É mais fácil ver crianças no computador, jogando videogame ou com os olhinhos ''grudados'' na TV, assistindo à programação de canais como Cartoon Network, Nickelodeon e Discovery Kids, do que brincando de esconde-esconde, empinando pipa ou pulando corda. Os pequenos passaram a ter uma vida mais sedentária, contrariando a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 60 minutos de atividade física por dia, ou cinco horas semanais.
Por isso são importantes as aulas de Educação Física, propostas pelo roteiro escolar, que agem positivamente no desenvolvimento da meninada, assim como matriculá-los em aulas de natação, dança e judô, por exemplo. ''São recomendados pelo menos 30 minutos de atividades dirigidas por dia. Os pais devem observar o aprendizado dos filhos e elogiar seu desempenho. Mas eles não devem ser obrigados a praticá-la. Tem que ser algo prazeroso. Também é aconselhável duas horas por dia de atividades lúdicas executadas pela própria criança, aproveitando sua cultura, a cultura do meio em que vive e sua imaginação'', enfatiza o personal trainer João Paulo Faustino.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Em casa ou no parque
A família também deve estimular as brincadeiras, de acordo com Pablius Staduto Braga Silva, médico coordenador de Atividade Física do Programa de Promoção de Saúde da Fleury Gestão de Saúde, em São Paulo. ''Se não há como sair, o pai e a mãe devem inventar brincadeiras dentro do apartamento mesmo, criar jogos em casa ou levar os filhos a parques. Também é importante que eles explorem o mundo. Nada substitui o andar na grama, na areia, na terra'', afirma.
Nessas horas, quem determina o tempo de duração da atividade é a própria criança. ''Brincar não tem limite. São elas que determinam o tempo de duração da brincadeira'', diz Gustavo Foronda, médico cardiologista pediátrico e pediatra do Hospital Sírio Libanês. Segundo o especialista, ao brincar os baixinhos aprendem a conviver em equipe e sociedade, a ganhar e perder, desenvolvem a musculatura e fortalecem os ossos.
Benefícios
Além disso, praticar atividade física, de acordo com João Paulo, melhora a qualidade do sono, de vida, a coordenação motora, incentiva a sociabilização e o entendimento das regras, como também desenvolve os lados afetivo-motor e cognitivo.
''Quando os pequenos começam a se exercitar desde cedo, são menores as chances de ficarem obesos e desenvolverem doenças cardíacas'', declara Silva.
Segundo Foronda, a prática de esportes também diminui a possibilidade de a criança ter hipercolesterolemia (colesterol alto) e triglicérides mais elevados.
No entanto, de nada adianta incentivar a galerinha a se mexer, se os pais não forem referência para eles. ''A criança absorve muito do meio. Ela incorpora os hábitos da família. Uma boa razão para os filhos praticarem esportes é saber que seus pais também o fazem. Eles são referência, os ídolos'', garante Silva.
A hora certa
Existem esportes que são indicados para qualquer faixa etária. É o caso da natação, que pode ser praticada a partir dos seis meses. ''O bebê faz aula acompanhado pela mãe ou pai'', explica João Paulo. ''Esse início precoce facilita a adaptação ao meio líquido, melhora a capacidade cardiopulmonar, a habilidade motora e a sociabilização'', afirma.
As atividades que requerem preparo físico específico, como vôlei, futebol e basquete, por exemplo, só podem ser realizadas a partir dos 6 anos, de acordo com Silva. Depois dessa fase é que a turminha começa a aprender regras, desenvolver reflexos e ganhar massa óssea para treinar'', diz.
''Já a musculação está liberada a partir dos 16, 18 anos, quando a fase de crescimento está se encerrando e o risco de lesões é menor'', finaliza Gustavo Foronda.
Palavra da especialista*
Esses dias, ouvindo os questionamentos de duas pessoas que conversavam sobre depressão, pude perceber o quanto existe de dúvidas a respeito do tema. Quando se trata de depressão infantil então, a falta de informação é ainda maior porque faz pouco mais de duas décadas que a doença se tornou conhecida. É preciso estar sempre observando as crianças, seus comportamentos, sua tristeza.
É normal a tristeza aparecer de vez em quando como parte natural do desenvolvimento infantil, é uma reação de resposta a algumas situações da vida como perdas, distância dos amigos, pais, mudança repentina. Entretanto, quando a criança demonstra apatia, isolamento, distúrbios escolares, alimentares e de sono, desinteresse pelas coisas e quando a tristeza é profunda, dura muito tempo ou ocorre frequentemente, pode ser sinal de depressão clínica.
A depressão na infância existe, porém demora a ser diagnosticada. As causas podem ser genética, bioquímica, bem como uma série de outros fatores. É importante ressaltar que existem dois tipos de quadro depressivo. Há a depressão exógena ou reativa que é a resposta ou reação que a criança apresenta frente a algum acontecimento da vida como morte de alguém que lhe é significativo, divórcio dos pais e estresse. A outra é a depressão endógena que se manifesta sem causa aparente e pode estar ligada à pré-disposição familiar.
Os sintomas mais frequentes da depressão das crianças em idade escolar são: alteração de peso (ganho ou perda), queixas de dores físicas, baixa auto-estima, preocupação excessiva, mudanças do sono, tristeza, hostilidade ou agressão gratuita, relutância em frequentar a escola, queda nas notas, pouco interesse em brincar com outras crianças, idéia ou tentativa de fuga, pensamentos mórbidos ou suicidas (Fonte: David Fassler).
Por ser uma doença que não é possível perceber os sintomas facilmente, diferente de uma fratura, por exemplo, é difícil compreender o que a criança está sentindo. Como psicóloga, percebo que a depressão mostra que algo não está bem e é preciso procurar as causas, sejam físicas, emocionais, ambientais ou várias. Também é necessário o apoio e o afeto da família, dos amigos da escola. Só enxergando e compreendendo o problema pode-se ser assertivo na busca pela solução.
*Elsiê Silva, é psicóloga em Londrina