Família

Você sabe como escolher a escola do seu filho?

31 dez 1969 às 21:33

O período de matrículas para o ano letivo de 2009 se aproxima e, com ele, alguns pais enfrentam o dilema: qual a melhor opção de escola para seus filhos. Para aqueles que vão promover a "estréia" dos filhos na escola ou pretendem transferi-los para uma nova instituição de ensino, é preciso atentar não apenas para a estrutura física dos colégios, mas também para o modelo de ensino.

Conhecer previamente o material didático utilizado, se a criança terá aulas extracurriculares, saber quais são os canais de acesso para a coordenação e se são facilitados aos pais são os primeiros passos para a seleção, assim como entender a metodologia trabalhada em sala de aula na hora de matricular seus filhos na escola são de fundamental importância. Família e escola devem estar sempre em sintonia para que pais e filhos tenham segurança na equipe que trabalha na escola e confiem no trabalho que está sendo desenvolvido, sabendo que encontrarão as portas abertas, no caso de aparecer alguma dúvida. Pesquisar quais livros, que material didático é usado, o número de alunos por sala de aula, o espaço físico da escola e se tem aulas diversificadas são outros fatores que não devem ser deixados de lado.


Buscar saber como a escola estará recebendo o novo aluno é outro ponto crucial. Neste sentido, a forma como a equipe trabalha deve ser levada em consideração, afinal, os educadores devem trabalhar com espírito colaborativo, focando o crescimento de todos os alunos, não só os da sua sala, dando continuidade ao trabalho dos demais professores.


Especificamente para os pais que pretendem mudar os filhos de escola, é recomendável conversar com a criança e explicar a ela qual é o motivo dessa transferência, permitindo que ela também participe de todo o processo de escolha da nova escola. Deixar com que o futuro aluno ajude na escolha é importante para que a transferência não seja encarada como uma imposição. Uma transferência de colégio deve ter um motivo: discordâncias com o método pedagógico, falta de adaptação ao ambiente escolar, problemas com notas, entre outros. Se for por conta de mudança de uma cidade para outra, a família deve procurar uma escola parecida com a anterior para que a adaptação das crianças seja mais tranqüila.


Já nos casos em que a transferência é feita por questão de adaptação pedagógica ou disciplinar, a procura deve ser baseada na diferença entre as metodologias de ensino de uma instituição para outra. Não adianta mudar a escola se as estruturas que desencadearam a decisão pela mudança permanecerem as mesmas. É preciso mudar também as atitudes e a forma como a família relaciona-se com o ensino do filho. Caso isso não ocorra, independentemente da troca de escola, os mesmos problemas continuarão se repetindo.


Seja a primeira experiência escolar ou transferência de instituição, pesquisar com pais e alunos que já estudem na escola que você está pretendendo matricular seus filhos para saber a opinião de quem já conhece aquele ambiente escolar é fator determinante antes de uma tomada de decisão. Mais vale uma boa opinião de outra mãe do que quaisquer propagandas. A indicação é a maior prova de confiança; ninguém que não está realmente satisfeito indicaria uma escola para outro pai.


Dicas valiosas para escolher a melhor escola


Ensino fundamental


- Nessa etapa, a alfabetização deve ser cuidadosa. Bibliotecas bem equipadas e videotecas fazem a diferença na formação do aluno.


- Tanto o espaço físico quanto a coordenação pedagógica devem permitir um intercâmbio entre as turmas, promovendo a socialização. Atividades que envolvam as classes como se fossem equipes são bem-vindas. Do 1° ao 5° ano, cada sala deve ter no máximo 30 alunos. Do 5° ao 9° ano, até 35 alunos.


Ensino médio


- É importante que os professores desenvolvam projetos integrados às áreas de conhecimento, promovendo a interdisciplinaridade - tão comentada este ano por conta das mudanças no vestibular mais concorrido do país (a Fuvest).


- A fase final do ensino médio é o momento para motivar os jovens para a escolha da carreira. Projetos complementares, ligados às áreas de conhecimento, que serão objeto do vestibular, contribuem para a definição de qual carreira seguir. A escola deve conciliar dois propósitos: oferecer uma formação ampla e integral e dar condições para o prosseguimento dos estudos pelo aluno, ou seja, prepará-lo para o vestibular. Para o ingresso na universidade, os jovens precisam desenvolver uma consciência crítica.


- Boas bibliotecas, laboratórios de informática bem equipados e duas línguas estrangeiras são essenciais. O ideal são 35 alunos por sala de aula, mas essa quantidade pode chegar a 40.


Para qualquer fase da educação


- Informe-se sobre a metodologia utilizada pela escola (se é tradicional, cognitiva/ construtivista, sócio-construtivista, interacionista, sócio-interacionista...) e seu sistema de avaliação (se é mais quantitativo, priorizando o sistema de notas, ou qualitativo, voltada ao desempenho cotidiano do aluno). É preciso que a metodologia escolhida venha ao encontro do tipo de educação que os pais escolheram dar aos seus filhos.


- A escola tem que oferecer disciplinas extracurriculares, oficinas, laboratório de informática, esportes, línguas - contanto que o preço desses produtos e serviços não seja uma surpresa para os pais, depois que a criança já está matriculada. A criança deve, sempre que possível, fazer uma atividade complementar, e se essa atividade existir dentro da própria escola é muito mais prático para a organização familiar. No caso de alunos que estejam no ensino médio, busque colégios que ofereçam reforço na época do vestibular, atentando para a interdisciplinaridade, os temas transversais, atividades extracurriculares e extra classe, pois assim teremos alunos formadores de opinião e críticos. As disciplinas extracurriculares são um facilitador para os pais que trabalham fora.


- Busque conhecer a equipe, os professores e a estrutura física da escola; se existem áreas para atividades culturais e esportivas e se a escola tem projetos inovadores de leitura e debate. Verifique se existe formação continuada dos profissionais da escola.


- A proximidade entre colégio e residência ou do local de trabalho dos pais não deve ser deixada de lado. Algumas questões como qual o meio de transporte que a criança utilizará para ir para a escola ou quanto tempo levará para chegar ao seu destino devem ser analisadas com cautela, principalmente para os alunos que irão precisar do transporte escolar. Em alguns casos, a criança passa muito tempo dentro do veículo, o que pode causar estresse e provocar cansaços às vezes inexplicáveis.


- A segurança é outro ponto a observar. Os pais têm que deixar seus filhos na escola e ficar tranqüilos de que estarão seguros. Quantas e como são as pessoas que recepcionam as crianças? Quais e como são os procedimentos de retirada dos alunos? Qual o número de porteiros e o de inspetores em todos os andares? Há segurança interna? Visite o colégio durante as aulas e sem prévio aviso, para ter noção real da segurança oferecida.


- É importante ainda os pais verificarem se o valor da mensalidade é condizente com o orçamento familiar e quais são os produtos e serviços incluídos. Contratar uma escola é como comprar um serviço. Fique atento a valores, prazos e tenha certeza de que está contratando uma empresa idônea. O valor da mensalidade dependerá do orçamento de cada família. É preciso lembrar que esse será um gasto de longo prazo - pelo menos uns 14 anos - e calcular se os gastos extras com material escolar, transporte, passeios e outros não pesarão no final do mês. O entusiasmo dos pais, no primeiro ano, pode gerar frustração no aluno que terá que sair da escola porque os pais não conseguem arcar com os custos.


- Procure uma mensalidade que já inclua uma atividade extra. Avalie o contrato pedagógico também. Você estará aceitando o que a escola propõe para seu filho. Analise o custo-benefício da escola particular antes de efetuar a matrícula. Se optar por escolas da rede pública, a pesquisa terá que ser ainda mais criteriosa, uma vez que existem diferenças quanto à qualidade de ensino de uma unidade para outra. O contrato deve ser lido atentamente.

*Wagner Sanchez é diretor e coordenador pedagógico do Colégio Módulo, em São Paulo.


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