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A otorrinolaringologista Ana Maria Ciola, de Londrina, examina Caio, de cinco anos: cirurgia para tratar dor de ouvido crônica - César Augusto
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Filhos

Crianças são as mais atingidas pela dor de ouvido

Chiara Papali - Folha de Londrina
31 dez 1969 às 21:33
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Dor de ouvido é uma das doenças mais comuns em crianças e uma das causas que mais levam ao consultório do pediatra. Mas problemas no sistema imunológico podem deixar o problema crônico e trazer consequências até para a audição.

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A otorrinolaringologista Ana Maria Ciola, de Londrina, explica que a dor de ouvido é frequente principalmente em crianças com até dois anos de idade. A chamada otite média, mais comum nos meses de outono e inverno, ocorre geralmente após quadro gripal, por conta da secreção do nariz que chega até o ouvido. ''Nas crianças, a tuba auditiva é mais curta e reta que nos adultos e isso facilita a drenagem de secreção do nariz para o ouvido médio'', explica. Já a otite externa, mais frequente no verão, é provocada por calor e umidade, geralmente pelo maior contato da criança com água de mar e piscina.

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Os quadros de repetição, segundo ela, ocorrem quando o sistema imunológico é mais suscetível à infecções. Isso é resultado de crianças que não foram amamentadas ou tiveram o aleitamento interrompido, que têm pais fumantes e por isso são fumantes passivas, que tiveram um episódio grave de infecção quando ainda muito pequenas e até aquelas que frequentam creches e berçários e por conta disso ficam mais gripadas. ''A repetição faz com que sempre tenha líquido dentro do ouvido médio, e aí qualquer coisa acaba causando inflamação'', ressalta.


Quando a dor de ouvido é repetitiva - e isso se caracteriza por três a quatro episódios no ano -, a criança pode apresentar quadros agudos de febre, mas às vezes, a infecção é ''silenciosa'' e a criança não apresenta nenhum sintoma mais grave, como dor e febre. Os pais devem ficar atentos porque uma das consequências pode ser a diminuição da audição. Isso pode ser percebido naquela criança que está sempre pedindo para repetir algo, naquela que assiste TV com o som muito alto, ou mesmo naquela que acredita-se que é 'desatenta'. ''A perda ou diminuição de audição, nestes casos, é reversível, mas se isso não é percebido a tempo, a criança pode ter atraso no desenvolvimento da fala e na escola'', alerta a médica.


Uma das formas de tratar a dor de ouvido de repetição é cirúrgica, com a colocação de um tubo de ventilação que funciona como uma tuba auditiva e permite uma melhor drenagem da secreção. Depois de um período, o tubo sai sozinho, explica a médica, mas há casos em que é preciso retirá-lo. ''Primeiro são feitos tratamentos com antibióticos e analgésicos, mas é preciso acompanhar a evolução, para ver se há indicação cirúrgica'', avalia. Com o crescimento da criança e a modificação natural da tuba auditiva o problema normalmente melhora e ela para de apresentar otites com tanta frequência.

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Outras complicações da dor de ouvido de repetição são meningite, abcesso cerebral e labirintite infecciosa. Sem um tratamento adequado, alerta a médica, a criança pode apresentar perfuração do tímpano ou retração, que no primeiro caso pede uma cirurgia mais delicada, e no segundo, não há tratamento. E, em ambos, há perda auditiva.


Opção pela cirurgia, após tratamentos


Depois de tentar tratamentos alternativos para o filho Caio, hoje com cinco anos, a advogada Francismara Tumiate, de 32 anos, resolveu: vai mesmo optar pela cirurgia para tratar a dor de ouvido crônica dele.


A advogada conta que, como Caio nasceu com problema de refluxo gastroesofágico, uma das complicações sempre foram as dores de ouvido e de garganta.


''Aos dois anos ele fez uma cirurgia para corrigir o refluxo, e melhorou bastante, mas as dores de ouvido continuaram'', lembra.


Com tratamentos como a homeopatia, acupuntura e shiatsu, as dores de ouvido também melhoraram e ele ''chegou a ficar um ano inteiro sem ter nada'', mas não pararam de vez.


De novembro do ano passado para cá, ele já teve dois episódios significativos. ''Na última, ele nem teve febre, o que mostra que (a inflamação) já está crônica, e a médica sempre alertou para o perigo de perda de audição''.

Com medo de que o filho possa ter algum problema auditivo, ela optou pela cirurgia. ''Conheço outras pessoas que fizeram e tiveram bons resultados'', diz.


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