Boneca de pano, fantoche, cavalo-de-pau, carrinhos de madeira, jogos de tabuleiro, quebra-cabeça, lego. Numa época em que a tecnologia avança com velocidade espantosa, é comum encontrar crianças que nunca viram tais objetos. Existe uma parcela de pais, porém, que já contribui para a mudança desse cenário, levando para dentro de casa brinquedos educativos, ou seja, que valorizam a estimulação da inteligência, treinam diversas habilidades e permitem que a própria criança invente.
São brinquedos, geralmente, encontrados em lojas especializadas. Quem procura são pais preocupados em dar aos filhos uma educação diferente daquela focada no consumismo, nos modismos. Para esses consumidores, o foco não é quanto se gasta, mas como se gasta. Segundo a Associação Brasileira de Brinquedos Educativos (Abrine), muitos desses brinquedos são veículos que desenvolvem o imaginário e a criatividade, trazendo calma e entrega da criança a si mesma. Os principais materiais utilizados na confecção das peças são madeira, compensados, tecidos, metais, papel, papelão e fibras.
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Em uma loja do gênero, aberta há três anos em Londrina, há brinquedos para crianças a partir dos seis meses até a adolescência. Os preços vão de R$ 2,50 (um grilinho que pula) até R$ 195 (carrinho de rolimã ou casinha de boneca). A maioria fica entre R$ 25 e R$ 40.
''Muita gente vê os educativos como brinquedos que incentivam o aprendizado da escrita, da matemática. Já os nossos brinquedos contribuem para o desenvolvimento da criança a partir do lúdico, do desafio. A gente usa a boneca de pano, por exemplo, para trabalhar a afetividade, o contato, o relacionamento'', explica Denise Gentil, proprietária da loja.
Ela cita que muitos brinquedos não são, necessariamente, educativos, mas trazem uma série de conteúdos que a criança ''aprende e apreende''. É o caso das máscaras e fantasias, com as quais os pequenos podem enfrentar os seus próprios medos, sociabilizar-se, inventar histórias. ''Não trabalhamos, porém, com personagens de histórias constituídas. Em geral, são princesas (sem nomes) e animais'', ressalta Denise.
Ela destaca ainda os jogos de tabuleiros (dominó, jogo da memória), que propiciam o que computador não traz. ''A criança vai ficar cara a cara com seu opositor, discutir com ele, trabalhar a frustração, a vitória'', diz. Segundo Denise, quem não está acostumado a entrar numa loja de brinquedos educativos estranha algumas características, a começar pelas peças que têm pouca pintura e as embalagens que são do tamanho real dos brinquedos.
Em uma outra loja, que funciona há oito anos em Londrina, muitos brinquedos estão ligados a processos de aprendizagem. ''São jogos que levam a criança a aprender brincando, como por exemplo um dominó de alfabetização'', diz a gerente Lucimeire Petrassi, informando que há brinquedos a partir de R$ 14 até R$ 100 (um quebra-cabeça de cinco mil peças). A média de preços é de R$ 15.
Ela destaca também os brinquedos de montar e desmontar - a exemplo dos carrinhos de madeira -, que estimulam diversas habilidades da criança. O foco da loja, porém, não são só os pequenos. ''A faixa etária vai do zero aos 90 anos'', diz. Segundo a gerente, a maior parte dos clientes é composta de ''pessoas mais conscientes'', que se preocupam com o que os filhos brincam, incluindo pais de portadores de necessidades especiais, entre outros.
Mães destacam necessidade do consumo consciente
"Hoje os brinquedos da moda fazem o inimaginável. Então onde fica a criatividade da criança?’. Com esse pensamento, a dona de casa Rejane Bastos mudou radicalmente a forma de comprar brinquedos para os seus filhos e vem colhendo os resultados.‘Era imatura e consumista e comprava muitos brinquedos. Apesar disso, meu filho hoje é um jovem maduro e consciente. As pessoas não se dão conta de que educar é muito mais, é um benefício para o futuro. Para mim, a ficha caiu. E estou criando os meus outros filhos de forma diferente’, relata Rejane, que também é mãe de Pedro, 8, e Maria, 3.
Ela gasta, em média, quase R$ 200 por mês em brinquedos educativos para os filhos e para dar de presente aos amigos. ‘Hoje sei o que comprar. Meu filho de 8 anos nunca teve videogame e não entra na internet. Só vai entrar, quando tiver maturidade. Hoje ele brinca, por exemplo, de carrinho de rolimã’. Os benefícios dessa postura? ‘Crianças mais seguras, criativas, independentes e bem resolvidas’.
A jornalista Sílvia França também não abre mão dos brinquedos educativos para a filha Lia, 2, que adora seu teatrinho de dedoches (fantoches que encaixam nos dedos), seu pianinho, suas bonecas de pano, seu grilo que pula, seu ratinho de madeira com cabo alto para empurrar, entre outros. ‘Ela leva o ratinho para passear e quer dar banho nas bonecas de pano’, diverte-se a mãe.
‘Além da brincadeira, os educativos sempre trazem mensagens, informações, que vão gerando conhecimento e contribuindo para o desenvolvimento da criança’, completa Sílvia, que calcula gastar, em média, de R$ 60 a R$ 80 por mês na compra de brinquedos para Lia e para presentear filhos de amigos. Entre os benefícios, ela cita as associações que a filha costuma fazer em relação às diferenças de cores, formas, tamanhos. ‘Os educativos são os grandes responsáveis por isso’, diz.