Na década de 1980, o andador foi bastante usado e, por isso, condenado pela maioria dos pediatras sob a acusação de que o aparelho poderia provocar uma dissociação entre o equilíbrio e a marcha, retardando o desenvolvimento da coordenação motora das crianças. Porém, uma recente pesquisa realizada pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), mostra que o andador não traz prejuízos nem benefícios para o bebê.
Quarenta bebês com idade entre entre 8 e 9 meses de vida foram divididos em dois grupos (20 que usavam andador e 20 que não usavam). Todos foram acompanhados durante nove meses. Os pais receberam um diário onde marcavam o desenvolvimento do bebê no aparelho, o tempo e a forma de uso, assim como os acidentes provocados pelo aparelho. Em relação às duas primeiras questões, não houve nenhuma diferença entre os dois grupos e todos os bebês apresentaram desenvolvimento normal, aprendendo os movimentos corretamente e no tempo adequado.
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Mas se o andador não prejudica o bebê, por que a maioria dos pediatras é contra o uso do aparelho? Quem dá a resposta para esta pergunta é o ortopedista pediátrico do Hospital Orthomed Center, Celso Santos. "A sensação de liberdade que o andador oferece é ilusão. O andador não deixa a criança explorar adequadamente o espaço que está. Um simples objeto no chão e que desperte a atenção do bebê passa a se tornar algo inalcançável para o pequenino, pois o andador não oferece condições que ele pegue e conheça a peça. Acredito que este é o principal motivo pela desaprovação dos pediatras".
Outra restrição ao andador diz respeito ao alto número de acidentes que ele pode provocar, mas percebe-se que isso é consequência da negligência dos pais. "Independentemente do uso do andador, eles devem estar sempre atentos aos filhos nessa fase de exploração e descobertas", afirma Santos.
O médico Celso Santos ainda conta que, para os pais, os resultados da pesquisa ajudaram a eliminar uma grande dúvida. "Agora, eles se sentem mais seguros para escolher usar ou não o andador, assim como nós, profissionais, nos sentimos mais confiantes para recomendá-lo ou não".
*Celso Santos é ortopedista pediátrico do Hospital Orthomed Center, em Uberlândia, Minas Gerais, e membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica – SBOP e da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).