A mudança de comportamento dos casais nas últimas décadas tem feito com que o modelo das famílias dessa geração tomasse outro formato. Com um ritmo de vida diferente, movido quase sempre pelo desejo de ascensão profissional, os filhos acabam ficando em segundo plano.
O resultado são grupos cada vez menores, que deixam mais distante a imagem das grandes famílias reunidas no almoço de domingo. Mas ainda há aquelas que resistam ao tempo e mantêm as tradições com a prole que se renova. São verdadeiros exemplos de união e causam admiração em quem não compartilha da mesma ‘fartura’ familiar.
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Reunir todos os membros parece uma tarefa difícil, mas não para a família Medeiros, que tem grande parte radicada em Lerroville. Vindo do Norte do país, Eustáquio Teotônio de Medeiros, já falecido, se casou com Maria Rita de Medeiros – hoje com 94 anos – e teve oito filhos. Daí, a conta já começa a se perder. Atualmente são vários netos, bisnetos e um tataraneto, e o sítio em que moravam, de quatro alqueires, hoje abriga alguns deles, que além de residência, virou reduto para as comemorações e confraternizações.
Um dos netos, Flademir de Medeiros, conta que seu pai, Francisco – filho de dona Maria – gostava muito de reunir toda a família. ‘Sempre que podia ele dava um jeito de realizar alguma comemoração. Ele gostava muito de fazer um forró. Agora, meu irmão que fica à frente da organização’, diz Flademir, que está no sítio com seus filhos e esposa. ‘Antes, fazíamos festa no Natal com todo mundo, mas com minha avó adoentada demos uma parada. No entanto, todos os anos fazemos uma festa junina. Na última, reunimos mais de 100 pessoas. Vieram parentes até do Rio Grande do Norte’, comentou.
Para reunir todos, eles lançam mão do trabalho de ‘formiguinha’. ‘Avisamos algumas pessoas que vão falando para outras. Nem dá tanto trabalho assim. Todo mundo já espera a festa e eles mesmos ligam só para confirmar’. Flademir conta que são dois dias de festa, com direito a quadrilha improvisada. ‘Todos se caracterizam, dançam e brincam a noite toda. O pessoal acaba nem dormindo, mas se ficam cansados, se ajeitam do jeito que dá.’
A família é tão animada e unida, que além das festas, quatro netos trabalham juntos. Quem gosta dessa relação é Floretilde, mãe de Flademir, viúva de Francisco. ‘É muito bom ter a família trabalhando e morando junta. Me sinto abençoada de ter uma família grande e ainda poder compartilhar da presença deles todos os dias’, revelou. Ela conta ainda que a capela, que ficou pronta poucos anos atrás, virou um motivo a mais para reunir os familiares. ‘Minha neta foi batizada aqui na capela do sítio recentemente. Foi uma linda cerimônia que acabou em festa e reunindo muita gente’, declarou.
No Natal, festa é na rua
João Mário Goes - Dona Cotinha e as filhas convivem com a casa sempre cheia. No Natal a festa reúne cerca de 80 pessoas
Há mais de quarenta anos em Londrina, a família de Maria Cardoso Calumby, carinhosamente chamada de dona Cotinha, aproveita todas as datas comemorativas para reunir todo mundo. ''No Natal, colocamos a mesa na rua sem saída em frente de casa e fazemos uma grande celebração. Ao todo, são umas 80 pessoas, entre família e agregados. Adoro a casa cheia'', diz ela, prestes a completar 80 anos.
A família também aproveita a data para celebrar o aniversário de Doroti, uma das filhas, no dia 25, que brinca dizendo que a data nunca passou em branco. Nem mesmo a família celebrou o Natal, e as filhas já programam a próxima reunião. ''O aniversário de 80 anos vai ser uma grande festa. Vamos alugar um sítio e chamar todos'', comenta Doroti.
Com seis irmãos, mãe de seis filhos, vó de dez netos e com um bisneto a caminho, dona Cotinha se orgulha da casa sempre movimentada. ''Não tem um dia que não vem gente aqui. Em dias de semana, preparo comida para, no mínimo, dez pessoas. No fim de semana, o número dobra facilmente'', diz ela, que tem dois de seus filhos morando nas ruas próximas à sua.
Acostumada desde pequena a se reunir com muitos parentes, dona Cotinha lembra das festas que o pai organizava. ''Desde aquela época meu pai gostava de juntar toda a família. Depois que me casei, continuei com o costume. Meus filhos cresceram com os primos, como irmãos. Até hoje, eu e minhas irmãs nos reunimos sempre.''
E quem pensa que tanta disposição fica atrelada somente às datas festivas, está enganado. Semanalmente, ela organiza um jogo de baralho com amigos e parentes. ''Ficamos jogando até tarde. Quando fico cansada vou dormir e o pessoal contina.''