Israel "Cachao" López, uma das figuras mais representativas da música cubana, morreu neste sábado (22) em Miami, aos 89 anos, vítima de uma doença renal, informou seu porta-voz.
Baixista e compositor excepcional é considerado um dos criadores do mambo, "Cachao" López nasceu em Havana, em 1918.
O falecimento ocorreu na madrugada do sábado, no Hospital de Coral Gables, após uma semana de complicações renais, disse o porta-voz Nelson Albareda.
"Cachao" obteve fama mundial a partir da década de 30, como um astro do mambo e do jazz latino.
Trajetória
Ao lado do irmão Orestes López, "Cachao" produziu inúmeros sucessos e conquistou dois prêmios Grammy, em 1995 e 2005, além de um Grammy Latino, em 2003, junto a outros dois grandes da música cubana, Bebo e Patato Valdez.
Aos 20 anos, "Cachao" escreveu uma canção com Orestes que chamou de "Mambo", mesclando a música cubana com um estilo afro, criando um ritmo mais lento que o corrente na Ilha, mas igualmente irresistível.
Hollywood se rendeu ao talento de "Cachao" e lhe deu uma estrela na Calçada da Fama. Em 1993, Andy García fez o documentário "Cachao... Como seu ritmo não há outro".
"Cachao" era tio e mestre de Orlando "Cachaíto" López, um dos astros do Buena Vista Social Club.
Emilio e Gloria Estefan, quem tiveram a ajuda de "Cachao" no ano passado no disco "90 Millas", farão uma homenagem ao músico, que será enterrado na quarta-feira, em Miami.
O mestre do mambo abandonou Cuba em 1962, três anos após a revolução de Fidel Castro chegar ao poder. Após uma breve passagem pela Espanha, "Cachao" chegou aos Estados Unidos, por Nova York, antes de ir para Las Vegas e finalmente a Miami, na década de 80, onde tocou com astros como Tito Puente e Gloria Estefan.
Quando sua carreira parecia encerrada e sobrevivia tocando em festas e casamentos, "Cachao" voltou à tona nos anos 90, com o boom da música latina nos Estados Unidos e a difusão do documentário de Andy García.
Revigorado, gravou novos álbuns, incluindo "Ahora sí" (2004), que lhe deu o último Grammy.