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Edição de luxo reúne todas as histórias do personagem que chocou e inspirou com histórias de violência urbana sci-fi em arte hiperrealista
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Ranxerox, o punk dos quadrinhos

18 out 2010 às 15:32
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Curitiba- Se fosse uma banda, Ranxerox seria algo na linha dos primeiros dias do Stooges ou do Sex Pistols. Rebelde e provocador, o personagem tornou-se ícone nos quadrinhos ao questionar valores da sociedade e inspirou artistas de diversas áreas. Agora, a criação dos italianos Tamburini e Liberatore chega na íntegra ao Brasil em edição de luxo pela Conrad Editora.

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Rank Xerox nasceu em 1977, no auge do punk, e logo de cara já mostrou a que veio: suas primeiras e curtas ''aventuras'' mostravam a deturpação moral em pessoa, ou melhor, em robô com aspecto de um símio. Mutilação, sexo, pedofilia, assassinato, consumo de drogas... Todos tópicos politicamente incorretos, explorados de forma ultraviolenta em uma Roma futurista, nos traços e palavras do ilustrador e roteirista Stefano Tamburini.

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Pouco tempo após a criação, ganhou ainda mais a atenção na comunidade artística e arrebanhou milhares de fãs, especialmente com a entrada de Tanino Liberatore nos desenhos. Liberatore destacou com ilustrações hiperrealistas a ácida crítica aos yuppies e ao governo italiano em histórias com um fundo cyberpunk.


Especialista em anatomia, emprestou um verniz artístico que calou a boca de muitos críticos e elevou a controversa produção ao status de arte. Nesse período, já em 1980, o personagem precisou ter seu nome alterado de Rank Xerox para Ranx e Ranxerox devido a uma reclamação da famosa empresa de fotocopiadoras, alvo de Tamburini na concepção do brutamontes.

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Bem, Ranxerox é nada mais que um uma criatura cibernética desprovida do que a sociedade costuma chamar de sentimentos e moral de uma pessoa normal. Ele tem uma namorada de 12 anos, a junkie chamada Lubna, e simplesmente faz o que quer, como massacrar quem estiver enchendo seu saco em um metrô.


O personagem ajudou Tamburini e Liberatore a inspirar o underground europeu -e posteriormente mundial- com revistas como a ''Cannibale'' e a ''Frigidaire'', que trouxeram um pouco da aura beatnik e da contracultura de tempos anteriores. É possível encontrar resquícios do DNA de Ranxerox em role playing games cyberpunk, em filmes como ''Blade Runner'' ou ''Exterminador do Futuro'' e também em trabalhos de Oliver Stone e Quentin Tarantino.


Ranxerox teve uma curta carreira devido à morte precoce de seu criador, Tamburini, que em 1986, aos 31 anos, não resistiu a uma overdose de heroína. Foram apenas algumas pequenas histórias, em preto-e-branco, e outras quatro produções mais longas, sendo a última concluída com a ajuda do cineasta Alain Chabat, que continuou o último roteiro de Tamburini ao lado de Liberatore.

A Conrad caprichou em um formato grande e capa dura, uma edição de luxo que finalmente satisfez a vontade do editor Rogério de Campos de publicar por aqui a obra completa. Rogério já havia trazido Ranxerox para o Brasil na extinta revista ''Animal'' e o personagem também chegou a aparecer por aqui na versão nacional de ''Heavy Metal'', mas nunca na íntegra. O livro também traz uma introdução que resgata toda a importância das criações de Tamburini e Liberatore, além de outras pin-ups.



MUNDINHO ANIMAL


Há um novo selo interessado em publicar material nacional indie e quadrinhos que dificilmente seriam impressos por aqui há dez ou 15 anos. O Barba Negra, nascido de parceria com o conglomerado português LeYa, que chegou recentemente ao Brasil, apresenta uma das suas crias nesta quarta-feira (20/10), em Curitiba, com o lançamento de ''Mundinho Animal''. O encontro terá a participação do autor, Arnaldo Branco, e do editor S. Lobo.


O Barba Negra, idealizado por S. Lobo e pelo roteirista e designer gráfico Christiano Menezes -ambos parceiros em outros projetos, a exemplo de títulos da editora Desiderata, atualmente sob a chancela da Ediouro-, nasceu para explorar diferentes possibilidades nos quadrinhos, em um mercado crescente no Brasil. Além de ''Mundinho Animal'', o selo tem em seu catálogo trabalhos dos cartunistas Ota (''O Relatório OTA do Sexo'') e Jean Galvão (''Vó''); autores internacionais, a exemplo de David Small (''Stitches''), e projetos incomuns nesta seara, como adaptações de música de Erasmo Carlos e peças de Plínio Marcos e Mário Bortolotto.


''Mundinho Animal'', de Arnaldo Branco, conhecido por seu ''herói maconheiro'' Capitão Presença, tem em suas páginas uma coletânea das tirinhas que satirizam o mercado cultural brasileiro por meio de figuras antropomórficas. O autor destrincha as chatices do mundinho pop nacional sem papas na língua. O encontro terá um bate-papo com Arnaldo e Lobo sobre o selo Barba Negra e a produção nacional.



SERVIÇO


- ''Ranxerox'' tem capa dura e 192 páginas coloridas no formato 23,5 x 31,5 cm, a R$ 49,90. É impróprio para menores de 18 anos.


- ''Mundinho Animal'' tem com 128 páginas coloridas no formato 16 x 12cm e custa R$ 12,90. O lançamento em Curitiba terá as presenças do artistas Arnaldo Branco e do editor S. Lobo. Nesta quarta-feira (20/10), a partir das 19h, na Itiban Comic Shop (Av. Silva Jardim, 845), em Curitiba. Entrada franca.


O material citado acima pode ser encontrado em Curitiba na Itiban Comic Shop (Av. Silva Jardim, 845). O telefone de lá é (41) 3232-5367.


Acompanhe também meus textos no blog da revista IdeaFixa.


Twitter: @clangcomix

A maior parte dos textos publicados nesta coluna foi publicada na Folha de Londrina, tanto na versão impressa quanto na virtual.


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