Família

Convivência com avós facilita a educação das crianças

31 dez 1969 às 21:33

Quem é que não lembra com saudade da casa da avó, dos mimos e doces que ela oferecia? Este sentimento deve-se à paciência e carinho da mulher vivida, que enxergou nas crianças a oportunidade de manter-se eterna, de maneira insubstituível. O tempo que falta aos pais é seu maior aliado. Por isso, a avó é cada vez mais solicitada.

A confiança é o principal argumento dos pais que dividem a criação dos filhos com a mãe ou sogra. Conforme estudo realizado por cientistas da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, essa participação é altamente benéfica porque resulta em crianças mais felizes e ajustadas. O único problema é quando existe a confusão entre os papéis.


Na opinião da psicóloga londrinense Elsie Pereira da Silva, a solução neste caso é o diálogo que buscará o equilíbrio. ''Os pais devem educar, impor limites e transmitir valores morais. Aos avós, cabe a afetividade e a complementação da tarefa paterna'', explica. Esta participação é especialmente importante em experiências traumáticas como, por exemplo, o divórcio dos pais. Segundo Eirini Flouri, do Instituto de Educação de Londres, nesta situação eles podem oferecer conforto aos netos e estabilidade à família.


De acordo com reportagem da BBC Brasil, os pesquisadores ingleses acompanharam mais de 1,5 mil crianças e adolescentes, entre 11 e 16 anos, cujos avós substituíam os pais na realização de algumas incumbências diárias. Eles observaram que os avós foram valiosos ao ajudar na superação de dificuldades como a implicância de colegas da escola, aconselhamento sobre a melhor universidade e planos para o futuro.


Para Neuza Maria da Silva, 61 anos, neto é mais que filho porque o sentimento é mais intenso. Ela afirma que é difícil resistir aos apelos das crianças, e muitas vezes atende suas vontades. ''É uma fase da vida. Com o passar do tempo, eles entenderão que é preciso haver limites'', argumenta Neuza, que cuida dos netos Erik e Amanda.


A professora universitária Cleide Vitor Mussini Batista divide a mesma opinião, baseada em experiência própria. Da avó, ela recorda-se dos bolinhos de arroz com feijão e do avô, as histórias de família. ''Acho isso maravilhoso. Infelizmente, o tempo passa rápido. Quando nos tornamos adultos é que percebemos a riqueza dessa convivência'', diz Cleide, que confia o casal de filhos aos cuidados da mãe.


O segredo para evitar os conflitos na educação compartilhada é a padronização de regras e comportamento. Segundo o operador de telemarketing Marcos Vinicius de Carvalho e a mãe Eloyna Silvestre de Carvalho, existe um pacto inconsciente entre eles para garantir a mesma rotina em ambas casas. Giulia, de três anos, passa o dia inteiro com a avó desde que a mãe saiu da licença maternidade. Na opinião de Eloyna, a diferença é o tempo que os mais velhos dispõem para brincar e aconchegar os pequeninos.

''Às vezes ela chega perto de mim quando estou cozinhando e pede um abraço. Em outros momentos ela quer que eu pare tudo para jogar bolinha na sala. Esses pedidos eu nunca recuso. Porém, quando o pai ou a mãe a colocam de castigo no cantinho por um minuto eu fico firme e não passo a mão na cabeça dela. Não quero criar problemas para eles quando estiverem sozinhos com a Giulia'', explica a dona de casa.


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