Férias de julho. Seja na beira do lago, no campo, no playground, no prédio, na rua ou em casa, brincar é sinônimo de saúde, especialmente se a vontade das crianças é aproveitar todo segundo livre possível do recesso escolar.
Pais de João Felipe, de 3 anos, e Rafael, 1, os advogados Fabrício e Elaine Pereira estão sempre de olho nas brincadeiras dos pequenos. ''Moramos em prédio, então eles ficam mais dentro de casa; mas às vezes os levamos para a área de lazer do condomínio, para escorregar ou jogar bola na quadra'', conta Elaine.
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Para ela, a preocupação maior é com as escadas e a entrada e saída de carros do estacionamento. ''Eles estão sempre sob vigilância, mas caem bastante como qualquer criança na idade deles'', completa o pai, citando que os meninos nunca sofreram lesões graves nas brincadeiras. ''Eles fazem bagunça, mas somos cuidadosos'', resume o casal, que costuma levar os meninos para passear em suas motocas ao ar livre.
Nas últimas férias, Giovanni, 6, quebrou o braço jogando futebol de salão, seu esporte favorito. E pedalando há dois anos, ele ainda precisa do auxílio das rodinhas traseiras para não cair da bicicleta. ''Ele brinca sempre, mas nas férias é mais intenso e o risco é maior, por isso o acompanhamos de perto. Ele até já quer usar capacete para andar de bicicleta'', diz a pedagoga Alessandra Almondes, mãe do garoto. ''Estamos sempre de olho, supervisionando, mas sem proteger muito, deixando ele livre para brincar.''
Pedro Henrique, 9, anda de bicicleta desde os três anos e está acostumado a se proteger usando luvas e capacete ao sair para pedalar com o pai, o educador social Claudemir Zulin. E mesmo preferindo o computador, o garoto lembra que já quebrou o braço jogando bola. ''Equipamento de proteção é importante, mas também acompanho passo a passo os movimentos dele'', ensina o pai.
Proteção
De acordo com a ortopedista Adriana Prueter Pazin, especialista em ortopedia infantil, de modo geral aumentam as ocorrências de lesões do tipo entorse, torção, batida, corte, ralado, nas férias, ''especialmente no verão, que são mais longas, o tempo é bom e as crianças querem aproveitar os brinquedos do Dia das Crianças e de Natal'', justifica a médica.
Ela ressalta que traumas mais leves como ralados e entorses normalmente se resolvem em casa, mas entorses de tornozelo, com lesão de ligamento, e fraturas podem levar as crianças a perder as férias. ''Não tem muito como evitar, pois criança saudável vai brincar e correr riscos, mas os pais podem lembrar os filhos de que as férias têm uma duração e que eles não precisam ir com tanta sede ao pote, fazendo tudo num dia só'', sugere Adriana, recomendando ainda o uso de equipamento de proteção em atividades ao ar livre.
Problemas começam a surgir a partir dos quatro anos
A ortopedista Adriana Pazin lembra que até mesmo as crianças que passam muito tempo em frente ao computador, ao videogame e à televisão reclamam de dores nas costas. ''Nesse caso, o ideal é não deixar o filho muito tempo na tevê e fazê-lo brincar no quintal, na rua, para mexer o corpo.''
Ainda segundo Adriana, as lesões mais comuns entre os jovens são as fraturas de punho que resultam de quedas da bicicleta. ''Vale lembrar que uma fratura mais simples demora, no mínimo, três semanas para curar, enquanto outras mais graves podem deixar a criança até um mês parada.''
Observar regras de segurança dos brinquedos, manter um quintal seguro, cuidando de cercas, ralos, evitar deixar tapetes soltos e varais muito baixos completam as dicas da ortopedista para evitar lesões.
''Problemas começam a surgir a partir dos quatro anos de idade, mas são mais frequentes dos seis aos oito anos, quando as crianças experimentam o primeiro momento de liberdade. A saída é orientar o filho a ir de leve.''
Ela reforça que a atividade física deve fazer parte da rotina infantil desde o primeiro ano de vida da criança, assim o pai estimula no filho o gosto pelo esporte. ''E vale trocar de atividade até a criança encontrar aquela na qual é mais feliz. Também é importante que seja uma atividade lúdica, sem competição.''