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Memória de Minhas Putas Tristes - Gabriel García Márquez

02 set 2005 às 11:00
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Uma leitura rápida. Mas nada fútil e dispensável.

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Com uma diagramação amigável e um texto fluente, Memória de Minhas Putas Tristes é livro pra ser resolvido em uma tarde de domingo.

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A história é bastante simples: um homem, em seu aniversário de 90 anos resolve ter uma noite de amor louco com uma virgem.


Esse homem, que nunca tivera sexo sem pagar, resolve se presentear com esse pequeno capricho.

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Junta suas economias oriundas de colunas semanais a um jornal e de sua aposentadoria para pagar pela virgem.


Todos os elementos que poderiam montar um quadro desolador e triste funcionam como ponto de partida pra uma história otimista e de celebração da vida.


Peraí!


Otimismo e celebração da vida?


Literatura não é aquele tipo de coisa que tem que ser sombria, gótica, soturna, banhada em lágrimas de infelicidade pra ser boa?


Leia bem a pergunta anterior. Lembre-se que o romantismo byronista é do século XVIII - XIX.


É, acho que já deu tempo pra gente superar isso.


Não, ninguém aqui vai pregar a alegria de viver e o ensolarado céu de anil do meu Brasil. Mas porque pensar SOMENTE na banda podre da vida?


Ela existe, não a neguemos.


Mas é ótimo quando um García Márquez resolve mostrar um momento terno, simples e singelo da vida.


E mais: de uma vida próxima do seu término.


Numa posição oposta a de Ivan Ilitch (leiam, leiam!), esse personagem inominado não se arrepende de nada.


Lembra do que pôde passar e não se importa com que o que poderia ter feito ou sido. Em 90 anos de vida são tantas as experiências que pouco espaço resta ao lamento.


Uma narração segura, ornada de metáforas e imagens assustadoramente belas. Um texto de celebração da existência e da vida sim.


E não há problemas nisso. Pelo contrário. O drama não é melhor que a comédia. A denúncia não é mais importante que a celebração.


Alienação é ignorar parte dos elementos por conveniência.


Um texto leve (mas nada leviano) sobre um tema considerado pesado: pedofilia. Mas isso não passa pela cabeça do leitor enquanto percorre as páginas.


Talvez no sentido literal dos termos gregos: amor por meninos. Meninos, é claro, entendido como conjunto. Pois é exatamente isso.


A relação estabelecida entre o velho e a menina é de admiração e amor. Um amor verdadeiro e real, não de idealizações impossíveis.


Escrever uma história de amor que não seja piegas ou abarrotada de clichês é um exercício de grande autor.


É coisa pra um García Márquez da vida.


Dessa vida vivida, vívida. Não arrependida.


Simples: uma belíssima história contada perto do seu ponto final. Sem nenhuma mágoa por estar acabando.

Leituras Relacionadas: Cem Anos de Solidão (Gabriel García Márquez), Lolita (Vladmir Nabokov), Risíveis Amores (Milan Kundera) e A Morte de Ivan Ilitch (Leon Tolstoi).


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