A primeira certeza que os pais devem ter é que o ciúmes manifestado por seu (s) filho (s) é na verdade um pedido de atenção que ele está dirigindo aos adultos. O ciúme é uma reação emocional ao sentimento de inveja ou ressentimento generalizado para a pessoa que se considera como rival.
Por que surgem os ciúmes?
O nascimento de um novo irmãozinho costuma ser a causa mais freqüente da rivalidade entre os irmãos. Diante do novo irmãozinho a criança sente que o mundo inteiro parece mover seu centro para outro ponto que já não é ele. Começa a acreditar que não lhe querem ou que lhe abandonaram, o que freqüentemente gera nela sentimentos de culpabilidade e baixa auto-estima. Esta culpabilidade se vê incrementada pelos sentimentos hostis que experimenta por seu irmão recém-nascido, que ele é consciente de que não são bons.
Sentimento de abandono
Nesta situação, a criança necessita ser duplamente querida e cuidada. Entretanto frequentemente os pais não são conscientes desta necessidade e tanto pais como familiares se maravilham das perfeições do recém-nascido esquecendo o mais velho e relegando-o ao lugar do "príncipe destronado". Isto faz com que a criança se ressinta e manifeste este ressentimento através das condutas antes mencionadas.
Os ciúmes também podem dar-se de um irmão menor para seu irmão maior. Isto ocorre com frequência quando o menor vê em seu irmão um "teto impossível de rebaixar". Quando o vê como um rival que sempre faz tudo melhor que ele.
Deste modo podem aparecer ciúmes quando o menor observa que seu irmão goza de certos "privilégios" que a ele lhe negam. Ante essa situação, o pequeno pode agarrar-se ainda mais à sua mãe e comportar-se como se não quisesse crescer, ou melhor, pelo contrário, proceder de forma agressiva e invejosa e manifestar uma atitude constante ao longo de sua vida de tentar superar aos demais.
Os favoritismos e preferências que os pais manifestam, freqüentemente de forma inconsciente, por um dos filhos pode dar origem a sentimentos de ciúmes nos outros irmãos. Do mesmo modo que, o incentivar a competição excessiva entre os irmãos pode favorecer a aparição de ciúmes.
Estudos indicam que os ciúmes surgem por volta dos 4 anos, quando a criança começa a perceber os "outros" como rivais.
Condutas de crianças ciumentas
1- Elas tendem a ter atitudes regressivas do tipo voltar a fazer xixi na cama, chupar o dedo, não comer sozinha. Fazem de tudo para chamar atenção dos pais por acreditar que perderam o afeto deles.
2- Em geral, apresentam um comportamento nervoso e agressivo. Usa do ataque para atriar a atenção dos adultos.
3- Seus sentimentos para com o novo irmão são freqüentemente contraditórios, uma mistura de amor e ódio: por um lado lhe quer bem mas por outro experimenta uma grande agressividade por ele.
4- A agressividade pode ser expressada de forma dissimulada. O ciumento ignora ou nega a presença do irmão. Abraça o irmão até machucar. Muitas vezes acaba agredindo indiretamente a mãe, esparramando pasta de dente no tapete, entre outras maldades.
5- Sempre fazem referência negativa em relação ao irmão, por exemplo, ao ver um cachorro ou uma bicicleta com outras crianças diz que o irmãozinho não tem e quer muito aquele tipo de animal ou brinquedo.
10 Dicas
1- Não faça comparações entre os irmãos
2- Permita a seu filho ser autônomo
3- Os elogios ajudam seu filho se sentir seguro
4- Dê a seu filho mais velho alguns "privilégios" pelo fato de ser maior: - deitar um pouco mais tarde; - ir com papai e mamãe a lugares que seu irmão não pode ir; - facilitar-lhe uma caixa onde possa guardar seu jogos sem que seu irmão os pegue.
5- Não deixar que a chegado do irmãozinho cause alterações significativas na vida do irmão mais velho
6- Não basta querer bem os filhos, é preciso demonstrar em atos seu sentimento
7- Não aplique castigo, esta atitude pode piorar a situação
8- Crie situações em que a criança vá se sentir bem junto ao irmãozinho
9- Valorize seu filho positivamente
10- Os pais não devem tomar partido nas pequenas brigas entre os irmãos. A intervenção deve ser feita apenas para afastá-los. Na
Fonte: Portal da Família - Extraído do livro "Como resolver situações cotidianas de seus filhos de 0 a 6 anos", Teresa Artola González, doutora em Psicologia pela Universidade Complutense de Madri.