Família

Filhos - Na volta às aulas fique atenta aos piolhos

31 dez 1969 às 21:33

O clima mais frio e a volta às aulas criam o cenário ideal para o aparecimento de bichinhos muito temidos pelas mães de crianças em idade escolar: os piolhos. Chamada de pediculose, a infestação por essa espécie de ácaros aumenta nos períodos de temperatura amena, quando as crianças ficam mais próximas umas das outras.

As informações são do dermatologista Rubens Pontello. ''A coceira na cabeça e no pescoço é o principal sintoma da pediculose'', diz, lembrando que para confirmar o diagnóstico é preciso procurar os piolhos e as lêndeas (ovos dos ácaros) nos fios e no couro cabeludo. Encontrados os bichinhos, a orientação do dermatologista é procurar um médico para que os medicamentos mais adequados sejam receitados.


O tratamento pode ser de uso tópico (xampus e loções) ou oral (comprimidos). É importante seguir recomendação médica porque nem todo mundo pode usar esses remédios. ''Algumas pessoas, como gestantes, por exemplo, não podem tomar qualquer tipo de medicamento. Por isso é importante consultar um profissional'', reforça.


Pontello esclarece que não adianta tratar apenas a criança contaminada. Quando um caso de pediculose é confirmado, o ideal é checar se irmãos ou colegas de classe estão com as cabeças infestadas. ''Se os contaminantes não forem tratados, é possível que ocorra a reinfestação'', diz.


Além de eliminar os piolhos, outro cuidado necessário é remover as lêndeas para evitar que novos piolhos nasçam e continuem incomodando. Para acabar com os ovos, uma dica do médico é passar uma mistura de 50% de água e 50% de vinagre no couro cabeludo. Após a aplicação, enrola-se a cabeça com uma toalha formando um turbante e, após meia hora, passa-se o pente fino no cabelo. Por fim, a cabeça deve ser lavada.


Outra dica para retirar as lêndeas é aplicar bastante condicionador e depois usar o pente fino. A lavagem encerra o processo. Pontello comenta que as crianças de cabelos longos, volumosos e encaracolados são as mais suscetíveis ao problema.


A prevenção exige atenção redobrada por parte de pais e professores. O recomendável é que as mães olhem a cabeça dos filhos com frequência. Além disso, é preciso observar o comportamento das crianças, tanto em casa como na escola, e procurar os piolhos quando a cabeça começa a coçar. Aos professores, cabe avisar a família quando há suspeita de contaminação.


O médico alerta que manter as unhas bem cortadas para evitar que piolhos sejam transportados à cabeça de outras crianças. Além disso, quando as unhas causam pequenos ferimentos no ato de coçar a cabeça, abrem portas para a entrada de bactérias. Em alguns casos, quando a coceira é muito forte, os profissionais podem receitar medicamentos antialérgicos para amenizar o incomodo.


Após o tratamento, Pontello recomenda trocar roupas de cama para evitar a reinfestação. E, mesmo sem a presença dos piolhos, lavar os cabelos diariamente é um hábito de higiene bastante recomendável e que não coloca em risco a saúde dos fios.


Receitas caseiras e a aplicação de venenos no couro cabeludo são atitudes absolutamente proibidas. ''São práticas que não têm fundo científico'', diz, lembrando que a aplicação de substâncias tóxicas pode levar a quadros graves de intoxicação.


Vistoria nos cabelos


Quando um dos três filhos da comerciante Cristina Figueiredo Gomes começa a coçar a cabeça, ela imediatamente faz uma vistoria nos cabelos das crianças à procura de piolhos. Mãe de duas meninas de 4 e 3 anos, e de um garoto de 1 ano, ela conta que demorou para descobrir quando a filha mais velha foi contaminada pela pediculose, no ano passado.


''Ela começou a coçar a cabeça, mas achei que fosse alergia por causa do calor. Como a coceira não passava, fui olhar e achei um monte de lêndeas'', revela. Identificado o problema, ela passou um xampu específico para piolhos na filha e conseguiu eliminar os ácaros. ''Além disso, passei muito pente fino e tirei as lêndeas uma a uma. Deu muito trabalho'', recorda-se.


Depois desse episódio, Cristina passou a ficar mais atenta ao comportamento dos filhos. Apesar de a filha nunca mais ter tido infestações, ela olha a cabeça das crianças frequentemente. O cuidado é redobrado quando a escola manda bilhetes avisando que crianças da mesma classe estão contaminadas.


Trabalho pedagógico


No Colégio Estadual Humberto Puiggari Coutinho, que atende crianças a partir de seis anos, o trabalho preventivo para amenizar a infestação por piolhos é feito o ano todo. De acordo com a diretora geral da escola, Leliane Noivo Jorge, o assunto está inserido nos conteúdos programados para o período letivo das séries iniciais do ensino fundamental, sendo abordado de maneira pedagógica durante as aulas.


Teatros, textos, aulas expositivas e dramatizações são alguns recursos utilizados pelos professores para explicar às crianças como ocorre a contaminação e a melhor maneira de prevenir e tratar a doença. ''Além disso, estamos sempre reforçando a importância de ter bons hábitos de higiene'', explica.


O trabalho com as crianças é complementado pela orientação aos pais, feita mensalmente na reunião realizada entre professores e responsáveis pelos alunos. ''Nós pedimos a colaboração das famílias orientando para que sempre mandem as crianças de banho tomado e penteadas à escola. Também solicitamos que eles olhem a cabeça dos filhos periodicamente'', conta.


As professoras também observam as crianças e, no caso de suspeita de piolho, orientam os pais para que tomem as providências necessárias. ''O resultado do trabalho que realizamos é muito positivo. Quando as mães acham piolhos, já avisam a professora para que outros casos sejam identificados, evitando a reinfestação''.

Leliane lembra que a ocorrência de piolhos é comum em locais onde há aglomeração de pessoas. ''Por isso, sempre tratamos do assunto de maneira natural'', diz.


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