipos de câncer. O aspartame é contra indicado apenas nos casos de uma doença genética rara chamada fenilcetonúria. Já a sacarina é proibida no Canadá e o ciclamato, nos Estados Unidos, já que pesquisas nestes países - com camundongos - constataram que eles aumentam o risco de câncer de bexiga. "É bom reforçar que esses dados não foram reproduzidos em humanos e a quantidade utilizada nos animais de laboratório ultrapassava, em muito, as doses recomendadas em humanos. Portanto, o importante é obedecermos às doses recomendadas", afirma a médica.


A questão do uso dos adoçantes e suas doses máximas permitidas no Brasil foi submetida à consulta pública por 60 dias em 2007 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, foi também tema de audiências públicas com representantes dos Ministérios da Agricultura e Saúde, comunidade acadêmica e setor produtivo. "O resultado foi uma redução nas doses máximas permitidas de dois dos adoçantes artificiais - ciclamato e sacarina - principalmente pelas suas concentrações em sódio, substância condenada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A partir de agora, as empresas têm três anos para adequarem seus produtos à nova regulamentação legal", afirma a endocrinologista.


Novos limites


O limite máximo de ciclamato, que era de 97 a 130mg caiu para 40 a 56mg a cada 100ml ou 100 gramas de alimento. Em relação à sacarina, este limite caiu de 22 a 30 mg para 10 a 15 mg por 100ml ou 100 gramas. Segundo o Comitê de Peritos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) o ciclamato pode ser utilizado de forma segura, dentro de um limite máximo de ingestão diária aceitável (IDA) de 11 mg por kg de peso corpóreo. Em relação à sacarina, esse limite máximo cai para 5 mg por kg de peso. Os outros adoçantes não sofreram alterações. Em resumo, temos o seguinte quadro:


1- Acessulfame-k - limite continua o mesmo de 26 a 36g/100 ml ou 100g - dose máxima permitida 15g/kg - muda apenas o limite para a goma de mascar (0,5g/100) e micropastilhas de sabor intenso (0,25g/100) - 130 a 200x mais doce do que o açúcar;


2- Aspartame - limite continua o mesmo de 56 a 75g/100ml ou 100g - dose máxima permitida 40mg/Kg - muda apenas o limite para a goma de mascar (1,0g/100) e micropastilhas de sabor intenso (0,6g/100) - 200x mais doce do que o açúcar;


3- Ciclamato - o limite cai de 97 a 130mg para 40 a 56mg/100ml ou 100g - dose máxima permitida 11mg/kg ? 30 a 50x mais doce do que o açúcar;


4- Sacarina - o limite cai de 22 a 30mg para 10 a 15mg/100ml ou 100g - dose máxima permitida 5mg/kg - 300 a 500x mais doce do que o açúcar;


Novos adoçantes artificiais

São três os novos adoçantes aprovados: a taumatina, o eritrol e o neotane. Eles são produzidos há muito tempo, mas seus altos custos inviabilizaram sua utilização em larga escala até o momento. Com a evolução dos métodos de fabricação houve uma conseqüente redução de preço, possibilitando seu uso em balas, gomas de mascar e outros alimentos. "Apesar de não termos nenhuma experiência com o uso dessas substâncias, sabemos que seu poder adoçante pode ser de até 3500 vezes maior do que o açúcar, que elas não têm o sabor residual que dificulta o consumo dos adoçantes e que podem ser consumidas pelos diabéticos, uma vez que não interferem na glicemia. Recebemos a notícia com a expectativa de ampliar as chances de nossos pacientes em suas buscas por alimentos mais saborosos e menos calóricos", conclui Ellen Paiva.
(Das agências)


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