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'Mais barato'

Hollande diz que Brasil queria avião menos sofisticado

Agência Estado
19 dez 2013 às 19:33

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Um dia depois de ser informado de que não seria contemplado pelo contrato de compra de 36 aviões de caça para a Força Aérea Brasileira (FAB), o governo da França afirmou que o Brasil "queria um avião menos sofisticado e mais barato". A declaração foi feita pelo presidente François Hollande, e referia-se à escolha dos aviões Saab Gripen NG em lugar do Dassault Rafale e do Boeing F-18.

Os comentários foram os primeiros feitos pelo chefe de Estado depois da decepção da perda do contrato, avaliado em cerca de US$ 4,5 bilhões para o vencedor, a sueca Saab. "Eu esperava por isso há vários meses", disse Hollande, argumentando: "Na verdade o Brasil queria um avião menos sofisticado e, portanto, mais barato, e não necessariamente para usar logo em seguida". "A partir disso, o Rafale não poderia estar bem posicionado, mesmo sendo um avião muito bom."

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A França ainda negocia com exclusividade - sem concorrência - a venda de seus caças para a Índia, em um contrato maior do que o brasileiro: 126 aviões e transferência de tecnologia irrestrita por US$ 15 bilhões. "Para que os Rafale fiquem mais baratos, é preciso que sejam vendidos", ponderou o presidente, reconhecendo que o preço do aparelho era mais alto do que o dos concorrentes.


Na mesma linha, o ministro da Defesa da França, Jean-Yves Le Drian, relativizou a perda para a indústria aeronáutica do país. "O Brasil não era nosso alvo prioritário", assegurou, reafirmando que o Rafale não era mais o favorito na disputa pelo FX-2 com a Boeing e a Saab.


A escolha do governo brasileiro repercutiu muito na França, nesta quinta-feira, 19, porque o negócio chegou a ser considerado fechado em 7 de Setembro de 2010, quando os então presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy anunciaram, em comunicado conjunto divulgado em Brasília, que os dois países negociariam em separado o contrato.


Parceria


Um dos responsáveis pela aproximação dos dois países ao longo dos últimos anos, o embaixador do Brasil em Paris, José Maurício Bustani, disse ao Estado que a Parceria Estratégica entre os dois países não foi abalada pela decisão do governo brasileiro. "As parcerias que estão em vigor estão caminhando lindamente, inclusive a construção dos submarinos e a dos helicópteros pela Eurocopter no Brasil", assegurou.

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Bustani desmentiu ainda os rumores de que haja problemas na construção dos submarinos pelo estaleiro francês DCNS, parceiro da Odebrecht no Brasil em um contrato de US$ 10 bilhões - duas vezes mais do que o valor dos caças - ou com os helicópteros Super Cougar, da Eurocopter, já adquiridos pelo governo brasileiro.


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