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No lugar certo

Como ensinar a criança a ser organizada?

Thiago Nassif - Folha de Londrina
31 dez 1969 às 21:33

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Evandro Monteiro/Folha
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O quarto de seu filho é aquela bagunça? Os brinquedos estão pela casa inteira? Recebeu uma visita e, de repente, ao sentar no sofá, sentiu a miniatura do último desenho animado voar em seu colo? E qual mãe não passou por isso?

Na casa da empresária Keyla Vieira, a pequena Amanda, de 4 anos, não dispensa uma novidade: do pente da boneca x às presilhas e maquiagens da boneca y, a casa se transforma num salão de beleza.

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''Minha filha tem vocação para cabeleireira. São tantos testes, cabelos, tantas invenções com as bonecas que não sei de onde ela tira tanta criatividade, mas não reprimo, pois precisamos dar asas à imaginação das crianças'', comenta Keyla.


Na hora de guardar a bagunça, um suplício. ''Estipulo recompensas para ela ser organizada, mas nessa idade é difícil. Vamos mudar para um prédio que possui brinquedoteca e, até lá, acredito, minhas almofadas não vão mais cheirar tuti-fruti'', diverte-se.


Mãe do pequeno Luis Guilherme, de 2 anos e meio, a fisioterapeuta Ana Rosa Alves Strini afirma: o garoto é ''ligado no 220''. Para dar conta de tanta energia - e da posterior bagunça -, a fisioterapeuta lança mão de uma estratégia toda sua. ''Sempre procuro envolvê-lo para guardamos os brinquedos juntos: para ele poder pegar um novo item, ensino que primeiro deve guardar o antigo.''


Organizados conforme o tamanho, os brinquedos do garoto seguem uma escala: enquanto os maiores ficam dentro de um baú, os carrinhos pequenos vão para uma caixa de madeira e os demais - como bolinhas, bonecos e jogos - em outra recipiente.


''Sempre levo em conta a facilidade de visualizar os brinquedos e a organização, o que facilita encontrar o qual ele quer brincar e também ajuda na hora de guardar'', destaca Ana Rosa.


Fã de instrumentos musicais - como sanfona, bateria e as recentes aquisições (um violão e um microfone) -, Luis Guilherme tem os tipos de brincadeiras selecionadas pelos pais. ''Procuramos incentivar aquelas mais próprias para a sua idade. Em casa, eu e meu marido não gostamos de arminhas, filmes de luta e monstros. Somos adeptos dos carrinhos, bolas e demais brinquedos adequados para sua idade'', salienta a fisioterapeuta.


Ana Rosa procura ensinar ao primogênito conceitos de bons valores. ''É interessante a criança aprender desde cedo a ser desprendida e, como não temos muito espaço e não há a necessidade do acúmulo, sempre procuramos doar essas peças para as pessoas mais necessitadas'', conclui.


Bagunça arrumada


O dia-a-dia como mãe inspirou a publicitária e especialista em educação internacional Luiza Meyer a ir além: mineira de Belo Horizonte (MG), ela lançou o livro ''Bagunçado ou bem guardado?''.


Dedicado ao público infantil, o livro conta a história de Mariana, uma menina que, embora goste muito de brincar, não apresenta o mesmo entusiasmo na hora de arrumar seus brinquedos.


Para organizar o território minado e repleto de obstáculos que pode se converter o quarto de uma criança, Luiza recomenda, como primeiro passo, a cautela.


''Não podemos nos esquecer que a bagunça faz parte da infância. Quando escrevi esse livro, não tive a intenção de dizer que as crianças devem ser extremamente disciplinadas. Pelo contrário: meu interesse é que elas aprendam que o fato de elas serem organizadas pode ser uma coisa prazerosa'', argumenta.


Gritos e gestos impulsivos em nome da organização na bagunça, nem pensar. A brincadeira soa, segundo a autora, como trunfo dos mais eficazes. ''A organização, para as crianças, tem de passar pelas brincadeiras. Caso contrário, não vai funcionar, gerando traumas e demais problemas na vida adulta. Os pais devem participar e, principalmente, dar o exemplo.''


Perfeição, nem pensar


Na lista de dicas de como separar de lembrancinhas de aniversário a bolas de botão, a sustentabilidade é a melhor das lições, defende Luiza. Para evitar a frustração de um brinquedo sumido, as caixas de sapato são uma ótima alternativa.


Os pais devem ensinar seus filhos a separar os brinquedos conforme o tipo, criando de casinhas para bonecas a caixinhas para as miniaturas de jogadores de futebol. Esses compartimentos ajudam bastante na tão temida hora da procura e, quando confeccionados, servem como uma verdadeira aula de reciclagem e interação.


Como afirma em ''Bagunçado ou Bem Guardado'', os pais devem fugir das receitas e conceitos que visam a perfeição. ''Se uma criança arruma a cama de qualquer maneira, mas está fazendo seu melhor, não tem porque os pais desfazerem ou repreenderem. Isso desestimula e, principalmente, faz com que se afaste e perca a auto-estima.''


Partidária do ''abriu-fechou, acendeu-apagou'', a autora mineira considera a organização vital para a criança, futuramente jovem e adulta. ''É um hábito que, se adotado diariamente, faz toda a diferença no dia-a-dia de um estudante ou futuro profissional.''

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Para a psicóloga londrinense Fernanda Giglio Rossi, as noções de espaço e arrumação começam em casa. ''No princípio, os pais podem e devem ajudar seus filhos a organizar os brinquedos. Com o passar do tempo, esse jovem e futuro adulto terá a organização incutida, sabendo que lugar de lixo é no lixo e que a ordem conspira a favor das boas relações e do convívio'', afirma.


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