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Linguagem da internet preocupa pais e educadores

Erica Shimamura - Folha de Londrina
31 dez 1969 às 21:33

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César Augusto
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O uso da internet por adolescentes já foi alvo de inúmeros debates nas escolas, no ambiente doméstico, na mídia e até mesmo entre pesquisadores. Muitos pais, professores e jovens torcem o nariz toda vez que se deparam com um texto escrito em 'internetês', a língua 'oficial' na era virtual, que prima pela abreviação de sílabas e leva em conta a pronúncia das palavras, descartando acentos e pontuação de frases.

A preocupação agora se estende ao público infantil, formado por crianças que estão na base do ensino, nos primeiros anos escolares. Dentro desse universo fica a dúvida se o contato precoce com o computador pode atrapalhar o aprendizado da língua portuguesa.

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No caso de Ana Beatriz Akiyama, 10 anos, o uso precoce de e-mail, MSN e Orkut não afetou seu aprendizado. A garota conta que desde a 1 série do Ensino Fundamental, aos sete anos, utiliza o e-mail para se comunicar com as tias que moram no Japão. ''Quando eu ficava com alguma dúvida, perguntava para o meu pai'', relembra. ''Na internet eu escrevo abreviado o 'você' (vc) e o 'que' (q), mas sei qual é a diferença'', ressalta. A mãe da garota, Elis Cristina Akiyama, conta que Ana Beatriz é sempre orientada em casa quanto às diferenças existentes entre as duas formas de linguagem, além de poder utilizar a internet somente duas horas por semana, nos fins de semana, e receber grande incentivo à leitura na escola. ''Na turma dela os alunos leem um livro por semana''.


Mas nem todas as crianças apresentam a mesma segurança na hora de diferenciar a linguagem formal do internetês. Para a orientadora educacional da 4 a 7 séries do Colégio Universitário, Marta Inez Rossi Freitas, a internet tem trazido mais transtornos do que benefícios para crianças e adolescentes. Na opinião da educadora, o uso precoce do computador atrapalha tanto alunos em fase de alfabetização quanto os que estão frequentando a 4 e 5 séries. ''Eles abreviam tudo, mesmo nas redações e provas, pois estão habituados. Sabemos de casos dentro da escola todos os dias'', frisa.


Cecília Avansini Rosa, 7 anos, tem e-mail e MSN desde os seis, idade em que foi alfabetizada. A pedido dela, os pais decidiram criar as ferramentas para que ela pudesse se comunicar virtualmente com os avós que moram no interior de São Paulo. ''A toti (avó) conta histórias de Cinderela, Branca de Neve, que sempre acabam em festa'', conta. ''Gosto de mandar para o nono (avô) animações pelo MSN''. Como o universo virtual é novo para ela, assim como o contato com as letras, escrever por meio de um teclado acaba dificultando a comunicação virtual. ''É difícil digitar, só sei onde está a letra 'a'. Fica tudo misturado, o teclado não vem em ordem alfabética e algumas letras não estão no alfabeto'', aponta.


Para o pai de Cecília, Denoir Rosa, não é possível evitar que as crianças entrem em contato com as novas tecnologias, por isso a importância em permitir que as crianças usem o computador, mas sob a supervisão dos pais. ''Também compramos livros e revistas de histórias em quadrinhos para incentivar o interesse dela pela leitura'', comenta.


Divergências


Para Marta Inez Rossi Freitas, uma das formas de evitar complicações é permitir que a criança passe o mínimo de tempo possível navegando na internet. E, para isso, não é recomendável levar o equipamento para o quarto. ''A criança que fica o dia todo diante do computador é mais propensa a apresentar problemas com a linguagem'', afirma. No Universitário, o aluno tem pontos descontados da nota final se escrever de forma abreviada ou em 'internetês nas provas e nos trabalhos.

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A diretora educacional do Colégio Marista, Marize Rufino, revela nunca ter recebido reclamações de alunos com problemas de linguagem por conta do contato com a rede virtual. Em sua concepção, o processo de alfabetização é construído ao longo dos anos, e não somente nas primeiras séries escolares. Assim, a especialista afirma que não é preciso temer o uso das novas tecnologias na educação de crianças, mas a escola tem a responsabilidade de zelar pela língua e pela transmissão da cultura, e uma das maneiras é incentivar a leitura de livros clássicos. ''Todos temos dificuldades ortográficas. Acredito que o aluno acaba compreendendo a diferença entre as linguagens, e assim fica com as duas opções'', avalia.


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