Família

Por que o segundo bebê não vem?

31 dez 1969 às 21:33

Ter engravidado naturalmente uma vez, com facilidade, não é garantia de que o mesmo acontecerá uma segunda vez. "São comuns os casos de infertilidade secundária, quando um casal não consegue engravidar ou levar uma gravidez até o final, após já terem tido um filho. Esse tipo de infertilidade é tão comum quanto a infertilidade primária, sem ocorrência de gravidez anterior", afirma o ginecologista especializado em Reprodução Humana, Joji Ueno, diretor da Clínica Gera, em São Paulo.

Segundo Ueno, os mesmos fatores que causam a infertilidade primária podem causar a secundária: bloqueio de trompas, endometriose, problemas de ovulação, pouca quantidade ou falta de motilidade dos espermatozóides, varicocele, dentre muitos outros motivos. Com o passar do tempo, as condições de saúde do casal podem se alterar. "Seja qual for a causa da infertilidade secundária, ela se desenvolveu ou se agravou, após a primeira gestação. Para ter o segundo filho, o casal precisa passar pela avaliação de um especialista em fertilidade", recomenda o médico.


Ser incapaz de ter um segundo filho pode gerar um estresse enorme para o casal. "Muitos acreditam que por terem tido uma primeira gravidez bem sucedida poderão ter outras iguais. Mas isto nem sempre é verdade. O importante neste processo é saber o momento adequado de buscar auxílio médico e psicológico", afirma a psicóloga da Clínica Gera, Luciana Leis, especializada no tratamento de casais que enfrentam problemas de fertilidade.


Causas


Diversas são as causas para o aparecimento da infertilidade secundária. Dentre as que atingem as mulheres, podemos relacionar desordens ovulatórias, menopausa precoce, aderências pélvicas, inflamação ou infecção, danos ou bloqueios nas tubas uterinas, pólipos, fibroses uterinas e endometriose. Nos homens, as causas principais incluem baixa contagem espermática, motilidade deficiente dos espermatozóides, problemas ejaculatórios ou mesmo a qualidade do esperma. "A causa ou as causas da infertilidade secundária podem ser determinadas em cerca de dois terços dos casos. Para um terço dos casais, a razão para não engravidar ou não levar a gravidez até o fim é desconhecida", explica o diretor da Clínica Gera.


O estilo de vida também pode contribuir para o aparecimento da infertilidade secundária. Tabagismo, uso e abuso de drogas e álcool, doenças sexualmente transmissíveis e excesso de peso podem interferir na fertilidade do casal. Em alguns casos, a infertilidade secundária surge em razão do envelhecimento. Com a idade, a capacidade da mulher de conceber um bebê decresce. "A fertilidade feminina começa a declinar a partir da metade da terceira década de vida, quando os ovários liberam menos óvulos e a qualidade deles vai declinando. Os óvulos envelhecem a cada ano que passa, mais rapidamente do que a mulher. Assim, uma mulher que tenha tido seu primeiro filho por volta dos 34 anos estará muito menos fértil aos 39 anos, quando ela ainda se julga apta a conceber um segundo bebê", explica o diretor da Clínica Gera.


"A idade também aumenta a chance da mulher desenvolver endometriose e outras desordens que interferem no sucesso da concepção e da gravidez. O risco de abortos espontâneos também aumenta com a idade: a taxa de aborto natural está em torno de 10% para mulheres nos seus 20 anos, 20% para mulheres com idade entre 35 e 39 anos, e cerca de 50% para mulheres com idade entre 40 e 44 anos", alerta o médico.


A fertilidade masculina também diminui com a idade. Na medida em que envelhecem, os homens produzem espermatozóides em menor quantidade e com menos motilidade. Homens em idade mais avançada podem também apresentar problemas para manter a ereção.


Abalos psicológicos


O estresse emocional e a ansiedade que um casal sente lidando com a infertilidade secundária podem ser ampliados pela falta de compreensão da família e de amigos. "Este tipo de situação é menos reconhecida e compreendida pelos mais próximos do que os casos de infertilidade primária. Tanto a família, quanto os amigos podem não entender o sofrimento de quem enfrenta dificuldades para engravidar pela segunda vez", defende a psicóloga da Clínica Gera, Luciana Leis. Esta falta de compreensão e empatia do círculo social pode provocar sentimentos de inadequação, "é como se o casal não tivesse o direito de ficar triste por não conseguir a segunda gravidez, uma vez que já tem um filho", diz a psicóloga.


Outra fonte de estresse vem do fato de estarem cercados por casais que não tiveram problemas para engravidar do segundo ou do terceiro filho. "Se o casal sofre de infertilidade primária, ele pode evitar o mundo infantil, mas quando o casal já tem um filho, ele está mergulhado nesse universo e não pode deixar de participar de festinhas de aniversário e de outras atividades infantis, onde encontra casais grávidos e cheios de filhos", diz Luciana Leis.


Tratando o problema


Assim como a infertilidade primária, a secundária pode, na maioria das vezes, ser diagnosticada e tratada. Exames apropriados podem revelar problemas com hormônios, contagem espermática e bloqueios tubários, dentre outras causas. "É importante obter o diagnóstico apropriado e tratar o problema o mais cedo possível", recomenda o especialista em Reprodução Humana, Joji Ueno.


O tratamento varia de acordo com a causa do problema. "Existe uma possibilidade de sucesso de gravidez, se o casal procurar ajuda médica no tempo adequado, ou seja, assim que notar a dificuldade para engravidar. Casais que sofrem a infertilidade secundária, muitas vezes, podem não saber da gama de tratamentos seguros e eficazes disponíveis destinados a solucionar este problema", afirma Joji Ueno, diretor da Clínica Gera.

Serviço:
Clínica GERA
Rua Peixoto de Gomide, 515
Conjuntos 11 e 12
São Paulo- SP
Telefone: (11) 3266 7974
www.clinicagera.com.br


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