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Rótulo em casca de banana

28 mai 2003 às 10:59
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Uma das coisas que se aprende quando o objetivo é qualidade de vida é ler rótulos de embalagens. Sim, sobretudo rótulo de comida, porque comer bem é fundamental para quem quer viver melhor.

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Eu aprendi a ler rótulos quando a indicação da validade da comida passou a ser obrigatória no Brasil. E se me recordo disso, você deve perceber que não faz muito tempo assim. Surpreende constatar que há poucos anos ainda pudéssemos comprar coisas estragadas no supermercado.

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Gradualmente, outros itens obrigatórios também foram acrescentados aos rótulos. Lembro que esta necessidade surgiu do descrédito do consumidor em relação aos itens artificiais que foram acrescentados aos alimentos. A ascensão dos rótulos surgiu da desconfiança de nossos pais de que comida boa era a comida feita em casa e de que os produtos industrializados e vendidos no supermercado eram pura enganação.


No entanto, a indústria alimentícia virou o jogo ao enriquecer alguns alimentos com vitaminas e ferro.Surgiram achocolatados, danoninhos, flocados, bolachas e amendocrens, que passaram a ser o supra-sumo da nutrição. Isto foi apenas o começo de uma transformação.


Pouco a pouco, nossa comida passava a ser cada vez mais refinada: milho, farinha, soja, arroz e açúcar. A indústria alimentícia retirou destes alimentos todo o seu valor nutricional, cheiro, sabor e cor; deu-lhes novos formatos, acrescentou-lhes aroma, corantes, estabilizantes, emulsificadores, vitaminas, sais, ferro e gordura vegetal hidrogenada; embalou-os em plásticos e papéis coloridos; e os revendeu remodelados nas prateleiras dos mercados. Estes alimentos se tornaram nutritivos e fortificados, como se o homem pudesse fortificar a Natureza depois de tê-la exaurido.

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Quando tudo ao redor passou a ser artificial, algumas empresas inteligentes perceberam o mercado de produtos naturais. Por incrível que pareça, ainda há muitas pessoas que preferem comer pão integral com manteiga em vez de cream craker com margarina. Isso deu origem a embalagens onde se lê "natural", "original" e "integral".


Se no começo desta história o rótulo servia para nos prevenir dos ingredientes artificiais, agora ele nos mostra quais alimentos são, de fato, naturais. É como se não pudéssemos mais acreditar que houvesse algo natural, nem se o víssemos com nossos próprios olhos. Se pegarmos uma caixa com suco de laranja, talvez lá dentro não haja apenas o suco da laranja; se tomarmos um chocolate para comer, talvez estejamos comendo gordura vegetal em vez de massa de cacau.


A evolução dos rótulos nos ensina muito sobre a maneira como passamos a nos alimentar (mal). Hoje é praticamente impossível manter uma alimentação 100% natural, 100% integral. Bem, não precisamos de radicalismos, mas precisamos nos acostumar a ler rótulos pelo menos para identificar, entre as diversas opções, aquelas mais saudáveis e naturais.


Em breve, haverá pessoas que não vão querer comer alimentos transgênicos, seja a soja - que já é transgênica em boa parte do Sul do Brasil -, seja a banana, que cogitam ser modificada. A esse respeito, recomendo a leitura do artigo de Ventura Barbeiro sobre Transgênicos no Relatório Alfa. Quando isso virar realidade, talvez vejamos a nossa banana da terra com um rótulo na casca que diz: banana natural.


Com carinho,

Shri Nitya Satyanarayana


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