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Nádia Val, durante ensaio do filme Diálogos - Divulgação - Meg Yamagute
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a short film about life

16 abr 2006 às 11:00
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"Film has lost its importance. In the 1960s, 1970s and early 1980s, movies counted. Because everyone was against the communist system, it was easy for us to tell stories the public understood, even during censorship. Now, the audience doesn't know what it wants to see, and we don't know what we want to say", Krzysztof Kieslowski, cineasta polonês, morto em 13 de março de 1996.

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na época do londrina em três movimentos, eu acreditava que fazer um filme era uma forma genuína de encontrar universos secretos, descobrir novas formas de olhar, uma nova forma de sentir. durante a produção de o quinto postulado, eu acreditava mais em uma certa condição... a de que fazer um filme não é fotografar a realidade, e sim, fotografar a fotografia da realidade, algo que kubrick costumava dizer na época em que rodou the shining. durante a produção do satori uso, eu estava convicto de que o cinema era o meio mais expressivo para se retratar um sentimento. agora, neste exato momento, em meio a produção de diálogos [nome ainda provisório], eu passo a acreditar que o único objetivo realmente digno do cinema seria reencontrar a vida.

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kieslowski morreu há pouco mais de dez anos. ele realmente encontrava a vida em seus filmes, assim como cassavetes, bergman, fellini, welles, kubrick e tarkovski. cada um à sua maneira. a alguns desses filmes, assistimos em uma espécie de contemplação amorosa, os admirando pelo pensamento. outros nos pegam fisicamente, arrancando entranhas - uma relação puramente epidérmica.


o cinema não está morto, nem vivo. sua condição é sempre fluida. pessoas criam filmes em sua mente diariamente, assim como pessoas vão ao cinema e se vêem em um auto-retrato impiedoso de si mesmas. a indústria tende a vencer, sempre. e o humanismo tende a resistir, sempre. aliás, esse é o seu papel. se o humanismo predominasse, não seríamos humanos. ele está aí justamente para nos lembrar do quanto somos frágeis, impacientes, indecisos, incompletos. nos lembrar de que viver é sem dúvida a maior experiência possível. e de que a arte pode, sob um aspecto mágico, sintetizar um pouco dessa atribulação contínua em duas horas sucessivas de imagens.

o cinema só pode ter essa função: nos lembrar de que somos frágeis enquanto vivos, e de que à medida que essa fragilidade aumenta, sabemos mais de nós mesmos e menos de tudo. nós ainda somos os maiores mistérios nos quais podemos nos aventurar. descobrir-se infinito é uma das mais graciosas limitações que ainda nos resta.


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