Família

Maioria dos pais desconhecem risco de acidentes infantis

31 dez 1969 às 21:33

Todos os anos, quase seis mil crianças na faixa etária entre um e 14 anos morrem no Brasil vítimas de acidentes e cerca de 140 mil são hospitalizadas. Apesar dos números crescentes, a percepção dos pais sobre os perigos reais de acidentes diminuem na mesma proporção.

A conclusão é de uma pesquisa realizada este ano pela Criança Segura, organização sem fins lucrativos que visa a prevenção do acidentes infantis. Representantes da organização estão reunidos em Curitiba para divulgar os dados do estudo e oferecer uma oficina com a intenção de evitar tragédias ''Queremos mobilizar as pessoas e multiplicar a idéia de prevenção de acidentes'', explica Alessandra Françoisa, coordenadora do Programa de Formação de Mobilizadores da Criança Segura.


A Criança Segura realizou uma pesquisa qualitativa com as famílias para avaliar qual eram as principais preocupações dos pais. Durante todo este ano, foram entrevistados 16 grupos de mães de crianças entre 0 e 14 anos, pertencentes às classes AB e CD, das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Curitiba. Com as entrevistas realizadas, os pesquisadores puderam cruzar dados entre aquilo que preocupa os pais e o que acontece, de fato, na realidade.


A conclusão é que as mães desconhecem os dados sobre a incidência e a gravidade de acidentes. ''Já tínhamos idéia do desconhecimento no dia-a-dia, mas não sabíamos que era tão forte'', diz Alessandra.


A pesquisa detectou um abismo entre o que elas consideram perigoso e o que realmente oferece risco aos pequenos. As entrevistadas não faziam idéia de como os acidentes são as principais causas de morte infantil no Brasil. Somado a isso, a preocupação com a violência urbana é muito maior que com acidentes domésticos, sendo estes os que causam mais vítimas. Em 2005, 7.395 crianças morreram por causas externas. Desse total, 79% foram vítimas de acidentes, enquanto 13% de violência.


Para as entrevistadas com filhos com idade entre 6 a 14 anos, ambientes externos são fonte de preocupação, principalmente por causa da violência. No entanto, os números mostram que, nesta faixa etária, 2.880 crianças foram parar no hospital por causa da violência, enquanto outros 103.236 menores foram hospitalizadas vítimas de acidentes.


O que mais preocupa as famílias nesta faixa etária, além da violência, são más influências, pedofilia, assaltos, brigas, balas perdidas, sequestros e envolvimento com drogas. Contudo, as principais causas de mortes em 2005 foram: afogamento (986 mortes), atropelamento (849), passageiro de veículo (409), queda (171), entre outros. O atropelamento foi o único perigo citado pelas mães expontaneamente e que se encaixa na categoria de acidentes.


Casos são vistos como fatalidades


Um ponto importante é abordado pelo estudo do Criança Segura: a preocupação quanto a prevenção de acidentes. As mães entrevistadas estão mais preocupadas em solucionar problemas depois que os acidentes acontecem que preveni-los. Segundo a pesquisa, os acidentes são vistos como fatalidades inevitáveis que, mesmo com os cuidados, não podem ser evitados. No entanto, a pesquisa cita um relatório da Fundação das Nações Unidas para a Infância (Unicef), publicado em 2001, que comprova uma diminuição em 50% de mortes de crianças menores de 15 anos em países que adotaram medidas preventivas contra acidentes.


A pesquisa mostrou que acidentes de trânsito, afogamento, sufocamento, queimadura, quedas, intoxicação, entre outros, são as principais causas de morte infantil no Brasil, mesmo se comparados à outras causas, como doenças ou violência urbana. Por dia, 16 crianças morrem vítimas de acidentes. Enquanto isso, 380 são hospitalizadas.

Em 2005, ano-base do estudo, 5.808 crianças morreram no País vítimas de acidentes. O principal causador de óbitos é o trânsito, com 2.326 vítimas, seguido pelo afogamento (1.496 mortes) e pelo sufocamento (806). Também por causa de acidentes, 138.604 crianças foram hospitalizadas no mesmo ano. A principal causa das internações são as quedas, com 75.504 vítimas.


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