Um em cada três pais, cujos filhos foram encaminhados para um ambulatório de obesidade, não percebe o excesso de peso do filho como um problema de saúde, sugere um novo estudo, publicado no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics.
Os pesquisadores descobriram que 31% dos pais de crianças obesas ou com excesso de peso consideram a saúde do seu filho excelente ou muito boa, e 28% não considera o excesso de peso um problema de saúde. As crianças em questão tinham idades entre 5 e 20 anos, e 94% delas eram obesas.
"Pode ser difícil para os pais serem objetivos sobre o peso e a saúde dos filhos, a menos que alguma outra pessoa, como um pediatra ou a enfermeira da escola, aponte que pode haver um problema. Muitos pais pensam que 'ser um pouco gordinho é normal' e que seu filho vai crescer com essa característica", explica o pediatra e homeopata Yechiel Moises Chencinski, autor do blog "Mama que te faz bem".
A percepção desses pais pode ter alguma relação com "a normalização da obesidade" nos dias de hoje. Como as pessoas se deparam mais e mais com o sobrepeso ao seu redor, talvez elas não reconheçam mais o excesso de peso e não percebam as consequências médicas para uma criança que permanece acima do peso.
Manter as crianças em movimento
Embora 94% dos pais entrevistados tenham admitido que o filho fosse obeso ou que estivesse com sobrepeso, eles disseram que encontravam dificuldades para ajudar na mudança de seu comportamento e estilo de vida.
O estudo revelou que os pais achavam mais fácil ajudar seus filhos a comerem alimentos mais saudáveis do que incentivá-los a fazer mais exercícios todos os dias.
"A pesquisa mostrou que quase 62% dos pais relataram que estavam tomando medidas para melhorar a dieta de seus filhos, aumentando a ingestão de frutas e legumes, e reduzindo o fast food, os doces e os lanches. Mas apenas 41% deles disseram estar ajudando a criança a aumentar seu nível de atividade física, como caminhar, dançar ou praticar esportes diariamente", afirma o médico.
Os pesquisadores disseram que não está claro por que os pais sentiam-se menos confortáveis para incentivar um estilo de vida mais ativo em seus filhos com excesso de peso. Eles sugeriram algumas possíveis razões: barreiras financeiras, o próprio sedentarismo dos pais e o receio dos pais sobre a capacidade de seus filhos com excesso de peso de realizarem atividades físicas com segurança.
Os resultados também mostraram que os pais pareciam mais dispostos a fazer mudanças nos níveis de atividade física de seus filhos quando esses eram mais jovens. Já na adolescência, esta tarefa tornou-se cada vez mais difícil. "Para superar o problema da obesidade infantil, precisamos incentivar bons hábitos alimentares e a prática de atividades físicas nas crianças quando elas são mais novas. Nós, pediatras, precisamos fazer um trabalho de convencimento dos pais sobre o ganho de peso na infância e os perigos do sedentarismo", afirma Chencinski.
Confira no vídeo abaixo um pouco mais sobre o assunto: