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Educação

Relação entre pais e filhos precisa de mudanças

Thiago Nassif - Folha de Londrina
31 dez 1969 às 21:33

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Fábio Ciquini
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Lugar de criança é na escola. A frase, apesar de batida, não é regra. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 3% das crianças em todo mundo sofrem de fobia escolar, transtorno que provoca um pavor de não querer freqüentar as salas de aula de jeito nenhum. Problema para os pais, que têm dificuldade em lidar com o assunto.

Em entrevista à FOLHA, o psicólogo Bruno Mazetto afirma que a atenção especial dos pais sobre o problema é fundamental para ajudar a criança a perder o medo do ambiente escolar. Para Mazetto, os pais devem cobrar os filhos desde cedo em vez fazer concessões sucessivas e corpo-mole, atitudes condenadas pelo psicólogo. ‘Há um medo dos pais de serem tirânicos e isso acaba refletindo no efeito contrário, ou seja, que é assumir uma postura muito permissiva’.

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Quando uma criança foge do convívio escolar, manifesta o desejo de não freqüentar a sala de aula, o que podemos tirar como conclusão?


Primeiramente, não devemos tomar nenhuma conclusão precipitada, uma vez que a criança pode tanto ter um problema na escola como, de fato, algum problema de saúde. O correto é analisarmos, em um primeiro momento, se são sintomas físicos. Uma vez não sendo, é preciso verificar outras causas, até porque as crianças inevitavelmente têm que ir à escola.


As brincadeirinhas e coações são atitudes típicas entre as crianças. Como é possível administrar a iminência ou incidência do bullying?


Isso é algo que os pais devem ficar atentos para, sempre que acontecer um problema com as crianças em relação à escola, se fazerem presentes. Atualmente, uma das coisas que mais fazem falta é a presença dos pais no ambiente escolar. Eles precisam conhecer os diretores, professores e educadores que trabalham com as crianças exatamente para saber desse dia-a-dia dela longe de casa. Principalmente porque, com a correria do dia-a-dia, a criança passa boa parte de seu tempo na escola e cada vez menos em casa.


Muitos pais acabam optando pela superproteção dos filhos. Até que ponto isso pode ser prejudicial?


Considero a superproteção um movimento da atualidade. Há um medo dos pais de serem tirânicos e isso acaba refletindo no efeito contrário, que é assumir uma postura muito permissiva diante dos filhos. As crianças têm suas opiniões, idéias, desejos e dificuldades e devem ser escutadas, mas é importante que os pais sejam firmes nas decisões. Estar na escola, por exemplo, é importante e a criança tem que ir. Corpo-mole e concessões não funcionam: a criança vai tomando conta das situações e não o contrário.


E os pais se dão conta de que estão errados?


Não. O que acontece, geralmente, é que os pais não sabem o que fazer: há uma dificuldade enorme em exercer esta função. É difícil notar uma tranqüilidade por parte dos pais, levando essa relação com os filhos naturalmente. O que normalmente acontece é uma superpreocupação de o que se deve fazer para um filho ser bonzinho e não ‘bandido’. Dar broncas e puxões de orelha não desabonam a relação de amor com os filhos. Insegurança todos os pais têm, mas uma insegurança exacerbada leva a situações de problema, com as crianças se tornando tirânicas e dominando a relação.


Por isso que muitos dizem hoje que não se fazem mais pais e mães como antigamente...


O ser humano é o mesmo. A criança antigamente também era tirânica, mas não se via isso acontecendo, essa relação de dominação. Havia uma aceitação até grande da agressão física por parte dos pais. Se um filho desrespeitasse a ordem do pai, dava-se logo umas palmadas e ‘resolvia’ o problema. A tirania e a permissividade eram similares. Hoje em dia, tirando esse recurso dos pais, graças ao que foi - sabiamente - dito por psicólogos, eles não sabem o que fazer. É um processo similar àquele vivenciado nas escolas, décadas atrás, com a extinção da palmatória.


Mas bater seria a solução?


De forma alguma. Antigamente tinha-se uma forma de frear as crianças que não era correta e as crianças tentavam extrapolar por outros meios. Se um professor agride um aluno ou um pai agride um filho, isso acaba na Justiça. Hoje, os pais, principalmente, perderam as rédeas.


E qual seria a saída?

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Se a criança tem uma dificuldade de ir à escola ou tem efeitos físicos, é porque isso vem de uma outra coisa e é preciso ouvi-la. É muito importante ressaltar que ouvir não quer dizer conceder total liberdade. O caminho é a aproximação, para que haja mais troca. Enquanto as pessoas ficarem procurando explicações simplificadas e receitas do que fazer, estaremos indo do nada ao lugar algum, dificilmente atingindo os objetivos das escolas e dos filhos.


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