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Ulisses - James Joyce

22 jun 2004 às 11:00
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Eu não sei se gosto de James Joyce*. Não sei se algum leitor ou estudioso de suas obras, sobretudo "Ulysses" e "Finnegans Wake", gosta.

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Porque Joyce me incomoda. Joyce me instiga. E me provoca.

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Como não se sentir incomodado? Em pleno século XXI, mais de 80 anos depois do lançamento de Ulisses ainda não existe livro que o rivalizasse em questões de inovações formais. As técnicas criadas/aprimoradas por Joyce são ainda o que temos de mais "avançado" em literatura.


Ninguém foi além de Joyce até agora.

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Ulisses parece ser o fim do caminho. O livro chega mesmo a dispensar o narrador nos seus dois últimos capítulos.


Receita para ler o Ulisses:


Leitura Essencial


  • O Retrato do Artista Quando Jovem (J.Joyce)

  • A Odisséia (Homero)


Leitura Recomendada

  • Dublinenses (J.Joyce)

  • A Divina Comédia (Dante Aligheri)

  • Hamlet (Shakespeare)

  • todo o resto da obra de Shakespeare

  • a literatura inglesa escrita até Joyce


Some à leitura essencial uma dose de não imediatismo e grande interesse por questões de qualidade literária. Besunte a literatura recomendada com a busca por referências em doses constantes até aturar.


Deixe descansar (você) e comece de novo.


Por que tamanha dificuldade de leitura? A obra é inovadora, porém ruim, já que não se consegue ler?


Se só alguns conseguem ler, é óbvio que ela é elitista e o problema está com eles (leitores), a minoria.


Será?


Estamos sempre envoltos em cultura de massa, de assimilação rápida e fácil, de estrutura repetitiva. Então nos deparamos com um texto carregado de referências, inovador a cada capítulo, que não lhe permite a criação de uma base estável de compreensão.


Com um problema extra em português: a tradução pernóstica de Houaiss. Se a obra já é complicada por sua própria conta, o tradutor dá uma eruditada no texto todo, inclusive em trechos mais simples. Leia a primeira linha da tradução do Houaiss. Coragem irmão...


Resumão do Ulisses:


Leopold Bloom sai de casa para um enterro e irá percorrer Dublin durante um dia inteiro, visitando biblioteca, jornal, bordel e bares. No final ocorre o encontro com Stephen Dedalus, um jovem intelectual de Dublin. O livro "Retrato do Artista Quando Jovem", é o retrato de Stephen (Joyce?). O Sr. Bloom é o equivalente ao Ulisses (ou Odisseu), herói da "Odisséia" e Stephen, a Telêmaco, seu filho. Assim como na obra de Homero, o herói faz um grande caminho e retorna pra casa, reencontrando o filho, representado por Stephen.


Joyce incomoda por pedir uma atenção não convencional, por exigir uma sensibilidade de leitor que vai muito além do trivial.


Incomoda a ponto de você entender quase nada.
Quase.


Você fica com o sentimento de que tem algo ali que você quase entendeu. Que há muita coisa ali pra revirar.


E quando dá por si, não é mais uma questão de gostar ou não. É uma questão pra responder. Resposta cada vez mais completa a cada leitura, com uma pergunta cada vez mais díficil.

(*) Essa idéia eu empresto de Jacques Derrida em seu ensaio "Duas Palavras", sobre "Finnegans Wake".


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