Ao escolher os presentes para crianças, não se deve considerar somente o desejo ou pedido feito por elas. Os pais devem estar atentos a brinquedos que, além de divertir, também possam estimular o desenvolvimento cerebral e visual. Segundo o oftalmologista do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Sérgio de Souza, cada atividade, suas cores e formatos deve ser observada. "Cerca de 80% de tudo o que se aprende até os 12 anos ocorre por meio do Sistema Visual. Por isso é essencial que a família avalie os estímulos que oferece aos filhos", afirma.
O médico alerta que se deve evitar brinquedos pontiagudos, cortantes ou com pressão por serem responsáveis por grande parte dos acidentes oculares infantis. Além disso, as bolas para crianças entre 5 e 8 anos devem ter uma gramatura o mais leve possível. "Em muitos casos, as boladas causam até cataratas traumáticas que, muitas vezes, são irreversíveis", alerta.
Segundo Souza, ninguém nasce com visão tridimensional. Essa função é desenvolvida ao longo da infância por meio do movimento dos olhos, pela forma como pega os objetos e pela movimentação espacial. Por isso, os móbiles são desaconselhados para crianças até 2 anos uma vez que a capacidade visual nesta fase ainda é baixa. "Nesse período, devem-se evitar os brinquedos pequenos e a exposição constante a cores fluorescentes para não gerar cansaço visual nem dores de cabeça. Trata-se de uma importante fase para estimular a visão cromática que ajudará a diferenciar as diversidades de cores", afirma.
A partir de 3 anos, os quebra-cabeças já são recomendados, por permitirem o desenvolvimento da visão fina e apurada. "É uma forma de estimular a capacidade de absorver os detalhes dos objetos. Além disso, essa atividade deve ser realizada sempre em ambiente bem iluminado", ressalta. Outra atividade recomendada para essa faixa etária são os desenhos animados por possibilitarem o aprimoramento da visão difusa, ou seja, a movimentação dos olhos para a formação das imagens no cérebro.
O computador também refina a visão de detalhes, mas só é aconselhado após os seis anos. Segundo o médico, o importante é variar os tipos de estímulos visuais para não expor o cérebro a uma hiperatividade em determinadas freqüências. "O uso do computador não deve exceder a duas horas diárias e a TV deve ser autorizada por no máximo quatro horas por dia. Já, a mistura de quebra-cabeças, construção de objetos, pinturas, desenhos e atividades físicas não têm restrição", ressalta.
Essas atividades são indicadas para o desenvolvimento da habilidade visual na distinção de distâncias e profundidades, na manipulação e comparação de objetos, enfim, na atenção visual que assegurará um diferencial competitivo no futuro.
Souza ainda lembra a importância de se levar os filhos para exames de rotina desde o nascimento, com uma freqüência média de duas vezes por ano. Assim, é possível detectar e impedir a progressão de distúrbios ou doenças da visão, assim como evitar problemas futuros de aprendizagem.