O coronel reformado Jorge Luiz Thais Martins, ex-comandante do Corpo dos Bombeiros do Paraná, foi indiciado por uma série de homicídios ocorridos entre agosto de 2010 e janeiro deste ano, no bairro Boqueirão, em Curitiba. Os inquéritos policiais foram concluídos no fim da semana passada pela Delegacia de Homicídios, que, apesar de apontar o coronel como autor dos crimes, não vai pedir a prisão do acusado. Os delegados responsáveis pela Delegacia de Homicídios devem dar uma entrevista coletiva esta semana para explicar as conclusões do processo.
No inquérito, que será encaminhado para o Ministério Público do Paraná (MP) nesta terça-feira (11), Martins é acusado de autor de nove homicídios, motivados por vingança da morte do filho, em outubro de 2009, em uma tentativa de assalto. Os ataques começaram logo depois que dois suspeitos pelo assassinato, que seriam usuários de drogas, foram postos em liberdade por falta de provas. As mortes aconteceram em cinco ataques distintos, sendo quatro duplos homicídios e um homicídio simples.
As investigações das mortes se arrastam há um ano e dois meses, mas as suspeitas sobre Martins só foram divulgadas em janeiro deste ano. Durante oi inquérito,a polícia ouviu mais de 30 pessoas. Entre as provas, estão o reconhecimento pessoal de testemunhas, que afirmam que Martins estava presente nos cinco ataques. O exame de balística também comprovou que os tiros partiram de uma mesma arma em pelo menos dois atentados ocorridos em janeiro deste ano. Nestes dois ataques, três pessoas foram assassinadas e outras três ficaram feridas.
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Já a defesa entregou à polícia uma série de fotos e vídeos que comprovariam que ele não estaria no local dos crimes. A defesa também entregou uma pistola .40 que seria de Martins à polícia, e que, segundo a perícia, não é mesma utilizada nos crimes.
Os crimes
O cel. Jorge Martins é acusado de pelos menos nove homicídios, que ocorreram entre 8 de agosto de 2010 e o início de 2011. Segundo as investigações, os crimes atribuídos a Martins obedecem a uma mesma dinâmica: foram cometidos na madrugada, muito próximos um do outro (na chamada "Favela da Rocinha"), e as vítimas eram usuários de entorpecentes ou estavam em pontos de consumo.
O local onde os crimes ocorreram fica perto do ponto onde o filho de Martins foi morto em uma tentativa de assalto, em outubro de 2009. Os ataques começaram semanas depois que dois suspeitos pelo assassinato do filho do coronel – e que seriam usuários de drogas – foram postos em liberdade por falta de provas.
As suspeitas começaram a recair sobre Martins após um duplo homicídio registrado no dia 10 de novembro de 2010, quando um homem que teria escapado desta tentativa de execução o apontou como responsável.