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De olho nos pequenos

Pais devem investir na prevenção de acidentes

Carolina Avansini - Folha de Londrina
31 ago 2009 às 12:16

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César Augusto/Equipe Folha
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A família da representante comercial Valéria Domingues mora bem perto da escola dos filhos Rafael, 4, e Ana Luiza, 10. Apesar da pouca distância, os dois sempre vão no banco de trás do carro: o garoto na cadeira adequada à idade e a menina presa pelo cinto de segurança do veículo.

‘A Ana poderia ir na frente, mas acho que o banco traseiro é mais seguro. Os dois usaram bebê-conforto e cadeira de automóvel. Ana, quando era menor, ia no booster (assento elevatório para adequar a altura ao cinto do carro), que também vou usar com Rafael’, conta a mãe. Cuidadosa, ela também acompanha os filhos na travessia de ruas, principalmente em locais muito movimentados. No apartamento, colocou telas de proteção nas janelas e sempre cuida para que não subam em locais altos. ‘Os dois fazem natação para diminuir o risco de afogamentos. Prefiro investir na prevenção’, explica a mãe.

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Os cuidados tomados por Valéria são fundamentais para evitar acidentes, que são a principal causa de morte entre crianças e adolescentes de 1 a 14 anos. Anualmente, é registrado o óbito de 830 mil pessoas nessa faixa etária em todo o mundo. Para alertar sobre o assunto e ampliar o debate sobre o tema, a ONG Criança Segura instituiu o dia 30 de agosto como o Dia da Prevenção de Acidentes com Crianças. ‘Ações educativas são essenciais para reduzir os casos’, considera o cirurgião pediátrico especialista em trauma e médico do Siate em Londrina, Mauro Basso. Ele também é consultor da ONG em Londrina.


Basso considera que essas ocorrências não são meras fatalidades. Na sua opinião, tratam-se de lesões não intencionais que ocorrem por descuido ou negligência. ‘Não são acidentes’, reforça ele, lembrando que 95% dos traumas envolvendo crianças poderiam ser evitados pelo maior cuidado dos pais e cuidadores.


Em 2007, de acordo com o Ministério da Saúde, 5.324 crianças e adolescentes morreram no Brasil em função de acidentes. Outras 136.329 foram hospitalizadas pelo mesmo motivo. Basso esclarece que as quedas perfazem a maior parte das estatísticas, seguidas por acidentes de trânsito e afogamentos.


No trânsito, as vítimas de menor idade são normalmente ocupantes dos veículos. Já as maiores acidentam-se também em atropelamentos, a pé ou de bicicleta. O médico denuncia uma situação alarmante, constatada durante o trabalho diário no Siate: na maioria das ocorrências de trânsito com menores envolvidos, as crianças estavam sendo transportadas de maneira inadequada, sem uso das cadeiras específicas para cada idade.


‘A população está mais consciente, mas grande parte dos pais não usa a cadeira, apesar de já estar provado que elas diminuem o risco de morte em 70%’, afirma. Segundo Basso, bebês de até um ano devem ser transportados em bebês-conforto afixados de costas para o banco do passageiro da frente. Até 4 ou 5 anos, de acordo com o peso, as cadeiras são os equipamentos de segurança mais indicados.


A partir dessa idade e até a criança ser capaz de encostar toda a planta do pé no chão com a coluna alinhada ao banco, preconiza-se o uso dos boosters. ‘É importante adquirir todos esses equipamentos com boa qualidade, que sejam certificados pelo Inmetro.’


Na rua, o desenvolvimento da independência aumenta também os riscos. ‘As crianças maiores são curiosas, destemidas e gostam de imitar personagens da televisão, por isso acabam expondo-se’, acredita. Até os 10 anos, porém, elas não têm desenvolvimento neuropsicomotor para avaliar os riscos e acabam não dimensionando as distâncias seguras para atravessar a rua. ‘Além disso, têm a visão bloqueada pela altura.’ O ideal, ressalta, é atravessar de mãos dadas com um adulto, que deve segurar os pequeninos no punho para evitar escapadelas inesperadas.


Banheiras e piscinas oferecem riscos


Bicicletas também devem ser usadas com equipamentos de proteção e monitoradas por adultos. Em choque com outros veículos ou mesmo quedas, elas causam traumas de crânio ou lesões abdominais provocadas pelo guidão, que podem resultar em graves lesões no intestino e no pâncreas.


Estatísticas mundiais apontam que a maioria dos acidentes ocorrem num raio de 7 a 10 km da residência, em ruas calmas e tempo claro, o que aumenta a importância da prevenção mesmo que os riscos não sejam evidentes. O cirurgião pediátrico Mauro Basso defende a inclusão do tema na grade curricular do ensino básico, por acreditar que trata-se de uma questão de cidadania. ‘Os acidentes nem sempre são inevitáveis. A única maneira de reduzir as ocorrências é fazer com que não aconteçam.’


A negligência também é responsável por grande parte dos afogamentos de crianças e adolescentes. De acordo com o médico, esse tipo de acidente é frequente e quase sempre poderia ser evitado pela prevenção. ‘Se considerarmos os diferentes tipos de acidentes de trânsito de forma isolada, os afogamentos passam a constituir a maior parte dos acidentes envolvendo menores de 14 anos’, afirmou.


Entre os bebês, ainda são comuns os casos de afogamento na banheira. ‘A mãe deixa o bebê sozinho na água para atender um telefone, por exemplo, e quando volta a criança se afogou’, disse, ressaltando que a prática é totalmente inadequada. ‘Crianças pequenas não devem ser deixadas sozinhas.’


Entre os maiores, os afogamentos recreacionais em piscinas, rios e até mesmo no mar são mais comuns. Para prevenir, o especialista recomenda o uso de boias entre os de menor idade e a vigilância total de um adulto responsável em qualquer situação.


As famílias que têm piscina em casa devem cercar a área de lazer com grade e portão com trava. As lonas colocadas sobre a água não são seguras, porque podem sufocar a criança em caso de queda. Outra dica do médico é ensinar os filhos a nadar o mais cedo possível, para que eles possam retornar a um local seguro em caso de acidente.


Recomendações seguidas à risca


A dona de casa Graziela Palombo não abre mão das recomendações dos especialistas quando se trata de garantir a segurança do filho Ricardo, de 5 anos. O garoto sempre vai ao parque do condomínio onde moram acompanhado por um adulto para evitar quedas dos brinquedos ou na piscina.


Quando o menino era bebê, Graziela travava as portas de armários contendo produtos de limpeza e protegeu as tomadas da casa. Na cozinha, evita ferver água nas bocas da frente do fogão para evitar queimaduras e mantém as facas em locais altos. Além disso, sempre transporta Ricardo no assento elevatório no carro.


Apesar de todos os cuidados, o garoto já cortou o queixo na piscina, além de ter caído da motoca e cortado a boca. ‘Nas duas vezes precisou dar pontos. Às vezes os riscos são inesperados’, considera a mãe, que é analista de sistemas mas parou de trabalhar para curtir os primeiros anos de maternidade.

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Serviço: Informações sobre prevenção de acidentes no site www.criancasegura.org


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