Família

Fim da licença-maternidade. Quem vai cuidar do bebê?

31 dez 1969 às 21:33

O pequeno Estevão Saiz de Melo, de um ano e seis meses, aprendeu desde cedo a passar o dia sem os cuidados maternos. Filho da relações-públicas Paula Saiz de Melo, ele precisou ficar em um berçário desde que completou seis meses de vida. Com o fim da licença-maternidade de Paula, essa foi a melhor opção encontrada pelos pais.

''Nossas famílias não são de Londrina, portanto, não tínhamos ninguém que pudesse ficar com ele. Deixar com babá, eu não queria porque não tinha nenhuma referência. Desde que decidi engravidar, sabia que o berçário seria necessário'', afirma a mãe.


Mas muitas das mães têm dúvidas sobre qual é a opção mais adequada para deixar os filhos, hesitando entre berçário, babá ou avós.


''A primeira coisa que devemos pensar é o que é melhor para a criança. O ideal seria que a mãe pudesse ficar com seu filho. Pelo menos até que os seis meses de idade, a presença materna é muito importante porque é o período em que o bebê desenvolve o sentimento de apego'', diz a psicóloga Elsie Pereira da Silva.


Como essa realidade está distante de muitas mulheres, que precisam voltar ao trabalho após quatro meses (a licença-maternidade de seis meses é opcional para as empresas), Elsie recomenda que os pais ponderem bem antes de decidir por qualquer alternativa. ''É importante pensar no que a criança precisa. Basicamente são quatro pontos importantes: proteção, segurança, ambiente afetivo e constância, ou seja, ter a mesma pessoa cuidadora. Levando tudo isso em conta, os avós seriam a melhor opção, caso eles tenham condições para cuidar de uma criança'', explica. O problema são as diferenças na maneira de educar as crianças. ''Geralmente, os avós se mostram mais permissivos com os netos e é preciso que os pais entrem em um consenso com eles quanto à educação, alimentação e horários'', aconselha.


Para os pais que precisam optar pelo berçário, a psicóloga garante que esses locais ''são boas opções quando transmitem segurança aos pais''. Ela recomenda observar se existem poucas crianças por cuidador, se são sempre as mesmas pessoas que ficam com as crianças e se o local é de fácil acesso para os pais irem visitar de vez em quando. Essas visitas ajudam a manter o vínculo com o bebê'', comenta Elsie.


Outro ponto positivo dos berçários é o desenvolvimento dos bebês, que aprendem desde cedo a se relacionar com outras crianças, além de terem atividades que desenvolvem os sentidos e a coordenação motora. ''Gosto do berçário porque sei que o Estevão é estimulado o tempo todo. Ele adora as professoras e ficou sozinho desde o terceiro dia de adaptação sem problemas, comenta Paula.


Para a médica pediatra Lúcia Jamus Nonino, os berçários têm a vantagem de possuírem profissionais treinados para cuidar das crianças. ''Mas é importante que os pais observem se o ambiente é limpo, se o fraldário fica longe da área de alimentação, se as crianças ficam em berços individuais e se as salas possuem boa ventilação. A grande desvantagem desses locais é que, como existem muitas crianças juntas, a possibilidade de adoecer aumenta. Seria melhor esperar até os dois anos de idade para mandar os filhos para um berçário'', observa Lúcia.


Quando a decisão é contratar uma babá, a psicóloga aconselha um período de acompanhamento antes de deixar o bebê sozinho. ''Assim, é possível observar como a pessoa se comporta. Outro cuidado é buscar sempre alguém com referências e desconfiar de comportamentos estranhos da criança, como apatia, falta de sono e de apetite e dificuldade para se relacionar e se aproximar dos outros. Mas, seja qual for a opção, é sempre importante que a criança tenha bem definido o papel de cada pessoa: a mãe, a babá, a professora e a avó''.


Na casa da babá


Quem vê o pequeno Felipe Carminatti Pires, de um ano e seis meses, caminhando ao lado da babá, Maria de Lurdes de Paula Souza, poderia tranqüilamente imaginar que os dois são mãe e filho. O menino chega até a chamar Maria de mãe. ‘No começo, eu tinha um pouco ciúme, mas agora não ligo. Acho até melhor que ele goste tanto assim dela e ela dele’, diz a mãe verdadeira de Felipe, a auxiliar admistrativa Vângela Carminatti Pires. ‘Brinco com os outros que ele é meu filho branco’, se diverte a babá.


Quando precisou voltar ao trabalho, Vângela viu em Maria a melhor opção para deixar o filho mais novo, na época com apenas quatro meses de idade. ‘Eu já conhecia Maria do grupo de orações da igreja e sabia que ela tinha cuidado dos filhos de amigas minhas. Não queria deixar Felipe em um berçário porque tinha medo de ele ficar doente’, diz.


Agora, a rotina de Felipe se divide entre as manhãs na casa da avó materna e as tardes na casa da babá. ‘Minha mãe não consegue ficar o dia todo com ele, está cansada e tem as coisas dela para fazer’.


Com a avó em tempo integral


A modelo Erika Squisatti bem que tentou colocar a filha, Maria Julia Squisatti Fiumari, de três anos, na escolinha este ano, mas a menina não aceitou ficar longe de casa e da avó. ‘Desde que Maria Julia nasceu minha mãe cuida dela. Com apenas um mês de vida precisei viajar dois dias a trabalho e ela ficou com a minha mãe’, conta Erika.


A avó, que trabalhava como promotora de vendas, largou tudo para se dedicar à neta. ‘Vi que não compensaria pagar uma babá e decidi que eu iria cuidar dela. Queria que a Erika continuasse se dedicando à carreira e não me arrependo de ter feito essa escolha. Moramos todas juntas e acho melhor a Maria Julia ficar em casa’, diz a avó, Ednéia Neri.

‘Quando estou em casa, faço questão de cuidar de minha filha. Mas preciso sair para trabalhar quase que todos os dias e tenho total confiança em deixá-la com a minha mãe. Mesmo assim, no próximo ano vou tentar outra vez colocá-la na escolinha’, garante Erika.


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