Família

Dia dos Pais: eles também merecem homenagens

31 dez 1969 às 21:33

O Dia dos Pais (comemorado no dia 10 de agosto) se aproxima e muitas pessoas precem não dar muita importância à data, ao contrário do Dia das Mães. A especialista em reeducação emocional e diretora terapêutica do Centro Hoffman, Heloísa Capelas, explica que o Dia das Mães tem um apelo emocional muito mais forte, porque a mãe representa afeto, cuidado, carinho, formação, enquanto que o pai tem a função de introduzir seus filhos no mundo. Ela chama a atenção para a importância do reconhecimento do valor da figura paterna, pois, mesmo em famílias fragmentadas (com pais separados, mães como chefe de família etc), é ele (ou o seu substituto) quem vai orientar o comportamento dos filhos em relação à sua profissão, dinheiro, prazer, lazer e amigos.

"É o pai quem traz o mundo para dentro de casa, por isso, as suas opiniões sobre o mundo vão se tornar convicções para os seus filhos. Isso porque a figura do pai é muito forte. Ele é o herói, é sabido, é forte, pode tudo", afirma. Para ela, se as opiniões do pai forem negativas, como "o mundo te engole, o trabalho é estressante, o mercado é exigente, pessoas não são de confiança", a criança vai se tornar um adulto com todos os conceitos e pré-conceitos do pai como se fossem a máxima verdade. "Essas negatividades serão barreiras reais à sua realização e à sua paz pessoal", diz Heloísa.


Segundo teoria criada pelo norte-americano Bob Hoffman, um autodidata com profundo conhecimento da natureza humana, a repetição de padrões negativos aprendidos dos pais, na esperança de que eles os aceitem e os amem incondicionalmente, é chamada de Síndrome do Amor Negativo. Para ele, essa síndrome pode ser a origem de inúmeros distúrbios emocionais, como a falta de auto-estima, o estado de se sentir indigno de ser amado, depressão, ansiedade, síndrome do pânico e outros.


Heloisa explica que o ser humano não precisa necessariamente adotar aquele determinado comportamento com os outros. "Há uma diferença entre um traço que você está usando em momento apropriado e um traço que usa você através do comportamento compulsivo, auto-defensivo e programado, baseado no amor negativo", esclarece Heloisa. "Você adota os traços negativos para conseguir amor, mas o resultado é a culpa, o sentimento de não ser amado e de não poder dar amor livremente. Uma vez livre dessa programação negativa somos livres para sermos nós mesmos."


Segundo ela, o pai deveria dar amor suficiente para o seu filho crescer e superá-lo. "Mas, existem pais que entram na disputa com seus filhos, querem sempre ser melhores do que eles e, conseqüentemente, fazem críticas o tempo todo, estão sempre insatisfeitos, dizendo que o que os filhos fazem nunca está bom. A conseqüência disso pode ser a aceitação, e o filho se torna um eterno derrotado, ou a rebeldia, e ele quer sempre provar que é o melhor em tudo. Ambas as situações representam um desgaste muito grande", diz a terapeuta.


Bob Hoffman afirmou em seu livro "O desvendar do amor", que o caminho para nos livrarmos do amor negativo é o perdão. "Somente quando formos capazes de perdoar nossos pais, experimental, emocional e intelectualmente, poderemos então nos perdoar e encontrar a paz interna", afirma Heloisa. A especialista diz que para alcançar essa tão almejada meta precisamos chegar a um profundo senso de compreensão sem condenação e de aceitação pelas crianças que nossos pais foram um dia. "Então poderemos ser totalmente livres para aceitar e amar os adultos que eles se tornaram", completa a profissional.


A Síndrome do Amor Negativo é trabalhada no Processo Hoffman da Quadrinidade, um curso intensivo de reeducação emocional que reúne diversas técnicas terapêuticas, buscando a harmonização dos quatro aspectos do ser - o emocional, o intelectual, o espiritual (sem qualquer conotação religiosa) e o físico - e auxiliando as pessoas a perceber os padrões negativos que copiaram inconscientemente de seus pais. Uma vez livre dessa programação negativa, somos livres para sermos nós mesmos.

*Heloisa Capelas é terapeuta familiar especializada em reeducação emocional. Diretora Terapêutica do Centro Hoffman desde 1998.


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