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Crianças podem ter convulsões com o uso de cânfora

Redação Bonde
31 dez 1969 às 21:33

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Reprodução
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A cânfora, substância com forte odor aromático, deve der usada com cautela. O uso inadequado deste produto pode causar convulsões em crianças pequenas. Pesquisadores americanos dizem que as crianças são mais vulneráveis aos efeitos tóxicos da cânfora que é facilmente absorvida através da pele e das membranas mucosas.

Desde 1982, os Estados Unidos proibiram o uso de cânfora em produtos para gripes e resfriados a menos de 11% da fórmula. A farmacêutica bioquímica e tutora do Portal Educação, Jeana Escher, explica que a cânfora é obtida da madeira de Cinnamoum camphora ou sinteticamente nos laboratórios.

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"Ela é aplicada topicamente na pele como antisséptico, anti-reumática e tem uma ação anestésica local", afirma Jeana e ainda complementa que a cânfora é amplamente utilizada em dores musculares. "Várias preparações farmacêuticas possuem cânfora em sua formulação, como, por exemplo, em gel ou óleo de massagem", destaca a farmacêutica.

Os estudiosos afirmam que a toxicidade associada ao uso da cânfora na comunidade e o uso de produtos com a substância vendida ilegalmente, são uma importante questão de saúde pública.

A fisioterapeuta e tutora do Portal Educação, Tatiana Leme, ressalta que é importante alertar os pais para que eles possam detectar os sinais de convulsão com rapidez. "Um conselho significativo é tentar manter a tranquilidade. As crises convulsivas, apesar de apresentarem uma aparência feia, muitas vezes são solucionadas de modo tranquilo, cessando espontaneamente em alguns minutos", explica a tutora e ainda alerta que os pais não devem colocar nenhum objeto na boca da criança ou oferecer líquidos.

Vias respiratórias

Depois que uma criança de 18 meses chegou a um hospital nos Estados Unidos com um grave desconforto respiratório por ter usado uma pomada à base de cânfora sob o nariz, pesquisadores do Wake Forest University Baptist Medical Center, na Carolina do Norte, decidiram investigar se havia riscos no uso do produto. Eles analisaram a pomada em furões, animais que, segundo eles, têm a fisiologia das vias respiratórias semelhante a dos seres humanos. O resultado sugere que esses produtos podem aumentar a secreção do muco nasal, além de inflamar as vias respiratórias.

Numa reportagem da revista Crescer, vários especialistas brasileiros foram unânimes em dizer que os produto não é um medicamento, nem uma indicação médica como descongestionante. "As substâncias contidas no Vick [mentol, cânfora e óleo de eucalipto] são irritantes para as vias aéreas, por isso produzem mais muco, principalmente em crianças com problemas respiratórios, como a asma", diz Dirceu Solé, pediatra e presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia. Segundo o especialista, não há estudos que comprovem cientificamente o benefício dos componentes da pomada.

Até 1 ano e meio, diz Solé, não há descongestionante seguro. "A única indicação para todas as idades que ajuda a expectorar é a hidratação", diz Eliane Henriques Moreira Alfani, pneumologista infantil do Hospital São Luiz (SP). A especialista ensina duas formas para os pais fazerem isso em casa. Uma delas é usar o soro fisiológico na inalação ou lavando as narinas com o produto. A outra é oferecer muito líquido para a criança.

Em nota à imprensa, a Procter & Gamble, fabricante do Vick VapoRub, enfatiza que, assim como consta no rótulo da pomada, ela não deve ser usada em crianças menores de 2 anos, nem colocada diretamente nas narinas. A empresa garante que, seguindo as orientações do rótulo, o produto é eficaz no alívio dos sintomas de gripes e resfriados.

A orientação dos especialistas, no entanto, continua a mesma: qualquer produto ou medicamento só deve ser usado com orientação médica.

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Fontes: Dirceu Solé, pediatra e presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia; Eliane Henriques Moreira Alfani, pneumologista infantil do Hospital São Luiz (SP) e Maria Zilda de Aquino, pediatra do Hospital Sírio-Libanês (SP)


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