Pesquisar

Canais

Serviços

Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade

./Satori Uso por Jim Kleist

21 mar 2007 às 11:00
Continua depois da publicidade

Produzido pela Kinoarte [Instituto de Cinema e Vídeo de Londrina], com patrocínio da Prefeitura de Londrina via Promic [Programa Municipal de Incentivo à Cultura], o curta-metragem "Satori Uso" (BRA, fic, cor e p&b, 35mm, 2007), de Rodrigo Grota, é um "documentário" sobre a passagem do poeta japonês Satori Uso pela Londrina dos anos 50 sob a óptica do cineasta americano Jim Kleist. Detalhe: nem o poeta, nem o cineasta existiram – são figuras ficcionais.

Continua depois da publicidade
PUBLICIDADE

Estrelado por Rogério Ivano (Satori) e Caren Utino (Satine), o curta-metragem traz trechos de um filme inacabado de Kleist: Isolation, que teria sido rodado em Londrina em 1967, quando o cineasta americano esteve no Brasil. À época, Kleist integrava um grupo liderado pelo pintor americano Edward Hopper, que foi a São Paulo participar da Bienal Internacional de Artes. Kleist, aliás, se orgulhava de nunca ter completado um filme.

Continua depois da publicidade


./o cineasta


Nascido em 7 de maio de 1941, em Nova York, (na mesma semana em que estreou Citizen Kane, de Orson Welles), Kleist se tornou íntimo dos principais nomes da beat generation, o que incluía Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William Burroughs. O cineasta acreditava que terminar um filme era "lhe dar uma forma fixa, deixá-lo sem vida. O encanto só está no que é incompleto, está em fluxo". Conhecido no cenário underground de Nova York por filmes inspirados em músicas de Miles Davis, Bill Evans, e em um quadro do amigo Hopper, Kleist se suicidara em 1992, deixando seu espólio a cargo da Imaginary Pictures.


Em conversas com a turma da beat generation, Kleist teria conhecido Satori Uso, e se fascinado por tal poesia. Satori acabara de chegar do Brasil, precisamente de Londrina, Paraná. Tendo lançado o livro de poesias Nihonbashi Doji, pela Tokyo Press, em 1950, o poeta decidira que nunca mais iria publicar seus textos. Ainda sob o efeito de sua separação de Satine, sua musa inspiradora, Satori queria apenas se isolar do mundo, "retornar a uma certa origem, a um estado natural em que todas as coisas estão incompletas e contínuas", diz Kleist em maio de 1980, em entrevista concedida ao programa semanal Beat Poetry, da Road Sounds, uma rádio de Nova York.

Continua depois da publicidade


./o poeta


Apesar de toda a verossimilhança, Satori Uso não existiu. Trata-se de uma criação do poeta londrinense Rodrigo Garcia Lopes. Em 1986, responsável por uma coluna literária em um jornal local, Garcia Lopes publicou uma notícia biográfica a respeito do Satori, mencionando sua passagem por Londrina, ao lado de alguns haikus do autor. Á época, até Paulo Leminski chegou a ligar para Garcia Lopes pedindo que o amigo o apresentasse a Satori.


Em 2001, durante uma entrevista, Garcia Lopes apresentou a folha de jornal de 1986 a Rodrigo Grota, então repórter de um caderno cultural. No mesmo dia, Grota, que ainda não havia dirigido um filme, teve a idéia de realizar um documentário sobre este poeta que nunca existiu. Em 2005, com o projeto aprovado, Garcia Lopes e Grota produziram dois tratamentos do roteiro, que só ganhou sua versão final em janeiro de 2006, quando Grota criou o personagem de Jim Kleist.


./filmagens


Rodado em Londrina e em Assaí entre 5 e 12 de março de 2006, Satori Uso teve um custo aproximado de R$ 100 mil. Trata-se da primeira produção da Kinoarte em 35mm (formato padrão das salas de cinema), ONG que já havia produzido os filmes Londrina em Três Movimentos, Inimigo Público n.1 e O Quinto Postulado, entre outros.


A equipe do filme é formada, em sua maior parte, por londrinenses, exceção para o diretor de fotografia Carlos Ebert (O Bandido da Luz Vermelha), a atriz Caren Utino, e o eletricista Cícero Barbosa, todos radicados em São Paulo. De Londrina, além do diretor Rodrigo Grota, estão na equipe Bruno Gehring e Guilherme Peraro (diretores de produção e assistentes de direção), José de Aguiar (direção de arte e voz em off de Jim Kleist), Anderson Craveiro (1º assistente de direção de fotografia), Caio Julio Cesaro (co-produção executiva), Guilherme Baracat (finalização e projeto gráfico), Luciana Gadotti (figurinos), Mariana Soares (assistente de direção), Meg Yamagute (assistente de fotografia e still), Danilo Miranda, Eduardo C. Neto, e Paulo Yamagute (assistentes de fotografia), Lílian Manganaro (maquiagem), Leonardo Delai Lucas (assistente de direção de arte), Argel Medeiros (assistente de produção), Denize Cotrim (cabeleireira), e os atores Sérgio Leite e Mateus Moscheta. No elenco também estão Anderson Craveiro, Fábio Cavazotti, José Belaque Morandi e Priscila Grossi Campos. Além de diretor e co-roteirista, Grota também foi co-produtor executivo e editor do filme.


Rodado em boa parte em um sítio da família Viscardi, em Londrina, Satori Uso contou com apoio cultural do Café Itamaraty, Casa de Cultura da UEL - Divisão de Cinema e Vídeo, Kiberama Restaurante, Sebo Capricho, Grupo Paulo Pimentel e Supermercados Viscardi.


./trilogia

Com o filme Satori Uso, Rodrigo Grota dá início a uma série de três curtas sobre a Londrina dos anos 50, série que ele considera "uma espécie de trilogia do esquecimento". O segundo filme, inspirado pela passagem do jazzman americano Booker Pittman pela cidade, será rodado na segunda semana de agosto deste ano, também com produção da Kinoarte e patrocínio da Prefeitura de Londrina. O terceiro filme será sobre um personagem que ainda não pode ser revelado. Segundo o diretor, os três filmes serão em preto-e-branco e irão dialogar entre si.


Continue lendo

Últimas notícias

Publicidade