A causa da morte do ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez ainda permanece cercada de forte sigilo, com características que se assemelham a um "segredo de Estado". Segundo o chefe da guarda presidencial, general José Ornella, Hugo Chávez teria morrido de um ataque cardíaco.
O governo, porém, resiste em revelar informações detalhadas sobre o que de fato vitimou o líder venezuelano.
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Chávez enfrentou uma longa batalha contra um câncer. Foi tratado em Cuba e submetido a quatro operações. Após a última delas, teria tido uma infecção respiratória que agravou seu estado de saúde, segundo o ministro da Informação do país, Ernesto Villegas.
Para analistas, por trás da estratégia de não divulgar detalhadamente a causa da morte do líder venezuelano estaria a tentativa de evitar "oferecer ao inimigo" dados sensíveis que poderiam ser usados para "desestabilizar a causa bolivariana no país", como justificaram por mais de uma vez os porta-vozes oficiais.
Parada cardíaca
Na última terça-feira, em declarações à agência de notícias AP, Ornella, da guarda presidencial, afirmou que Chávez morreu por causa de "um enfarte fulminante". "Sofreu bastante. Nós que estávamos a seu lado...sofreu muito comm essa doença", disse, segundo a agência.
A BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, conversou com médicos para tentar esclarecer o que há por trás do sigilo sobre a doença presidencial. Segundo eles, a declaração de que Chávez morreu devido a 'uma parada cardíaca fulminante" não dá indicativos sobre qual era, de fato, a doença que o vitimou.
Fontes próximas ao governo venezuelano também acrescentaram à BBC Mundo que desconhecem as razões do governo para lançar mão do sigilo.
O governo, por outro lado, continua a reter detalhes sobre a morte do presidente. Funcionários chegaram, inclusive, a qualificar a atitude da oposição, que cobrou a divulgação das informações, de "mórbida" e de ser uma tentativa de ganhar popularidade em cima da morte de Chávez.
O último sacrifício
Na Venezuela, entretanto, a cobrança por mais informações parece não ter tanta importância entre os apoiadores de Chávez.
"Chávez mentiu para nos proteger", disse, em meio a lágrimas, a aposentada venezuelana Patricia, que segurava em suas mãos uma fotografia de Chávez sorridente, enquanto esperava sentada a passagem do cortejo fúnebre.
Segundo ela, Chávez, apesar da doença, decidiu candidatar-se à reeleição em outubro do ano passado para "evitar um retorno da direita ao poder". Em geral, para muitos dos seguidores do presidente, o líder venezuelano se "imolou" como um "último gesto de amor" por seu povo.
A morte de Chávez também deu lugar a teorias conspiratórias. Parte de seus apoiadores pediram, durante o funeral, que se esclarecesse o que consideram um "assassinato". Segundo eles, o câncer do presidente venezuelano teria sido induzido por "inimigos do regime", como chegou a aventar o vice-presidente do país, Nicolas Maduro.