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A pandemia não acabou!

Cuidados para evitar Covid-19 devem permanecer durante o Natal

Folhapress
23 dez 2020 às 09:54

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iStock
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A poucos dias para o Natal, época marcada pelas reuniões familiares, os números de mortes e contaminações pela Covid-19 continuam altos. Para infectologistas, não é o momento de fazer comemorações. Caso elas aconteçam, é importante seguir medidas que minimizem os riscos.


"Nosso momento está ruim", destaca o infectologista Marcelo Otsuka, coordenador do comitê de infectologia pediátrica da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia). Ele lembra que há aumento no número de casos, óbitos e leitos ocupados.

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Francisco Ivanildo, médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e membro da APM complementa dizendo que, diferente do primeiro semestre, agora há mais jovens adoecendo e sendo internados. Entre as explicações para isso, há o retorno para o trabalho, a diminuição nas restrições de comércios e serviços e uma sensação de relaxamento, que colaborou para que as medidas de prevenção fossem deixadas de lado por alguns.


Assim, o infectologista alerta que comemorações que misturam pessoas de diferentes grupos, como jovens que estejam circulando frequentemente, idosos, pessoas com outros fatores de risco (como diabetes, cardiopatias e doença renal crônica, por exemplo) são preocupantes.


"O ideal é que pessoas que moram na mesma casa se reúnam apenas entre si para reduzir o risco de transmissão", diz Ivanildo. No caso de pessoas que fazem parte do grupo de risco, Otsuka sugere utilizar a tecnologia, como chamadas de vídeo, para interagir. É importante evitar a proximidade com quem não faz parte da rotina.


Para Eliane Tiemi Iokote, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, os cuidados devem ser triplicados e lembra que é um momento passageiro, que exige o comprometimento de todos. "Podemos comemorar, mas de forma consciente e com bastante responsabilidade", ressalta.


Segundo Ivanildo, os participantes também devem considerar o seu próprio comportamento nas últimas duas semanas, sobre situações em que ficaram expostos a uma eventual contaminação, e pensar bem antes de encontrar alguém.


De acordo com os infectologistas, a principal recomendação é que as comemorações não sejam feitas, mas caso aconteçam, é importante que tenham o menor número de pessoas possível, que o uso de máscara seja constante, exceto ao comer, e que haja distanciamento de dois metros enquanto as refeições forem feitas. Durante a reunião, não é recomendado que as pessoas cantem, falem alto ou gritem porque isso faz com que mais partículas de saliva se espalhem e aumenta as chances de contaminação.


Em relação às máscaras, Otsuka explica que elas devem ser trocadas quando estão molhadas ou sujas. "[A máscara de] uma criança que manipula mais, tem chance de ficar suja mais rápido", exemplifica. Com boas condições de higiene, ele afirma que a máscara pode ser usada entre duas e quatro horas.


Ivanildo destaca que os ambientes devem ser bem arejados. O ideal é que espaços ao ar livre como jardins e quintais sejam utilizados. Caso a comemoração aconteça em casa, abra portas e janelas. Em todos os casos, disponibilize álcool em gel onde as pessoas circulam.


Além disso, recomendações que determinam o número de pessoas não são aplicáveis a todas as situações. Antes de reunir, considere o tamanho do espaço, para que todos façam o distanciamento adequado, a ventilação, e de onde as pessoas estão vindo. Encontrar pessoas que moram duas casas diferentes é melhor do que cinco que vem cada uma de uma casa. "Cada pessoa tem contato com várias outras", resume Ivanildo.


Em relação ao jantar ou almoço de Natal, é recomendado que apenas uma pessoa sirva os pratos. Caso não seja possível, reforce as orientações para que ninguém fale enquanto estiver pegando a comida. Em todas as situações, é importante higienizar as mãos adequadamente. Também é importante evitar contato físico, como abraços e beijos.


Iokote afirma que objetos pessoais não sejam compartilhados. Assim, cada pessoa deve utilizar o próprio copo, talher ou celular. Isso ajuda a evitar tanto a Covid-19 quanto outras doenças transmitidas dessa forma.


Os infectologistas explicam que o maior risco de contaminação está na transmissão respiratória e levar a mão contaminada às mucosas como nariz, boca e olho. Assim, o risco durante trocas de presente é baixo, principalmente se o item foi embalado há alguns dias. Neste caso, basta higienizar as mãos adequadamente após tocar na embalagem.

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Os especialistas também alertam para não relaxar dos cuidados em hipótese alguma. Mesmo quem já contraiu a doença pode ser novamente infectado e transmitir para os demais. Além disso, Ivanildo lembra que fazer um teste rápido ou PCR não garante que a pessoa está sem o vírus, pois o resultado pode não ser preciso ou a contaminação pode ocorrer depois, por exemplo, o que geraria uma falsa sensação de segurança.


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