01/06/20
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Em Cornélio Procópio

Professor que matou diretor da UENP vai a júri popular

O juiz Ernani Scala Marchini, da Vara Criminal de Cornélio Procópio, no Norte Pioneiro, decidiu mandar a júri popular o professor Laurindo Panucci Filho, réu confesso da morte do ex-diretor do campus da UENP (Universidade do Norte do Paraná) do município. O crime aconteceu em 20 de dezembro do ano passado, quando o docente desferiu vários golpes de machadinha contra a vítima, atingida principalmente na cabeça. Ferreira até chegou a ser levado para a Santa Casa da cidade, mas morreu no hospital pelos graves ferimentos. O assassino foi preso por policiais civis em Teodoro Sampaio (SP), para onde fugiu após matar seu superior. Ainda não foi marcada data para o julgamento.

Arquivo FOLHA
Arquivo FOLHA


Na decisão, o magistrado manteve a conclusão do Ministério Público de que a morte foi praticada por meio cruel, motivo fútil por Panucci Filho não ter concordado com uma ordem do então diretor da universidade e também porque o ataque foi "súbito e dissimulado". Nesta semana, a defesa do professor tentou colocá-lo em liberdade e que ele usasse tornozeleira eletrônica, mas os pedidos foram negados pela Justiça. Ele foi transferido da cadeia de Cornélio Procópio e permanece na PEL 1 (Penitenciária Estadual de Londrina) em uma cela separada por ter curso superior.

Durante as audiências no Fórum, Laurindo Panucci Filho considerou o homicídio como "um equívoco". Explicou que "Sérgio Ferreira era seu melhor amigo na UENP", mas que "o diretor, no dia dos fatos, estava bem alterado. Pedi esclarecimentos sobre a advertência que havia recebido, mas ele (vítima) estava sarcástico e ríspido. O Sérgio viu a machadinha, me agarrou pelo braço e começou a torcer. Foi por isso que o objeto escapou e acertou a orelha dele, que continuou a avançar e até me deu um empurrão", disse.

A reportagem não conseguiu contato com o advogado Diego Fiori, que defende o professor. Já a defesa da família de Ferreira, representada pelo advogado Marcus Leandro Alcântara Genovezi, observou que "acredita fielmente que após a decisão de pronúncia o réu será julgado e condenado pelo tribunal do júri de Cornélio Procópio de modo exemplar pelo bárbaro crime cometido contra uma das pessoas mais estimadas pela comunidade procopense".

No final de março, Panucci Filho foi demitido oficialmente do serviço público. O decreto de exoneração foi assinado pelo governador Ratinho Júnior (PSD) depois que uma Comissão Processante optou pela demissão. Ele estava sem receber salário, R$ 6,8 mil por mês, desde a morte de Sérgio Ferreira.
Rafael Machado - Grupo Folha
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